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Numa organização do Núcleo SOS Amamentação do Faial em parceria com o Hospital da Horta e com a Associação Raízes na Terra, está a decorrer durante a manhã de hoje, quinta-feira, o Seminário "Parto e Nascimento: Estamos no fundo do poço?".
Com a presença de cerca de 4 dezenas de participantes, este seminário é presidido por Michel Odent, um dos obstetras mais respeitados no mundo.
É reconhecido internacionalmente como o fundador do Primal Health Research Centre de Londres e o precursor do home-birth (parto em casa), das salas de parto à semelhança dos lares e da introdução das piscinas aquecidas nas maternidades.
Autor de 12 livros publicados em mais de 20 idiomas e de mais de 50 artigos científicos na área. Autor do primeiro artigo científico sobre o uso das piscinas de parto, em 1993, e do primeiro texto recomendando a lactação na primeira hora do nascimento.
Michel Odent, obstetra e pesquisador francês, em declarações ao Tribuna das Ilhas, disse que a sua vinda à Horta e o facto de abordar “o fundo do poço” tem como objectivo, dar um novo alento ao parto natural.
Para Michel Oden “chegamos ao fundo do abismo ao constatar que o número de mulheres que dão à luz por si e per si, com as chamadas “hormonas do amor” sem recurso a medicação, é perto de zero. “As hormonas do amor estão se tornando inúteis”, lamentou.
Odent alertou ainda para a gravidade que é intervir na rotina no parto normal sem que se procure perceber qual a fisiologia do parto, nomeadamente com a administração excessiva de ocitocina durante o trabalho de parto (substância que tem como função acelerar artificialmente o parto).
O especialista considera que dar à luz com a ajuda de hormonas artificiais não é uma escolha, mas sim algo que acontece porque as mulheres têm dificuldade em dar à luz hoje em dia.
“Se no século 20 redescobrimos as necessidades básicas dos bebés, porque não podemos redescobrir as necessidades básicas da mulher em trabalho de parto no século 21?”, questiona o especialista que acrescentou ainda que “a grande questão é a falta de conhecimento sobre a fisiologia do parto e as necessidades básicas da mulher. Mas mais do que uma dificuldade em adquirir conhecimento, enfrentamos uma dificuldade em digerir conhecimentos já adquiridos”, afirmou.
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