No passado dia 8 de Março a Matriz assinalou o Dia da Freguesia. A data foi celebrada na noite de ontem, dia 10, com uma sessão solene na Sociedade Amor da Pátria.
Na ocasião, o presidente da Junta de Freguesia quis recordar o Duque D’Ávila e Bolama, matricense que se destacou na vida política nacional, e cujo dia de nascimento foi escolhido para celebrar o Dia da Freguesia da Matriz. Recordando a sua influência aquando da legislação “mata-frades” que extinguiu as ordens religiosas em 1834, Laurénio Tavares lembrou que o Duque conseguiu evitar a destruição do Convento e da Igreja do Carmo, e lamentou que, nos nossos dias, “por falta de vontade política de sucessivos governos, e da ausência de políticos faialenses capazes de influenciar os poderes instituídos, este valioso património prossegue uma acelerada trajectória de degradação”.
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Laurénio recordou que, no Plano e Orçamento da Região para 2010, a recuperação das Igrejas do Carmo e São Francisco estava contemplada com 350.000€. “Este foi mais um compromisso assumido e não realizado”, considerou, referindo que, em 2011, o mesmo objectivo está contemplado com um valor inferior, de 49.500€. O autarca social-democrata entende que, com esta atitude, o Governo Regional contribui “para a continuada degradação deste valioso património”.
O autarca abordou também as actuais transformações da Horta, com a obra do saneamento básico e a deslocalização de parte do movimento portuário para o norte da cidade, às quais entende que a Matriz não pode ficar indiferente. As preocupações de Laurénio vão para a necessidade de se pensar as acessibilidades rodoviárias, com destaque para a Avenida 25 de Abril, que ficará ainda mais sobrecarregada. Em relação ao saneamento básico, o presidente da Junta de Freguesia defende que “deve haver por parte do Município um rigoroso planeamento e acompanhamento das obras”, que devem ser conjugadas com “a requalificação urbana da cidade”.
A questão da sede da Junta de Freguesia voltou a marcar o discurso do presidente. Laurénio lembrou que em 2007 foi iniciado o processo administrativo para obtenção de uma nova sede, a instalar no rés-do-chão do edifício da antiga Biblioteca Publica e Arquivo, na rua D. Pedro IV, “no seguimento de conversações e de entendimentos havidos com o Município”. “Lamentamos que decorridos três anos se continue sem saber qual a viabilidade deste projecto”, pois, e apesar do município ter apresentado em 2008 uma candidatura ao Governo Regional, este não deu ainda qualquer resposta.
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A actual conjuntura económica também foi abordada pelo autarca, que destacou as dificuldades das juntas de freguesia, “que também foram penalizadas com as reduções das transferências do Orçamento de Estado o que obriga a fazer alguns reajustamentos, nomeadamente no que respeita ao apoio directo aos organismos paroquiais, culturais, recreativos e desportivos da freguesia”.
Por sua vez, o vice-presidente da Câmara Municipal da Horta salientou o facto da Horta ser um dos primeiros municípios a definir uma área de reabilitação urbana, onde já foram identificados 1064 imóveis com importância patrimonial, dos quais mais de cem necessitam de ser intervencionados. José Leonardo deu alguns exemplos do trabalho da autarquia no âmbito da reabilitação urbana, como a recente intervenção no Canto da Dona Joana.
O autarca aproveitou a ocasião para reforçar as convicções no sucesso da delegação de competências nas juntas de freguesia, frisando o esforço da autarquia para manter as verbas transferidas no actual quadro orçamental.
Na sessão solene, a música esteve a cargo do picoense Manuel Francisco Costa Junior.
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Património arquitectónico da cidade da Horta em análise
Este ano, a Junta de Freguesia da Matriz decidiu dar destaque ao património arquitectónico. Nesse sentido, convidou o arquitecto José Manuel Fernandes para palestrar sobre urbanismo e arquitectura no contexto da cidade da Horta. Há sete anos, o arquitecto já tinha estado no Faial, também a convite da Junta de Freguesia da Matriz, para falar sobre este tema.
Para José Manuel Fernandes, a Horta é uma cidade caracteristicamente pública, que valoriza os seus espaços comuns, à semelhança da maior parte das cidades portuguesas.
Na sequência da referência de José Leonardo à área de reabilitação urbana da cidade, o arquitecto destacou o estado de degradação de alguns dos edifícios mais característicos da cidade, apelando a um programa de reabilitação conjunta dos mesmos. “Estes edifícios não pode entrar num processo de decadência”, disse, sugerindo até a utilização de algum deles como um hotel barato para as camadas mais jovens, uma lacuna da oferta turística faialense.
José Manuel Fernandes defendeu ainda que a relação da cidade com o mar é “uma oportunidade única que deve ser explorada”, sendo que agora, com as mudanças a ocorrer na Horta, é o momento certo. Para o arquitecto, a Horta “não tem um grande museu digno desse nome”, uma vez que, na sua opinião, a cidade precisa de um espaço cultural que aborde a ua história de ligação com o mar, com referências ao iatismo, aos cabos submarinos, aos clippers, entre outras.
Matriz lança opúsculo sobre Manuel de Arriaga
Em 2010, ano do centenário da República, a Matriz dedicou o Dia da Freguesia ao faialense Manuel de Arriaga, primeiro presidente eleito da República Portuguesa. Na ocasião, Joana Gaspar de Freitas proferiu uma conferência subordinada ao tema “Manuel de Arriaga: um homem, múltiplos olhares”, cujo texto foi agora editado num opúsculo pela Junta de Freguesia da Matriz, lançado ontem.
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