Teve lugar no passado dia 04 de julho, no Salão Nobre dos Paços do Município, a sessão solene comemorativa do 185.º aniversário de elevação da Horta de Vila a Cidade.
A referida cerimónia serviu para homenagear diversas personalidades e entidades, através da imposição de medalhas e insígnias honoríficas do concelho da Horta.
A sessão solene comemorativa do 185.º aniversário de elevação da Horta de Vila a Cidade, que contou com a presença, para além de outras individualidades, da Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, Ana Luísa Luís e do Secretário Regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, em representação do Presidente do Governo, foi cheia de discursos e de homenagens a diversas personalidades e entidades da ilha do Faial.
Abriu a sessão o Presidente da Câmara Municipal da Horta, José Leonardo Silva, que começou por dar as boas vindas aos presentes, considerando ser um orgulho “estarmos a viver uma data tão expressiva”.
Para José Leonardo, a cidade da Horta é uma “cidade pujante, viva, rica de património e de tradições, revigorante e acolhedora no seu bem-receber”, não sendo, pois, de admirar que devido à beleza das suas paisagens, há qualidade ambiental, tranquilidade e segurança, seja “um dos concelhos dos Açores mais procurados pelos estrangeiros para fixar residência”.
Neste seu discurso da sessão solene comemorativa do 185.º aniversário da elevação da Horta de Vila a Cidade, o Presidente do Município lembrou a necessidade de se caminhar para “um futuro que se quer sustentável, mas que corresponda aos necessários anseios de uma cidade moderna e cosmopolita”, isto porque “somos o Município mais Azul da Região Autónoma dos Açores”.
Leonardo chamou, de seguida, a atenção para os desafios que a cidade tem pela frente, os quais “devem unir e não servir de bandeira para outras causas, que não a causa do Faial e dos faialenses”, pois para o Presidente do Município é importante “projetar uma cidade e um concelho moderno, no centro da Europa”.
Considerou, ainda, como principal desafio o das acessibilidades, quer as acessibilidades aéreas, quer as acessibilidades marítimas, lembrando as várias obras em curso na ilha e que estão “a criar condições para nos fortalecermos em muitas áreas, como por exemplo, na área empresarial, com a reabertura, ainda este ano, do Centro de Acolhimento Empresarial, com a conclusão do novo matadouro da ilha do Faial, e lançamento, em breve, da obra do novo quartel de bombeiros”.
O Presidente da Câmara Municipal da Horta agradeceu, depois às “entidades públicas, privadas e particulares, que traçaram com esta Câmara, através do PIRUS, um planeamento para o desenvolvimento do concelho, a médio e longo prazo, instrumento que se articula com a aprovação da nova Estratégia de Reabilitação Urbana, com o objetivo de aceder a Instrumentos Financeiros do IFRU, que estimulem, ainda mais, ações nesta área”, tendo o município criado “uma equipa multidisciplinar que reveja o nosso Plano de Urbanização e o nosso PDM, para potenciar, ainda mais, o nosso crescimento económico enquanto segunda ilha dos Açores com maior nível de poder de compra per capita”.
Para José Leonardo Silva, os faialenses são “os principais parceiros de desenvolvimento local”, a par das freguesias, pois “são eles que connosco criam, potenciam e valorizam as nossas tradições”, nas instituições, nos clubes desportivos, nos grupos de folclore e grupos de cantares e “é com elas que estamos a dar resposta aos desafios do presente e a projetar o futuro”.
Perante os presentes, salientou que se assiste, de forma gradual, a “um aumento do fluxo do turismo”, daí a necessidade de ”melhorar os serviços e a oferta que temos”, quer através de “uma melhor formação dos nossos agentes turísticos”, quer através da “dinamização do património cultural e edificado, como por exemplo, com a reabertura da Igreja do Carmo e da Torre do Relógio”, e alargar o dinamismo existente “a vários outros setores, como a restauração, a hotelaria ou a animação turística”.
De seguida, lembrou as freguesias da ilha, “verdadeiros paraísos de tranquilidade” e “parceiros inestimáveis da Câmara Municipal”, a descentralização da ação do município pelas freguesias mediante “o projeto Presentes no Concelho”, e da necessidade de “encontrar formas para alargar este projeto, cada vez mais, dentro dos limites dos nossos recursos humanos e materiais”.
No discurso proferido, o Presidente do Município considerou urgente “repensar o Poder Local, adequando o seu funcionamento e as suas competências aos tempos de hoje”, isto porque “o poder local tem de estar preparado para se renovar e superar-se a si próprio, em benefício da qualidade da política e na procura de mais e melhores respostas aos anseios das pessoas”.
“Deve existir coragem para inovar, encontrando soluções que possam trazer maior capacidade de crescimento sem colocar em causa a sustentabilidade dos nossos recursos”, disse o Presidente, lembrando que “quem não souber estar na política para construir, deve ficar fora dela”.
Entende, ainda, que “o FAM deve ser repensado, quiçá até transformado num fundo de investimento acessível a todas as autarquias e não apenas às que se encontram em desequilíbrio, aproveitando para novos investimentos em tantas áreas necessárias, como por exemplo, o ambiente, a ação social ou até mesmo as estradas”, destacando a este propósito o fundo de investimento criado pelo Município “no quadro do seu primeiro orçamento, que tem sido importante para dar resposta a este problemas”.
Por último, agradeceu aos funcionários, cidadãos e instituições alvo de homenagem, pois “são hoje distinguidos por terem contribuído para o seu concelho, através do seu percurso pessoal, profissional e de vida associativa”, realçando o facto de “fazer parte de um projeto, que é um projeto dos faialenses para o Faial e para os Açores”.
Usou, de seguida, da palavra a Presidente da Assembleia Municipal da Horta, Teresa Faria Ribeiro, que recordou o dia 04 de julho de 1833, o dia em que concretizando uma reivindicação antiga dos Faialenses D. Pedro IV mandou passar o alvará de elevação da Horta de Vila a cidade.
Lembrando a importância histórica da Horta e do respetivo distrito no contexto regional, Teresa Ribeiro entende que a mesma nos “deve servir de exemplo e estímulo”, pois “devemos aprender com o passado, sabendo honrar aqueles que nos precederam e que com a sua ação e empenho muito contribuíram para valorizar o Faial, as suas gentes a sua posição geoestratégica”.
A Horta destacou-se, ao longo dos tempos, por várias razões, entre elas, sendo uma das mais importantes estações baleeiras do Atlântico, os cabos submarinos que daqui partiam, o Porto da Horta, e o facto de ter sido a primeira localidade da Europa a possuir uma representação consular norte-americana após a independência dos Estados Unidos da América.
Após esta incursão na história da Horta, a Presidente da Assembleia Municipal salientou a existência, no presente, de várias “lutas para travar”, acentuando que “o poder local tem essa obrigação, de, ao lado com os seus munícipes defender as aspirações e os interesses do povo faialense, sem olhar a fações ou divisões, querendo mais e melhor para a nossa ilha, sem medo de erguer a voz contra algumas tentações de centralismo, seja regional ou nacional”.
Segundo Teresa Ribeiro, a necessidade de melhoria da operacionalidade do Porto da Horta, a recuperação de estradas, o aumento da pista do aeroporto da Horta, entre outras infraestruturas importantes ao desenvolvimento sustentável do turismo e da economia local, “são assuntos que têm demasiados anos sido postos à margem, mas que cada vez mais congregam as pessoas, levando-as a exporem as suas preocupações e anseios, e até a manifestarem-se publicamente”.
Perante os presentes, a Presidente da Assembleia Municipal manifestou a total disponibilidade daquele órgão e dos deputados municipais para em conjunto encontrarem consensos que melhor defendam os interesses da ilha do Faial.
Por sua vez, o Secretário Regional da Agricultura e Florestas salientou o privilégio que tinha em participar nesta cerimónia atendendo “ao apreço que tenho pelo poder local em virtude do exercício das funções de autarca durante largos anos”.
“É inquestionável a importância dos municípios e o contributo que dão para o desenvolvimento das respetivas comunidades, poder contribuir para desenvolver o território e melhorar a qualidade de vida das populações é algo de muito gratificante”, salientou João Ponte no início da sua intervenção.
De acordo com o Secretário da Agricultura, a Horta é “uma cidade que goza de um estatuto cosmopolita, materializada ao longo de séculos da sua história”, recordando, de seguida, o percurso da cidade até aos nossos dias.
João Ponte entende que a “cidade da Horta não vive só do mar e daquilo que ele potencia. Esta cidade e esta ilha vivem também de outros sectores económicos absolutamente vitais para a sua afirmação e desenvolvimento”.
O Secretário Regional da Agricultura e Florestas afirmou, nos Paços do Município, que os investimentos do Governo dos Açores previstos e em curso no Faial atestam que a ilha vive um novo ciclo de desenvolvimento.
“Os investimentos avultados que estão previstos ou em curso na ilha do Faial, designadamente a Escola do Mar dos Açores, a construção da Unidade de Saúde de Ilha ou, na área social, a remodelação e ampliação da creche O Castelinho, bem como o futuro Centro de Dia dos Flamengos, são essenciais para a criação de emprego e para criar novas oportunidades”, frisou João Ponte, durante a sessão solene comemorativa do 185.º aniversário da cidade da Horta.
Oportunidades que já estão a ser aproveitadas pelos Faialenses, disse João Ponte, destacando que o turismo cresce nesta ilha de forma “muito expressiva e acima da média regional” ao nível das dormidas, adiantando que, nos primeiros quatro meses deste ano, o aumento atingiu 6,5% comparativamente com igual período em 2017, enquanto nos proveitos gerados o crescimento alcançou os 19%, “evidenciando, assim, a capacidade do Faial extrair valor do setor turístico, em virtude de crescer mais nos proveitos do que nas dormidas”.
Em relação ao setor agrícola, salientou a construção do novo Matadouro do Faial e os investimentos previstos na Quinta de São Lourenço, exemplos que considerou serem “essenciais para ajudar os agricultores faialenses a melhorar a rentabilidade das explorações, reduzir os custos de exploração e garantir a sustentabilidade da agricultura nesta ilha”.
“Estes e outros investimentos em curso atestam o empenho e a ação do Governo Regional no sentido de dotar esta ilha de mais e melhores infraestruturas, que possibilitem mais e melhor economia, mais investimento privado, mais e melhor emprego”, afirmou o Secretário Regional.
João Ponte defendeu ainda que a união de esforços entre o poder regional e local tem permitido aos Açores vencer desafios, modernizar-se e levar a cabo projetos estruturantes do ponto de vista económico e de coesão social.
“A Região é um bom exemplo de boa cooperação entre o Governo Regional e os municípios, com ganhos para as populações que servimos. Na área social, ambiental, na agricultura temos muitas e boas parcerias”, destacou o Secretário Regional.
Para João Ponte, se todos trabalharem em cooperação será mais fácil promover mais desenvolvimento económico e social nos Açores.
A Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, Ana Luísa Luís, considerou o presente momento como “carregado de simbolismo pela dimensão histórica desta cidade”. Para Ana Luís trata-se de um local onde “atualmente se criam as condições para afirmar-se enquanto cidade-mar, projetando internacionalmente não só a ilha do Faial como também os Açores”.
Lembrou no seu discurso que a cidade da Horta é um dos pilares da autonomia constitucional dos Açores, assim como foi um pilar ao longo da história e “desempenhou e continua a desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento dos Açores”.
“As gentes destas ilhas sempre souberam com determinação ultrapassar os grandes desafios que foram encontrando pelo caminho da sua história, como há 60 anos com a erupção do Vulcão dos Capelinhos ou mais recentemente com o sismo de 1998”, destacou a Presidente da Assembleia.
Por outro lado, não deixou de destacar o facto de a Horta ser “sempre cosmopolita”, “um porto de abrigo” e “um porto de partida e de chegada”.
Para Ana Luís “o mar assume particular importância no futuro, nas suas mais variadas vertentes, devendo merecer consensos alargados, pois é pela economia azul que passa também o futuro dos Açores”.
Por último, alertou para o facto de as datas que marcam a história, em especial esta, nos levarem a uma autorreflexão e serem um momento para assumir as atuais exigências sociais desta sociedade onde todos devemos procurar equilíbrios.
Procedeu-se, depois, à cerimónia de imposição de medalhas e insígnias às entidades e personalidades que se destacaram pela sua ação na vida do concelho, tendo sido atribuída a medalha de bons serviços municipais prateada a Mário Jorge Costa Monteiro, pelo cumprimento de 20 anos ao serviço do Município da Horta, a medalha de bons serviços municipais dourada a António Armelim Brasil Alves, Paulo Jorge Mendonça Castelo, Sara Isabel Fernandes de Brum Vieira, Vítor Manuel da Silva Serpa pelo cumprimento de 30 anos ao serviço do Município da Horta, a medalha de mérito municipal prateada à Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF), pelo seu 25.º aniversário de fundação e mérito da sua ação na promoção de políticas inclusivas no concelho da Horta, aos Encontros Filosóficos, pela sua ação na promoção de educação para a cidadania, ao longo de 25 anos, de forma ininterrupta, ao Clube Filatelia “O Ilhéu”, na passagem do seu 25.º Aniversário de Fundação e pela sua ação na divulgação do património cultural e imaterial do concelho da Horta, à Cooperativa de Jovens Agricultores do Faial, pelo empreendedorismo da sua ação na promoção do setor primário, na ilha do Faial e nos Açores, ao longo destes 25 anos de fundação, ao Núcleo Cultural da Horta, pela organização do Colóquio “O Faial e a Periferia Açoriana nos séculos XV a XX” e pelo seu contributo para a promoção da história e da cultura do Faial e dos Açores, a medalha de mérito municipal dourada a Alfredo Tomás Matos, pela sua ação empreendedora no tecido empresarial faialense e contributo na promoção das tradições locais, a Eugénio Manuel Pereira Leal, pela sua ação na preservação e divulgação da Cultura, na ilha do Faial, e pelo dinamismo e contributo cívico demonstrado no exercício de diversas funções sociais, no concelho da Horta, a José Arlindo Armas Trigueiro (A título póstumo), como reconhecimento da sua ação na promoção e defesa da Cultura faialense e açoriana, a Manuel Eduardo Oliveira Quaresma, em reconhecimento da sua ação na promoção da Cultura faialense, em diversas instituições culturais do concelho da Horta, a Manuel Raúl da Silveira, pelo seu exemplo de participação comunitária, na paróquia de Nossa Senhora das Angústias, ao longo de 70 anos, como sacristão e a Maria de Fátima Machado Soares Porto, em reconhecimento do elevado sentido de zelo, humanidade, responsabilidade e sentido ético com que exerce as funções de médica, no concelho da Horta, e pela nobreza da sua ação no relacionamento com as entidades cívicas, culturais e desportivas da ilha do Faial. Por fim, foi atribuída a medalha de honra ao Café Sport (Peter), pelo seu contributo para a promoção do Faial e do destino Açores, através da receção sobretudo aos iatistas, na comemoração do seu centenário de fundação.
Projeto Musical “Marés em 9 cantos” estreia no Teatro Faialense
No âmbito das comemorações do 185.º aniversário da elevação da Horta de Vila a Cidade, estreou no Teatro Faialense, o projeto musical “Marés em 9 cantos”, da autoria do faialense Filipe Fonseca, com a narração e encenação de Victor Rui Dores e com a participação de inúmeros músicos e cantores da ilha do Faial.
Completamente esgotado na noite de 4 de julho, dia da cidade, este “Marés em 9 cantos” traduziu-se numa viagem musical pelas 9 ilhas dos Açores, tendo começado pela mais antiga do arquipélago, Santa Maria, passando depois pelo Vale das Furnas, pela terra que viu nascer Vitorino Nemésio, pela beleza da Furna do Enxofre.
Este percurso musical continuou depois visitando a ilha vulcânica de pedras negras, o Faial, Corvo e Flores.
Com direção musical a cargo do músico profissional Filipe Fonseca e narração e encenação do professor Victor Rui Dores, o musical Marés em 9 cantos foi uma viagem musical e poética por cada uma das nove ilhas dos Açores.
Trata-se de um projeto inovador que pretende perpetuar a nossa cultura musical e será candidato a Património Imaterial da Unesco.
Trata-se de uma revisitação, com novas sonoridades e roupagens, da melhor música tradicional dos Açores. Para o efeito, foram selecionadas, para cada uma das ilhas, alguns dos temas mais significativos e emblemáticos do cancioneiro açoriano.
Em palco, “Marés em 9 cantos” contou com a participação de 6 músicos profissionais, a que se juntaram alguns músicos e cantores do Faial.
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