A reunião da Assembleia Municipal da passada sexta-feira ficou marcada, com já vem sendo habitual, pela sucessão de votos e intervenções políticas, que acabaram por sobrepor-se ao período da ordem do dia. Dos temas trazidos a debate, destaque para a questão da distribuição geográfica dos novos pisos sintéticos a construir no Faial, com o PSD a reivindicar a dotação do lado Norte da ilha com uma dessas infra-estruturas, e também para os cancelamentos e adiamentos de investimentos públicos no Faial, que despoletou interpretações díspares das diferentes bancadas municipais.
Da ordem do dia da última reunião da Assembleia Municipal constava a informação de actividades do Município, que foi feita pela vereadora Alzira Silva, e a eleição do representante faialense no Congresso da Associação de Municípios Portugueses, cuja escolha recaiu sobre o socialista Luís Botelho, presidente da Junta de Freguesia de Castelo Branco. No entanto, aquilo que consumiu a maior parte do tempo dos trabalhos acabou por ser o período prévio à ordem do dia, reservado à apresentação de votos e às intervenções políticas.
Um dos principais temas trazidos à discussão veio do grupo municipal do PSD, que apresentou um voto de recomendação, no sentido de tornar prioritária a construção de um campo sintético no lado Norte da ilha.
A questão surge no seguimento do anúncio, por parte do presidente do Governo Regional, da disponibilidade de avançar, em parceria com o Município, para o arrelvamento sintético de um ou dois campos na cidade da Horta. A ideia foi deixada por Carlos César após o último Conselho de Governo realizado no Faial, no passado mês de Janeiro, e levantou algumas preocupações junto da bancada do PSD, que entende que a prioridade deverá ser dotar o lado Norte da ilha de um campo sintético, que sirva o Grupo Desportivo do Salão e o Grupo Desportivo Cedrense. Os social-democratas alertaram para as “condições muito desfavoráveis” em que os atletas dos referidos clubes treinam: “o piso transforma-se frequentemente num lamaçal em que o futebol é impraticável, além de colocar em risco a saúde física dos atletas”, pode ler-se no voto apresentado pelo PSD, que destaca ainda o facto de, quando se trata de jogos regionais ou nacionais, os atletas terem de jogar no campo dos Flamengos ou no estádio da Alagoa. Tendo isto em conta, a bancada municipal do PSD considera que este anúncio do Governo “não responde às necessidades estratégicas da ilha, e demonstra falta de visão estratégica”.
O presidente da Junta de Freguesia da Praia do Norte, Estevão Gomes, interveio para reforçar a pertinência do voto, referindo-se à sua experiência enquanto atleta, e também Luís Rodrigues, presidente da Junta de Freguesia do Salão, frisou a importância da melhoria das condições de trabalho para cativar os atletas.
A bancada da CDU associou-se ao voto do PSD, assim como José Agostinho, da bancada socialista, o que levou à sua aprovação por maioria. O presidente da Junta de Freguesia dos Cedros reiterou a necessidade que os atletas da sua freguesia têm de um piso sintético e, por considerar a proposta dos social-democratas “coerente”, votou-a favoravelmente. Os restantes elementos da bancada socialista, no entanto, preferiram abster-se. De acordo com Luís Botelho, o grupo municipal do PS reconhece a necessidade de um sintético no lado norte, no entanto “é legítima” a proposta deixada pelo presidente do Governo. Também Bruno Leonardo interveio pelos socialistas, entendendo que o voto do PSD carecia de alguns dados importantes.
Neste voto, o PSD defende também que se inicie a construção do piso sintético e da pista de atletismo do Estádio Mário Lino. De resto, Estevão Gomes considerou que a dotação da cidade da Horta com mais um sintético poderá ser precisamente uma forma de, posteriormente, voltar a adiar-se a obra do estádio.
A discussão deste voto motivou alguma troca de acusações em tons exaltados, protagonizada pelos deputados Terra Carlos e Luís Botelho, acusações essas que extravasaram o tema em análise e obrigaram à intervenção do presidente da Assembleia Municipal para acalmar os ânimos. De resto, ao longo desta reunião, foram vários os momentos em que a discussão se desviou da objectividade dos temas em análise para se centrar em troca de acusações e “lavagem de roupa suja” entre as bancadas socialista e social-democrata.
A determinada altura, o deputado municipal da CDU Mário Frayão interveio mesmo para pôr a água na fervura, lembrando os deputados municipais da sua verdadeira missão, que parecia esquecida no meio das picardias político-partidárias que acabaram por dominar o debate em alguns momentos: “todos aqui foram eleitos para defender os interesses do Faial, mas digladiam-se com inimigos. Estamos todos na mesma bancada; a da defesa dos interesses do concelho”, lembrou.
Cancelamentos e adiamentos de investimentos públicos no Faial voltam a levantar fervura na AM
Nesta reunião da Assembleia Municipal foram pintados dois cenários bastante diferentes da realidade faialense. O primeiro surgiu do lado do PS, pelo pincel de Ana Luís, que, proferiu uma intervenção onde se congratulou pela série de investimentos anunciados por Carlos César para o Faial após a reunião do Conselho de Governo na Horta, no passado mês de Janeiro. O segundo veio de um voto de protesto social-democrata, pelo sucessivo cancelamento e adiamento de investimentos públicos na ilha.
Para a deputada municipal socialista, os investimentos anunciados são motivo de satisfação, no entanto os faialenses devem continuar a bater-se por outras obras estruturantes, com destaque para a ampliação da pista do aeroporto. Em resposta, os social-democratas, nas palavras de Carlos Faria, lamentaram que, na reunião entre o Executivo Regional e a Câmara Municipal da Horta, tivessem sido deixados de fora os vereadores do PSD: “quem quer ouvir os faialenses deve ouvir todos os representantes dos faialenses na CMH”, salientou. Para Carlos Faria, no anúncio de César surgiram algumas reprogramações de coisas antigas em tom de promessas novas, como a primeira fase das obras da Escola Básica da Horta, ou o Centro de Adictologia.
Para o PSD, a actuação do Executivo Regional pauta-se por dois pesos e duas medidas em relação à totalidade do arquipélago: no seu voto de protesto, os social-democratas reconhecem que a actual conjuntura económica exige muita selectividade na escolha dos investimentos públicos, no sentido de se privilegiarem aqueles que potenciam o emprego e o desenvolvimento económico, no entanto não aceitam que se cancelem ou adiem obras no Faial, “por não serem economicamente reprodutivas”, mas ao mesmo tempo se avancem com outras, noutras ilhas, onde não se vislumbra “qualquer efeito reprodutivo no emprego ou na economia”. A não aquisição do equipamento para o Aquário Virtual, o adiamento da segunda fase da Variante , o cancelamento da construção do Estádio Mário Lino, do Campo de Golfe e das termas do Varadouro são alguns exemplos que levaram o PSD a pedir à Assembleia Municipal que alertasse o Executivo Regional para os efeitos negativos dos cancelamentos e adiamentos de investimentos públicos no Faial, e para que a aplicação dos critérios que definem esse tipo de investimentos seja igual em todas as ilhas.
Da bancada do PS, Ana Luís acusou o PSD de “ver sempre o copo meio vazio”, e de passar a sua mensagem de forma “enviesada”. A deputada municipal disse que, em relação ao Aquário Virtual, irá ser utilizado equipamento disponibilizado pelo DOP, e chamou a atenção para o Porto da Horta, que considerou “a maior obra marítima” a decorrer na Região. Ana Luís reiterou a importância da execução da Escola Básica em vez do Estádio Mário Lino, manifestando total concordância com o facto desta arrancar de forma faseada, privilegiando a execução das salas de aula, relegando-se a componente desportiva para depois.
Os socialistas condenaram o facto do PSD insistir em análises comparativas entre as ilhas, entendendo que tal não deve ser critério de reivindicação de investimento público para o Faial.
Já a bancada comunista, nas palavras de Luís Bruno, considera evidente que o Faial sofre atrasos em relação a outras parcelas da Região, por isso se associou ao voto social-democrata, que acabou por ser aprovado com os votos favoráveis do PSD e da CDU, apesar do PS ter votado contra.
Nesta Assembleia Municipal, o PSD apresentou ainda um voto de protesto contra o encerramento da loja dos CTT da Horta aos sábados à tarde, que foi aprovado por unanimidade.
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