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22
julho

Faial prepara-se para reforçar a aposta na agricultura biológica

Escrito por  Marla Pinheiro/foto: Susana Garcia
Publicado em Reportagem
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Quando se fala em práticas agrícolas que respeitam os ciclos de vida natural e não recorrem a elementos químicos, evitando ao máximo a utilização de produtos externos à própria exploração agrícola, é fácil pensar imediatamente nas técnicas da agricultura de subsistência do passado. No entanto, nos últimos tempos a agricultura biológica tem ganho um novo fôlego, muito por força do aumento das preocupações ambientais e dos cuidados no âmbito da saúde. Assim, são recuperadas as técnicas do passado, desta feita complementadas por um maior conhecimento técnico e científico, e surgem novas técnicas e novos produtos para tornar as explorações agrícolas biológicas mas, ao mesmo tempo, rentáveis para os agricultores que, através delas, procuram não só subsistir mas, acima de tudo, obter rentabilidade.

Actualmente, o Faial conta já com um Núcleo de Agricultores Biológicos, associado à Associação de Agricultores da Ilha do Faial (AAIF), que dá os primeiros passos na área. Tribuna das Ilhas conversou com Ana Branco, responsável pelo Núcleo, e também com Lázaro Simbine, técnico de agricultura biológica que esteve no Faial a analisar as potencialidades da ilha para a introdução de práticas de produção pecuária biológicas. Ambos se mostraram bastante entusiasmados com as potencialidades aqui encontradas, sentimento do qual partilha o Governo Regional, conforme adiantou a esta reportagem o director regional do Desenvolvimento Agrário.

Ana Branco é uma das grandes entusiastas desta prática agrícola na ilha e, em conjunto com outros cinco produtores locais, constitui o Núcleo de Produtores Biológicos, associado à AAIF. Como explica, este surgiu naturalmente: “o grupo de produtores juntou-se com a mesma motivação, e, como queríamos organizar algumas actividades, e grande parte dos produtores já era sócia da AAIF, achámos que a integração na associação era o ideal e esta abraçou a causa”. 

Neste momento, estes produtores avançaram já para um processo de certificação. A entidade certificadora já foi contratada, e a primeira vistoria às explorações decorre na próxima semana. De acordo com Ana, esta primeira visita vai permitir aos produtores saber “em que ponto do processo de conversão se encontra a sua exploração”. 

Ana Branco não esconde o seu entusiasmo em relação a esta prática agrícola que está a ganhar fôlego em todo o mundo, e explica porquê: “a agricultura biológica caracteriza-se pelos pilares da sustentabilidade económica, social e ambiental. A mim interessa-me principalmente a questão ambiental, mas também temos de ter em conta o factor económico. Sem dúvida que as maiores vantagens da agricultura biológica passam pelas questões ambientais e de saúde”. Para Ana, os produtores biológicos açorianos contam com uma espécie de “empurrãozinho” da própria Região, pela ligação instantânea que se faz entre a palavra “Açores” e conceitos como “natureza” e “bem-estar”. “Trata-se de publicidade gratuita à produção biológica”, entende, destacando que, além disso, “nos nossos tempos, as preocupações com a saúde e com o ambiente estão muito mais presentes na consciência das pessoas”.

Ana explica que “o objectivo da produção biológica é utilizar práticas amigas do ambiente e recorrer o menos possível a factores externos à exploração. Recorrem-se a práticas como a compostagem, fazendo valorização dos resíduos para adubar a terra, fazem-se rotação de culturas, porque está provado que isso previne as pragas e doenças e melhora a utilização do solo…”. Para Ana, trata-se de associar os bons métodos tradicionais a novos conhecimentos, cientificamente fundamentados, que permitem retirar rentabilidade de um processo de produção biológico, que há algumas décadas não permitia ir além da agricultura de subsistência.

O maior sucesso da AAIF, onde se insere este Núcleo de Agricultura Biológica, é a Loja do Triângulo. Em tempos de crise, este espaço veio mostrar que, para o consumidor comum, se o que é nacional é bom o que é local é ainda melhor, e os produtos produzidos nas ilhas do Faial, Pico e São Jorge são bastante cobiçados. Para Ana, esta é uma das provas de que o mercado não se destina apenas a quem tem como trunfo o factor quantidade: “ as pessoas já perceberam que temos de apostar na qualidade dos nossos produtos, já que não temos capacidade de resposta em termos quantitativos para fazer face aos produtos concorrentes". 

O apoio técnico é extremamente importante, tanto na agricultura biológica como na convencional. Ana reconhece que essa parte do processo é aquela em que os agricultores sentem mais dificuldades. No entanto, no que à agricultura biológica diz respeito, os faialenses têm procurado ir atrás do conhecimento, e tornaram-se verdadeiros autodidactas. Procuram formações, aprendem por iniciativa própria e com as suas experiências, e depois partilham os conhecimentos, o que constitui uma das grandes vantagens da existência de um núcleo de produtores.

O Faial está “num excelente caminho” no que à agricultura biológica diz respeito

Quem o diz é Lázaro Simbine, técnico de agricultura biológica que esteve esta semana na ilha para aferir das potencialidades locais para a bio-produção pecuária.

Em Janeiro passado, este técnico esteve no Faial a fazer a “identificação global das explorações e perceber se haveria condições na ilha, em termos de sustentabilidade, para a prática da produção biológica”. Na altura, Lázaro concluiu “que havia muito potencial, para além das potencialidades reais do solo e do clima”. “A receptividade por parte dos agricultores, e dos técnicos que eventualmente poderão prestar apoio no futuro, também é importante”, nota. A receptividade do grupo de jovens agricultores em relação à agricultura biológica foi uma das razões que levou à segunda visita do técnico ao Faial. Agora, Lázaro esteve a fazer um levantamento da situação de cada uma das explorações: “estamos a fazer a identificação da situação produtiva de cada exploração, o levantamento da realidade actual, e do que deve ser mudado no âmbito de uma conversão para a agricultura biológica”, explica.

A necessidade de conhecer as técnicas e produtos específicos para o modo de produção biológico é uma das razões que torna imperativa a formação dos agricultores que queiram converter as suas explorações. “Há um curso que é dado a todos os produtores que aderem a este modo de produção. Além disso, qualquer exploração biológica deve ter um acompanhamento feito por técnicos específicos, que estão na retaguarda, e constituem uma estrutura de suporte”, refere Lázaro, que entende que existem condições e recursos humanos para criar esse suporte na ilha.

“Está tudo lançado para que o Faial possa ter um bom Núcleo de Produtores Biológicos, com a vantagem de existir uma convergência de interesses entre produtores, associações e Governo”, explica.

Lázaro vê com bons olhos o entusiasmo à volta da agricultura biológica no Faial. No entanto, alerta: “é preciso suar a camisola”. Os produtores devem estar preparados para muito trabalho e, principalmente, para algumas desilusões iniciais, normais no processo de conversão: “a conversão do modo de produção convencional para o biológico muitas vezes tem quebras de produção, que são desanimadores para alguns produtores. Há uma fase complicada, e eu conheço alguns produtores que desistiram devido a essa quebra de produção. Por isso são muito úteis as estruturas de apoio”.

Entusiasmo dos jovens em relação à agricultura biológica é factor de sustentabilidade

A presença de Lázaro Simbine no Faial para analisar o potencial das explorações é apoiada pelo Governo Regional. De acordo com o director regional do Desenvolvimento Agrário, a secretaria regional da tutela e a AAIF trabalham em conjunto para dinamizar a agricultura biológica, aproveitando o entusiasmo do núcleo recém-criado, agregado à associação faialense.

Segundo Joaquim Pires, o trabalho deste técnico, em conjunto com os técnicos da Direcção Regional do Desenvolvimento Agrário, servirá para “se traçarem directrizes, e ver se daqui a algum tempo já temos outro trabalho no terreno”. 

O director regional salienta a juventude dos produtores associados a este projecto como factor de sustentabilidade. Para Joaquim Pires, trata-se de uma mais-valia, a juntar a outras, como o facto da agricultura biológica ir ao encontro da aposta na diversificação agrícola preconizada pelo Governo Regional. No entanto, há que dar passos seguros, até porque, como salienta, a sustentabilidade económica do projecto é um factor muito importante a ter em conta.

Segundo Joaquim Pires, o mercado para os produtos biológicos existe, e isso é um sinal positivo para os produtores que querem avançar para a conversão das suas explorações. Além disso, “o produto biológico tem de ser distinguido pelo preço, porque tem qualidades funcionais que estimulam a que esse preço seja superior”. Numa fase posterior, haverá que juntar à qualidade do produto uma imagem de marca e uma promoção adequada, para melhor fazer o seu escoamento.

Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 22.07.2011, ou subscreva a assinatura digital do seu semanário

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