
Um ano depois do Tribuna das Ilhas ter noticiado que um grupo de faialenses, antigos funcionários das companhias cabo-telegráficas havia começado um trabalho de identificação do espólio da época dos cabos submarinos, realiza-se a 30 de Julho, no auditório da Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, um colóquio denominado “O Porto da Horta na História do Atlântico – o tempo dos Cabos Submarinos”.
Durante um ano, Antigos Alunos, antigos funcionários e o Museu da Horta desenvolveram um trabalho de investigação, estudos, captação de espólios, bem como trabalho museológico de recuperação de diferentes acertos que serão apresentados nesta conferência que junta nomes internacionais e que tem três momentos distintos: conferência, exposição e diligências junto das entidades oficiais, no sentido de se tentar, então, montar um Museu dos Cabos Submarinos do Faial, que assegure para a posteridade a memória deste período de referência da história da ilha e da Região, numa “lufada de ar fresco” na preservação do património do Faial.
Importa salientar que após o encerramento das companhias no Faial, em 1969, o Museu da Horta adquiriu algum do seu espólio, que se encontra actualmente guardado.
O colóquio integra o tempo dos cabos submarinos no Porto da Horta projectado na história do atlântico e conta com os patrocínios da APTO e da ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações.
A Horta dos Cabos Submarinos na grande história do porto da Horta é uma das abordagens originais do colóquio, que, de acordo com o programa tem três abordagens fundamentais: Linhas de Investigação, com a geoestratégia das grandes potências; a regulação das concessões do cabo submarino e a Horta na história das telecomunicações. Em segundo lugar as Perspectivas Memorialísticas e em terceiro plano, o Faial na civilização atlântica.
A exposição “A Horta dos Cabos Submarinos” poderá ser um passo decisivo, conforme já referimos, para um futuro museu que venha a acompanhar Museus de outros países sobre a história mundial dos cabos submarinos. Muitas pessoas do Faial, Continente e na diáspora colaboraram com a doação de espólios particulares.
Quanto à eventual casa deste Museu, estudos já efectuados indicam o espaço no edifício da antiga Escola Básica Integrada, onde actualmente se encontra o Conservatório da Horta, como o melhor local.
No próximo dia 30 de Julho vão ainda reunir-se antigos cabotelegrafistas do Faial e da diáspora, em convívio de saudade no Hotel Fayal, local simbólico do imaginário do tempo dos cabos submarinos.
Entre nós estará José Duarte da Silveira, actualmente cônsul português
Palestras:
O enquadramento estratégico do Porto da Horta – Passado e Futuro – António José Telo
As concessões de cabos submarinos na Horta – João Confraria e Luís Oliveira
O tempo dos cabos submarinos no Faial – Francisco Silva
A relevância do Faial na construção da civilização atlântica – Ricardo Madruga da Costa
Os cabos submarinos e a sociedade global; Raízes do Cosmopolitismo do Faial – Katja Grotzner Neves
Tempos e memórias do cabo submarino – Carlos Silveira
As colónias estrangeiras dos cabos submarinos na projecção do Faial – Yolanda Corsépius
Os cabografistas faialenses no mundo; O Museu dos cabos submarinos nas memórias da diáspora – José Duarte da Silveira
Recordemos…
Corria o ano de 1893, quando em Agosto era instalado na baía da Horta o primeiro cabo telegráfico submarino, da inglesa Telegraph Construction and Maintenance Company.
Esta era a forma mais moderna de comunicar com o mundo e o ponto de partida para uma época de ouro que durou quase 70 anos em que a Horta foi o maior centro de comunicações de cabos submarinos do mundo.
Por cá instalaram-se companhias inglesas, americanas e alemãs, que impulsionaram a economia da ilha, ao mesmo tempo que influenciavam a sua sociedade, aliás, facto ainda visível nos dias de hoje.