Na continuação da sua luta pela contagem do tempo trabalhado, os professores voltaram a exercer o seu direto à greve a nível nacional e o Faial não foi exceção.
Os professores colocados no Faial aderiram a esta luta e manifestaram-se mais uma vez, em frente à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), desta vez para entregar uma moção feita em plenário sindical, reforçando assim a posição dos docentes açorianos.
No passado dia 4 de outubro, os professores do Faial aderiram à greve nacional e manifestaram-se junto da ALRAA para entregar uma moção feita em plenário sindical que vem reforçar, mais uma vez, a posição dos professores do Triângulo e dos professores dos Açores que se dizem “roubados”.
“Somos roubados, mas não vamos ficar calados e vamos exigir justiça pelo tempo trabalhado que efetivamente não foi contado”, declara Cristina Rosa aos órgãos de comunicação social.
A porta-voz dos docentes relembra que em 2020 “os outros funcionários públicos vão ver a sua situação reposta”, sendo os professores os “únicos” a não ter essa garantia e a serem “injustiçados”.
“O Governo Regional está a ser intransigente e nós vamos continuar até a nossa situação estar resolvida, até ser feita justiça e até o nosso tempo ser efetivamente contado na totalidade”, diz a professora, salientando que “já foi dito pelo senhor secretário que não era um problema de dinheiro”, pelo que “só pode ser um problema ou de má vontade ou de má gestão”, salientou.
Para os docentes, esta situação “não é um favor, não é um bónus como dizem alguns, é tempo trabalhado que não foi contado”, esclarece.
Por sua vez, o docente Hildeberto Peixoto que esteve reunido em vídeo conferência com a Comissão dos Assuntos Sociais avançou aos jornalistas que a sensação com que ficou da mesma foi de que “o Partido Socialista (PS) não tem interesse em resolver o problema dos professores dos Açores num curto espaço de tempo”.
“Nota-se que o PS não está em sintonia com os professores, nem com os restantes grupos parlamentares”, salientou, acrescentando que “dá a ideia de que estão a tentar empurrar este assunto para 2019, o que da nossa parte é absolutamente inaceitável”, sustentou.
Os professores esperam que “o PS e o Governo dos Açores, rapidamente, tomem uma decisão relativamente a esta matéria que é transversal aos professores, mas também a todo o sistema educativo regional”, disse ainda.
“Se o PS vê que as propostas da oposição não são as ideais então que apresente uma rapidamente”, conclui Hildeberto Peixoto.
Não será aberto um processo negocial “autónomo” com os professores açorianos, afirma Avelino Menezes
No final de uma audição parlamentar realizada na passada segunda-feira, o Secretário Regional da Educação e Cultura reafirmou que será aplicada nos Açores a solução que venha “a ser encontrada” a nível nacional relativamente à recuperação do tempo de serviço dos docentes e que a mesma “significa vantagem” para os docentes que trabalham na Região.
“Nos Açores, já recuperamos dois anos de serviço e a carreira docente é completamente livre, destituída do regime de quotas”, lembrou Avelino Menezes.
Para o titular da pasta da Educação, se a solução nacional vier a ser os anunciados 2 anos, 9 meses e 18 dias “isto equivale à recuperação no continente de cerca de 30% do tempo congelado e, nos Açores, à recuperação de mais de 40%”.
Deste modo, a aplicação da solução nacional nos Açores significa “sempre um acréscimo em relação àquilo que se passa no continente”, explicou o governante.
A concluir Avelino Meneses salientou que, não se tendo alterado “nem os factos, nem as conjunturas”, nos Açores não será aberto um processo negocial “autónomo” sobre a recuperação do tempo de serviço dos docentes.