Do Amor, Luís de Camões, um dos mais excelsos utilizadores da língua portuguesa, disse ser “fogo que arde sem se ver”, “ferida que dói e não se sente”, um “contentamento descontente” ou “uma dor que desatina sem doer”. O facto daquele que é considerado por muitos o maior poeta português de sempre não ter conseguido definir o Amor sem entrar em contradições demonstra que essa é uma tarefa muito difícil, se não mesmo impossível.
A verdade é que não pode existir uma definição universal do Amor, precisamente porque ele é um milhão de coisas diferentes, para um milhão de diferentes pessoas. Para uns, amor é um beijo arrebatado, ao estilo do Clark Gable e da Vivien Leigh em E Tudo o Vento Levou. Para outros, é um beijo na testa, que vem do nada, quando estamos no nosso pijama favorito e já gasto, com o cabelo desgrenhado e uma aparência que nos faria evitar sair de casa mesmo que houvesse um acidente nuclear no meio da nossa sala de estar. Para uns, amor é um ramo de rosas vermelhas num dia especial. Para outros, uma barra do nosso chocolate preferido que recebemos num dia normal, só porque sim… Para uns o Amor é feito de provas de fogo, cenas de ciúmes, tempestades acaloradas seguidas de bonanças paradisíacas. Para outros é uma jornada, que se faz com um ou outro percalço, gargalhadas ou soluços, mas sempre lado a lado com aquela pessoa que, a meio do caminho, se mistura com aquilo que nós somos, de tal modo que, a dada altura, as sombras dos dois se fundem na estrada para formar um só. Para uns o Amor é uma música, para outros um poema, para outros ainda uma fotografia gasta que se guarda na carteira.
O Amor é irracional, volátil, matreiro e traiçoeiro. Como defini-lo se, na maior parte das vezes, nem sabemos por que razão o sentimos?
Construir uma definição do Amor que sirva a toda a gente é impossível. Resta-nos construir a nossa muito própria definição de amor, ou identificarmo-nos nas palavras de alguém que soube fazê-lo melhor que nós. Como Pablo Neruda: “Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se”.
Definir o amor é impossível. Mas celebrá-lo é inevitável. O Dia dos Namorados surge, por isso, como a altura do ano ideal para lembrar que não vivemos sem ele e que, afinal de contas, como diziam os Beatles, só precisamos é de Amor.
