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07
janeiro

2011 com o cinto (ainda) mais apertado

Escrito por  Marla Pinheiro/fotos: Susana Garcia
Publicado em Reportagem
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Com a entrada de um novo ano, entre o rebuliço das passas, do estalar das rolhas das garrafas de champanhe e da ânsia de cumprimentar amigos e familiares, surgem os tradicionais desejos para os 365 dias que se seguem. Em suma, pede-se mais das coisas boas, e menos, muito menos, das más. Mais saúde, mais amor… E mais dinheiro. No entanto, neste último tópico, as perspectivas não são muito animadoras. Se 2010 não deixa saudades essencialmente devido à crise económica, a verdade é que esta se instalou confortavelmente, e 2011 começa com o aumento dos impostos, que promete deixar as carteiras dos portugueses mais leves. Fala-se em apertar o cinto, mas a verdade é que os furos começam a faltar. Tribuna das Ilhas esteve à conversa com alguns faialenses sobre a actual situação económica do país, e foi saber o que algumas pessoas pensam fazer para enfrentar os tempos difíceis que se avizinham.

 Mais impostos, menos salários e preços mais altos. É com esta equação em mente que as famílias portuguesas vão ter de gerir o seu orçamento ao longo do recém-chegado 2011. Dos vários aumentos com que os portugueses terão de se ver a braços neste novo ano, destaca-se o do IVA, cuja taxa máxima a nível nacional passa de 21 para 23%. Nos Açores, a inclinação da rampa de lançamento do imposto é menor: se até agora os açorianos pagavam 15% de IVA na taxa máxima, passarão a pagar 16%, mantendo-se as restantes taxas nos mesmos valores percentuais (4 e 9%).

As empresas de telecomunicações já anunciaram que a subida do IVA se irá reflectir nos seus preços. No entanto, os reflexos do aumento do Imposto de Valor Acrescentado não se ficarão por aqui: irão certamente reflectir-se na subida generalizada de preços. As associações representantes do sector do vestuário e do calçado prevêem uma subida de preços na ordem dos 10%, em virtude não apenas do aumento do IVA mas também do encarecimento das matérias-primas.

O pão também irá ficar mais caro, principalmente devido à grande subida verificada no custo da farinha. Marco Goulart, da Padaria Bico Doce, adiantou ao Tribuna das Ilhas que, embora não esteja ainda definida a percentagem do aumento do preço do pão, este será muito provavelmente inevitável, tendo em conta o aumento dos custos de produção.

A factura da electricidade também passará a ser maior, com a EDA a apresentar tarifas ligeiramente mais elevadas em relação a ano transacto.

Nos Açores, com o primeiro dia do ano chegou também um aumento médio de 2% nos bilhetes dos transportes colectivos. As viagens marítimas entre as ilhas do Grupo Central também ficaram mais caras, com a Transmaçor a praticar novos preços, que representam um aumento entre cinco e dez cêntimos nas ligações entre Faial, Pico, S. Jorge, Terceira e Graciosa. Nesta área, a boa notícia é que a tarifa correspondente à ligação entre o Faial e o Pico não foi alterada.

Boa notícia é também a redução das mensalidades das creches e jardins-de-infância nos Açores, que se confirma ser aplicada já em Janeiro. No entanto, situações como esta, de alívio nos orçamentos familiares, são bem raras, sobretudo em comparação com o número de anúncios de subidas de preços e impostos que proliferaram no início deste novo ano.

Em suma, com um aumento dos preços dos bens de consumo diário das famílias que não se reflectirá num aumento de salários, o poder de compra irá diminuir, o que também não contribui para a almejada galvanização da economia nacional.

A redução das deduções fiscais imposta pelo Governo de Lisboa também trará algumas dores de cabeça aos portugueses. A partir de agora, essa dedução será feita não a partir do salário mínimo nacional como até agora, mas do indexante de apoios sociais, de valor inferior ao salário mínimo. Além disso, passarão a haver limites às deduções na área da habitação, da saúde e da educação para os dois últimos escalões do IRS.

Carla Pereira, 38 anos, ainda não sentiu grandes diferenças nos seus gastos do quotidiano. No entanto, e como mulher prevenida vale por duas, tem-se esforçado por alterar hábitos de vida, no sentido de gastar menos: “antes de ir às compras faço uma lista, e cinjo-me ao que lá está”, revela. Na altura de comprar, salvo raras excepções, Carla confessa que o factor preço é o que mais pesa na sua decisão. No entanto, em alguns produtos, como é o caso da fruta e dos vegetais, admite que o factor qualidade fala mais alto. Nessa altura, elege a produção local, biológica, mais confiável, mas no entanto mais cara, como reconhece.

“A palavra de ordem é poupar”, revela, e nesse sentido as suas resoluções de ano novo passam por aumentar ainda mais esse esforço, apesar de ser cada vez mais difícil. “Vou diminuir a frequência com que faço determinadas coisas, pequenas extravagâncias, como tomar o pequeno-almoço fora, sair para jantar, entre outras coisas. Teremos de encontrar alternativas, como planear jantaradas em casa, onde cada um contribui com algo”, sugere.

Também Rosa Goulart, 40 anos, é peremptória ao afirmar que há que apertar ainda mais o cinto, apesar de começarem a faltar os furos. “Já se sente que as coisas estão mais caras desde o ano passado”, entende, reconhecendo que o aumento dos impostos irá agravar a situação. Funcionária pública, reconhece que a segurança associada ao seu emprego é um alívio no fardo das preocupações. No entanto, não se sente privilegiada por isso, já que entende que aos funcionários públicos caberá uma parte severa da factura da crise.

“Deixem as pessoas produzir e fazer aquilo que sempre fizeram bem”

Eugénio Leal não duvida de que vêm aí tempos difíceis, mais difíceis do que o ano que recentemente terminou. Todavia, com algum optimismo, acredita que o quadro não será tão dramático como alguns anunciam. Em conversa com o Tribuna das Ilhas, o economista alertou para as consequências da diminuição do rendimento das famílias, em virtude do aumento dos impostos. “A parte dos rendimentos destinada ao consumo e à poupança será menor, sobretudo devido ao aumento dos impostos, desde logo o IVA, e também o IRS, por alteração nas deduções que eram feitas aos rendimentos. As famílias vão sentir, sobretudo a partir de meados do mês de Fevereiro, que o dinheiro disponível vai ser menos”, entende. 

No entanto, para Eugénio Leal, nem só de dificuldades vive a crise. Para o economista, a ideia de que as dificuldades se podem traduzir em oportunidades tem fundamento no actual cenário, apesar da sua frequente utilização por parte dos decisores políticos faça com que seja entendida muitas vezes como mais um chavão político. “Esta ideia deve fazer reflectir, quer as famílias, quer as empresas, quer o próprio Estado”, entende.

Relativamente aos Açores, e ao Faial em particular, Eugénio Leal entende que há ainda muito proveito a tirar das potencialidades naturais: “temos ainda muita terra e muito espaço subexplorado; há meios e recursos naturais para as pessoas que quiserem e dispuserem desses meios minimizarem os efeitos da crise, pela via do aumento de rendimentos complementares”, entende. Para o economista, os faialenses devem voltar-se para a produção local, e devem ser apoiados nessa decisão: “deixem as pessoas produzir e fazer aquilo que sempre fizeram bem”, alerta.

Tendo isso em conta, Eugénio Leal lamenta que durante algum tempo se tenha “desincentivado” as pequenas actividades de produção doméstica locais, em nome de uma interpretação algo exagerada das regras higiénico-sanitárias impostas por Bruxelas.

 

No momento de reduzir despesas, as famílias começam, regra geral, por cortar no mais acessório. À cabeça da lista, as férias fora são o primeiro alvo a abater. Tendo isto em conta, Eugénio Leal entende que o turismo poderá ser algo sacrificado. No entanto, considera que o Faial deve continuar a apostar na diversificação e na qualidade da sua oferta turística, de olhos voltados para o mar, para fazer face a este cenário adverso. Neste tópico, reforça a importância da produção local, lembrando que, se os turistas consumirem na ilha os produtos que vêm da agro-pecuária local, então o retorno económico que o Faial recebe da sua passagem por cá será maior.

“Temos muitas pessoas a legislar e a fiscalizar, e poucas a trabalhar”

Também António Ávila, presidente da Associação de Agricultores da Ilha do Faial, responsável pela Loja do Triângulo, entende esta é a oportunidade que a produção local precisa de aproveitar para se dinamizar ainda mais.

 

Um sinal de que este é um dos caminhos que a economia faialense deve trilhar é o facto de, apesar da crise, 2010 ter sido “um ano excepcional” para a Loja do Triângulo, como confirma Ávila, que espera mais do mesmo para 2011.

Instado a pronunciar-se sobre as dificuldades que se põem aos produtores locais na hora do comercializar o seu produto, Ávila vai ao encontro daquilo que Eugénio Leal também frisou: no que diz respeito à produção caseira, quando se trata de produtos transformados tanto os produtores como a Loja do Triângulo se deparam com uma barreira burocrática bastante desmotivante. De acordo com o líder dos agricultores, a legislação em vigor multiplica-se em exigências, muitas vezes irrealistas, o que, na sua óptica, revela que os legisladores não têm o devido conhecimento sobre aquilo que legislam. “Há muitas pessoas a legislar e a fiscalizar e poucas a trabalhar”, entende.

Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 07.01.2011, ou subscreva a nossa assinatura digital

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