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09
junho

África chama… E eles vão

Escrito por  Marla Pinheiro/foto:DR
Publicado em Reportagem
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África tem uma magia própria, especial. A ela se associam conceitos como exotismo ou aventura. As areias do Sahara, o maior deserto quente do mundo (suplantado apenas pela Antártida), atraem aventureiros de todo o mundo, à procura de novas culturas, de emoções e de adrenalina. Atraídos por todos estes factores, alguns faialenses decidiram lançar-se à aventura e percorrer o Sahara Ocidental de mota, ao longo de quase 5 mil quilómetros. Tribuna das Ilhas falou com Paul Luna e Roberto Ponte, dois dos faialenses que amanhã partem de Lisboa rumo ao deserto.

A aventura começa em Lisboa. As motas, previamente enviadas para a capital portuguesa, estarão a postos para receber os 10 aventureiros, a maioria dos quais oriundos do Faial. Depois, é seguir para sul. Sevilha, Tarifa, a travessia do Estreito de Gibraltar e, finalmente, Tânger. A cidade marroquina é o ponto de partida e de chegada nesta aventura por terras africanas. Entre a partida e o regresso de Lisboa, 12 dias que se querem recheados de aventura, com passagem pelas principais cidades de Marrocos, pela Cordilheira do Atlas, pelas Gargantas do Todra e pelo maior palmeiral do mundo.

Ao Tribuna, Paul Luna explicou que a ideia para surgiu após alguns elementos do grupo, composto por cinco casais, terem comprado motas, e andarem à procura da aventura ideal para as testar. “Através da Internet encontrámos um grupo do Porto que nos aconselhou esta viagem”, conta.

Dos participantes, Roberto Ponte será porventura aquele que melhor conhece o destino, já que em 2008 fez parte do percurso, mas de bicicleta. Por isso, está ciente de que os esperam algumas dificuldades, e também algum perigo: “é sempre um perigo controlado. As especificidades do deserto não podem ser ignoradas, e nós temos consciência plena de que vamos atravessar o Sahara Ocidental numa altura em que podemos apanhar 50 graus de temperatura”, explica. Por isso, o grupo procurou preparar-se o melhor possível para esta jornada. Os preparativos começaram há seis meses, e passaram por uma pesquisa detalhada sobre os locais por onde vão passar, bem como pela construção de uma boa relação entre todos, graças a muitos passeios pelo Faial durante os fins-de-semana. Outra parte fundamental da antecipação da viagem foi a preparação das motas: “desmontámos todas as motas e voltámos a montar, tudo feito em conjunto, para que possamos tirar o maior partido dos conhecimentos de cada um”, explica Roberto Ponte. É que uma avaria é sempre uma chatice, mas no deserto pode representar um perigo enorme. Felizmente, o grupo conta com especialistas em electrónica e mecânica.

No deserto não há estradas nem tabuletas, daí que os aventureiros corram o risco de se perderem. Roberto Ponte explica que, para evitar essa situação, levam equipamento próprio para navegação. Se o equipamento falhar (porque a tecnologia também prega partidas), há sempre o plano B: “no grupo temos pessoas com conhecimentos suficientes para traçar rumos em mapas próprios do local, para cheguemos em segurança ao nosso destino”, diz. “Naquele país não há nada deserto, apesar de ser, efectivamente, um deserto. Mesmo em locais onde não existem povoações é sempre provável que apareça alguém, que nos poderá ajudar”, acrescenta Paul Luna.

Paul Luna explica que o grupo procurou também conhecer a cultura e os costumes daquela zona de África: “procurámos ficar muito bem informados sobre o país e sobre os seus costumes. Isso é muito importante porque nós é que somos visitantes e temos de nos adaptar aos locais”, referiu. Cidades a evitar e cuidados especiais a ter também foram tópicos a ter em conta. A visita à Mauritânia, por exemplo, teve de cair da lista, uma vez que a embaixada portuguesa desaconselhou o grupo a entrar no país.

Viajar de mota, fazendo 400 km por dia, por percursos diferentes dos que os turistas convencionais utilizam faz com que estas não sejam umas férias normais. “São férias selvagens. O nosso objectivo é testar os nossos limites, e satisfazer o gosto pela aventura que todos partilhamos”, explica Roberto.

Assim sendo, “as malas fazem-se com o mínimo, apenas o essencial. Não há direito a excessos”, afirma Paul Luna. Nesta parte da conversa, a imparcialidade jornalista é forçada a dar lugar à solidariedade feminina, já que é certo e sabido que as mulheres, mais prevenidas, costumam tender para o excesso no que diz respeito à bagagem: “e as vossas mulheres, o que acham disso?”, perguntámos: “a mulheres são as grandes impulsionadoras, e contam os segundos para a viagem” contam.

O grupo volta aos Açores no dia 26, depois de descansar alguns dias em Lisboa após a viagem.

Para esta aventura, contaram com o apoio da Renault, que custeou o transporte das motas para Lisboa, e ainda com patrocínios da 292, do Espaço X, que se encarregou da imagem, e da MotoHorta que cedeu as suas instalações para a preparação das motas.

Esta viagem exige gosto pela aventura, vontade de experimentar coisas novas e coragem mas, segundo os participantes, não exige muito dinheiro: “as estadias, os gastos com combustíveis e alimentação, e todas as despesas, excepto a passagem para Lisboa e o transporte das motas, não deverá ultrapassar os 600 euros por pessoa”, explica Paul Luna.

As aventuras do grupo podem ser seguidas no blogue http://www.africa-calls-us.blogspot.com/.

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