A Pordata, um projeto da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), apresentou no passado dia 08 de junho, em Ponta Delgada, o Retrato dos Açores, que agrega um conjunto de dados e indicadores das ilhas do arquipélago, para que se possa olhá-los numa óptica evolutiva e compará-los com o continente.
O Retrato dos Açores, iniciativa levada a cabo pela Pordata, um projeto da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), foi apresentado no passado dia 08 de Junho, na cidade de Ponta Delgada. Este Retrato agrega um conjunto de dados e indicadores por ilha do arquipélago, de modo a que se possa olhá-los em termos evolutivos e compará-los com o continente.
Os dados são divididos pelas nove ilhas e pelos 19 municípios dos Açores, sendo apresentados em 13 áreas: população; habitação e condições de vida, educação; saúde; cultura; empresas, pessoal e produto; emprego e mercado de trabalho; proteção social; finanças autárquicas; ciência e sociedade de informação; participação eleitoral; ambiente, energia e território; e turismo.
A população dos Açores é mais jovem (16%) do que a média nacional (14%), embora esteja a envelhecer, mas tem uma esperança média de vida menor, segundo dados do projeto Pordata.
O número de idosos por cada 100 jovens nos Açores passou de 60 para 84, entre 2001 e 2016, no entanto, o índice de envelhecimento em Portugal é de 149. São Miguel é a ilha menos envelhecida, com 65 idosos por 100 jovens, a ilha do Faial tem 114 idosos por 100 jovens, enquanto a ilha das Flores, se encontra no extremo oposto, com 151, e é a única acima da média nacional.
Nota-se, pois, que todas as ilhas, à exceção do Corvo, registaram um crescimento do índice de envelhecimento e, excluindo São Miguel e Santa Maria, todas têm mais idosos do que jovens.
A esperança média de vida à nascença dos açorianos registou um crescimento de 3,7 anos, entre 2001 e 2015, situando-se nos 77,3 anos, mas manteve-se abaixo da média nacional (80,6 anos), que aumentou mais no mesmo período de tempo (3,9 anos).
Em 2016, contavam-se 245.525 habitantes nos Açores, concentrando-se mais de metade na ilha de São Miguel, cerca de 138 mil. Em relação à ilha do Faial, a população residente praticamente estagnou entre 2001 e 2016, tendo neste ano registado 14.792 habitantes.
São Miguel, a maior ilha do arquipélago, tinha 148 vezes mais residentes do que a ilha mais pequena, o Corvo, com 460.
Segundo os dados recolhidos pelo projeto Pordata, em 1960 os casamentos não católicos nos Açores não ultrapassavam os 10%, mas em 2017 a percentagem de casamentos fora da igreja atingia os 70%, superando os números nacionais (66%).
No que respeita ao poder de compra, verifica-se que este no arquipélago, em 2015, era inferior em cerca de 15% ao do país, enquanto a taxa de inflação, em 2017, era superior em cerca de 0,5 pontos percentuais.
No que se refere à habitação e condições de vida, o valor médio dos prédios hipotecados nos Açores (€ 174.651,00) é muito superior ao registado em Portugal continental que é de € 127.547,00.
Nos Açores, sete em cada 10 pessoas não completou o ensino secundário e, apesar de se ter registado uma redução significativa desde 1998, a taxa de abandono escolar (28%) é mais do dobro do que a verificada no país (13%).
Por outro lado, a percentagem de pessoas com ensino superior quadruplicou entre 1998 e 2017, situando-se nos 13%, inferior em cinco pontos percentuais à média nacional (18%).
Ao nível da saúde as diferenças no território são evidentes. Verifica-se que os oito hospitais que existem nos Açores estão apenas em três ilhas: São Miguel, Terceira e Faial, não havendo no grupo ocidental, das Flores e do Corvo, nenhum hospital.
Por outro lado, há muito menos habitantes por médico (são menos metade do que em 2001).
Quanto às principais causas de morte nos açores, é de salientar o facto de as doenças do aparelho respiratório constituírem 33% e os tumores malignos 24% dessas causas.
O Produto Interno Bruto (PIB) per capita dos Açores (15.995 euros) era, em 2016, inferior ao nacional (17.934 euros) e, exceto as ilhas do Faial e Corvo, todas as ilhas importavam mais do que exportavam.
O setor terciário assume um peso maior no arquipélago (74%), em comparação com o todo nacional (69%), bem como o setor primário, em que a diferença é de 11 para 6%.
Em 2017, a taxa de desemprego era igual à do país (9%), mas o número de beneficiários de subsídio de desemprego, que aumentou em todas as ilhas, exceto no Corvo, era superior, atingindo os 5,1%, quando a média nacional era de 3,4%.
Já o número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção diminuiu em todas as ilhas, à exceção de São Miguel, entre 2009 e 2017, mantendo-se ainda assim acima da média do país, com uma diferença de 11,6 para 3,2%, ou seja, nos Açores, há quatro vezes mais pessoas a receber o RSI do que no resto do país.
No índice do Turismo, só o Algarve é que ultrapassa as ilhas no número de dormidas de turistas por habitante. A Madeira vem em segundo lugar, tendo recebido, em 2016, 3102 turistas por cada 100 habitantes.
Nos Açores, dormiram no arquipélago 659 pessoas por cada 100 residentes, sendo São Miguel e o Faial as ilhas com mais dormidas. Nos últimos anos, o número de estabelecimentos hoteleiros duplicou nos Açores.
Em 2016, os Açores tinham 179 estabelecimentos hoteleiros, mais do dobro dos existentes em 2009, com o Pico a registar o maior aumento, de quatro para 23.
As receitas totais das dormidas por hóspede, nesse ano, foram, no entanto, inferiores à média nacional (106,6 euros), exceto na ilha de São Miguel (113,8 euros), assistindo-se na ilha do Faial a uma redução de cerca de 100,00 € no ano de 2009 para o valor de 84,6€ em 2016.Por sua vez, a ilha do Pico aparece com uma receita de dormida por hóspede no valor de€ 104,20.
Em jeito de conclusão, verifica-se que é nas ilhas que vivem os portugueses mais jovens. Ali, há menos poder de compra, o abandono escolar é mais precoce, a distribuição da população pelo território é desigual e em algumas ilhas nem sequer há um hospital. Os hotéis vão-se multiplicando, bem como os turistas.