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No passado sábado decorreu na Horta um jantar comemorativo do 90.º aniversário do Partido Comunista Português, que se assinalou no dia 6 de Março. Com a presença do líder regional dos comunistas, Aníbal Pires, várias dezenas de militantes do partido reuniram-se na sede para assinalar a efeméride. Ao clima de festa juntou-se o clima eleitoral, e as intervenções da noite foram marcadas pelo apelo a um reforço da votação no partido nas eleições que deverão acontecer no final do mês de Maio ou início de Junho.
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Para o coordenador regional do partido, a passagem dos 90 anos do PCP representa a celebração “do futuro que se abre à nossa frente”. Aníbal Pires alertou para os “tempos difíceis” que o país atravessa, frisando que a actual crise não apanhou os comunistas de surpresa. “Estes duros tempos que vivemos representam uma oportunidade de mudar”, destacou, referindo-se à “próxima grande batalha das eleições” como a hipótese de “mostrar que há outro caminho”, que passa por um reforço da votação à esquerda. Aníbal Pires apelou à união dos comunistas, para que se faça uma “grande campanha” que resulte no reforço político do PCP.

Também Martinho Batista, membro do Comité Central do PCP, se referiu às próximas eleições como sendo “uma batalha difícil e de grande exigência”, e apelou “à participação de todos no esclarecimento e convencimento para o voto na CDU”. Segundo Martinho Batista, este momento representa “a possibilidade de romper com a política de direita e com a actual subjugação e capitulação ao grande capital”. Para tal, o comunista salienta que o PSD de Pedro Passos Coelho não é alternativa, uma vez que apresenta “a receita de sempre” para fazer face à situação, ou seja, o aumento da carga fiscal.
Martinho Batista apontou baterias também ao Governo Regional, acusando o Executivo de César de “tapar o sol com a peneira”, tentando “escapar à derrocada do PS nacional”. Para o comunista, o Governo dos Açores “faz de conta que é de esquerda”, no entanto adopta políticas de direita, que resultam no maior desemprego de sempre na Região, agravado com os cortes nos apoios sociais.
Segundo Martinho Batista, o país tem de deixar de subjugar-se aos interesses do mercado, financiando a sua economia e “taxando os fabulosos lucros do grande capital”. Desenvolver o aparelho produtivo nacional e regional para aumentar o poder de compra das famílias e reduzir a dependência externa é, na sua óptica, o caminho para escapar à crise.

Também Luís Bruno salientou que se aproxima um “momento difícil”, que irá exigir muito trabalho dos comunistas, bem como “responsabilidades financeiras acrescidas” do partido. Nesse sentido, destacou a importância da recolha de fundos, e apelou aos donativos dos militantes para fazer face às despesas.

Outra das vozes que se ouviram na noite de festa Maria da Luz, membro da Comissão Executiva do PCP Faial. Recordando a Dia Internacional da Mulher, que se assinalou no passado dia 8 de Março, chamou a atenção para a evolução do papel da mulher na sociedade feminina ao longo dos anos de democracia. Para a comunista, a discriminação da mulher continua a ser uma realidade que é preciso combater. Munida das estatísticas, Maria da Luz ilustrou com números as suas palavras, no que diz respeito à remuneração e à empregabilidade, aspectos em que o sexo feminino continua a ser prejudicado em relação ao masculino.
Falando do cenário actual, em que se anunciam “novos e pesados sacrifícios”, Maria da Luz frisou que o PSD não será alternativa ao PS, acusando os dois partidos de terem destruído o sector produtivo nacional com as suas políticas. “É preciso mudar a essência da política” em Portugal, destacou.