O Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, levado a cabo este ano pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mas referente aos rendimentos do ano de 2017, coloca os Açores como a primeira zona do país onde o risco de pobreza é mais elevado, logo seguido pela Madeira.
De acordo com esses números, 31,5% da população açoriana corre risco de pobreza, na Madeira 27,4% da população corre esse risco, enquanto a média nacional é de 17,3%, sendo que apenas Lisboa e Alentejo são as únicas regiões que ficam abaixo da média nacional em relação ao risco de pobreza.
Recorde-se que para o Instituto Nacional de Estatística (INE) está em risco de pobreza quem vive com menos de 468 euros mensais.
O Governo Regional justifica os números do INE com “questões estruturais e inerentes à própria condição arquipelágica” que passam também pela componente geracional. Para Andreia Cardoso, Secretária Regional da Solidarie-dade Social, existe uma preponderância de famílias numerosas.
“As famílias com cinco ou mais elementos representavam 6% das famílias a nível nacional, quando nos Açores tinham um peso de 14%, chegando, em alguns concelhos da ilha de São Miguel, a valores acima dos 20%”, argumentando que a opção por uma família numerosa tem um “impacto significativo” nos números do risco de pobreza. Os baixos salários também. A economia açoriana assenta muito na agricultura, nas pescas e na construção civil. “Os níveis salariais praticados, associados a uma maior dimensão das famílias, colocam, proporcionalmente, mais pessoas abaixo do limiar da pobreza do que no resto do país.”
Perante este facto, o Governo Regional lançou a Estratégia Regional de Combate à Pobreza e Exclusão Social, pois “é um caminho longo, geracional, mas que nos permitirá romper com estes ciclos de reprodução da pobreza.”
Refere ainda a Secretária Regio-nal que os Açores dispõem de um conjunto de apoios não monetários que “não têm tradução” nas contas da taxa de risco de pobreza, como o acesso gratuito à saúde ou a comparticipação nas creches.
Oito ilhas estão a perder habitantes
De acordo com os dados do SREA divulgados no passado dia 30 de novembro (Demografia 2017), os Açores estão a perder população de ano para ano, com oito ilhas a registarem em 2017 a perda de muitos habitantes.
Na verdade, estima-se que em 31 de dezembro de 2017 residiam na Região Autónoma dos Açores 243.862 indivíduos, sendo 118.810 homens e 125.052 mulheres, o que representa uma diminuição de 1.421 indivíduos em relação ao valor estimado para 2016, ou seja, uma taxa de crescimento efetivo de -5,8‰, menos 3,8% que no ano anterior.
Por ilhas verifica-se que o crescimento efetivo apresenta variações diferenciadas.
Assim, e para 2017, quase todas as ilhas apresentam um valor negativo - as ilhas de São Jorge (-9,9‰) e das Flores (-8,2‰) - com a exceção do Corvo onde este indicador foi 4,3‰.
O Índice de Envelhecimento demográfico (relação entre a população idosa e o número de pessoas com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos), fixou-se em 89,3 pessoas idosas por cada 100 pessoas jovens, contra os 85,6 em 2016.
Por ilhas, este índice atingiu os valores mais elevados na ilha das Flores (159,6), em São Jorge (156,1) e no Pico (152,5). Os valores mais baixos verificam-se em São Miguel (69,4), Santa Maria (98,5) e Terceira (108,2).
Nasceram menos crianças nos Açores em 2017
Em 2017 nasceram 2.219 crianças nos Açores, menos 1,4% do que em 2016, situando-se a taxa de natalidade em 9,1‰, valor inferior em 0,1 p.p. do em 2016. Essa taxa de natalidade foi maior nas ilhas de Santa Maria (10,8‰), São Miguel e Pico (9,8‰) e menor no Corvo (2,2‰).
Outro indicador de natalidade é a taxa de fecundidade (número de nascimentos por mulheres com idades entre 15 e 49 anos). Esta taxa tem vindo a decrescer desde 2001 (50,7‰), para atingir os 42,6‰ em 2010. Aumentou para 43,3‰ em 2011, decrescendo logo em 2012, para 39,0‰, em 2013 e 2014, para 36,8‰, em 2015 para 36,0‰.
Em 2016 situou-se em 36,2‰ e em 2017 registou mais uma descida para 35,7‰.