Maria Balbina Gomes de Freitas Santos Silva tem 62 anos, vive no Salão, é reformada e trabalhou durante muitos anos no Serviço de Recursos Humanos do Hospital da Horta.
Na sua adolescência, frequentou a Casa de Infância de Santo António (CISA) durante cinco anos onde concluiu o ensino secundário como pensionista.
No âmbito das entrevistas que o Tribuna tem realizado em parceria com a CISA, para as comemorações dos 160 anos da instituição, Maria Balbina Silva revela que “a meados da década de 60 do século vinte, os horários dos transportes públicos e a distância geográfica, não possibilitavam uma deslocação fácil entre as freguesias, nem tão pouco poder regressar a casa diariamente”, pelo que frequentou o Colégio como pensionista durante cinco anos.
“Ingressei no Colégio porque os meus pais consideravam que era o local adequado para frequentar o ensino secundário, uma vez que na altura o mesmo funcionava com regime de internamento” conta.
Segundo a própria, o seu principal constrangimento ao frequentar o Colégio “foi a ausência da família, pois devido às regras existentes, inicialmente só nos era permitido ir a casa no final de cada mês. No entanto posteriormente começámos a ter autorização para saídas quinzenais e finalmente semanais”.
Das suas memórias pessoais daquele tempo, Maria Balbina Silva destaca “a afinidade, partilha, solidariedade entre as colegas do Colégio, que eram provenientes de várias Ilhas, Faial, Pico, Flores, Corvo, S. Jorge, Graciosa e até da Terceira”, recordando também “os passeios de Domingo, os piqueniques e brincadeiras na Quinta de S. Lourenço, os passeios que tive oportunidade de fazer anualmente, ao Pico, a S. Jorge e às Flores e Corvo (no navio Ponta Delgada)”, numa altura em que os jovens não tinham possibilidade de se deslocar entre as ilhas.
Maria Balbina não esquece também “as brincadeiras do recreio e especialmente as rodas e a oração que aconteciam no recreio da noite, as festas realizadas no ginásio, as missas solenes e os retiros espirituais com o padre Raul Botelho de Paiva, que vinha propositadamente de S. Miguel”.
“A nível pedagógico a CISA sempre foi reconhecida pelo seu ensino de exigência e de qualidade”, salienta, destacando as professoras, quase todas freiras, irmã Benilde, irmã Clara, irmã Inês, irmã Geral-dina, irmã Margarida e ainda a Dra. Fernanda Pimentel, a Dra. Alda Brito e Melo, o Eng. Vítor Macedo e o “professor de matemática, tenente Horácio Saloio, que nos fazia ir ao ‘Correio da Horta’ procurar a tabuada da massa cinzenta”.
Para Maria Balbina “a CISA é uma instituição que muito tem dignificado o Faial e os Açores, que teve, e continua, a sua Missão Social, ensino de Excelência e no meu caso proporcionou-me Formação a todos os níveis”.
Maria Balbina realça ainda que, durante os cinco anos que frequentou a CISA, os principais valores que lhe foram incutidos foram “o sentido de responsabilidade, a honestidade, a solidariedade, o respeito pelo outro e a espiritualidade”.