Pais e professores do Conservatório Regional da Horta não vêem com bons olhos a anunciada integração daquele estabelecimento de ensino especializado de Música e Dança na Escola Básica da Horta. A decisão da Secretaria Regional da Educação foi divulgada após o último Conselho de Governo, e vem na sequência do que já aconteceu na Terceira, com a integração do conservatório Regional de Angra do Heroísmo na Escola Básica e Secundária Tomás de Borba.
Hoje, os professores do Conservatório Regional da Horta e o representante dos pais dos alunos que frequentam a instituição partilharam as suas preocupações com a comunicação social. Yuri Pavtchinski, director do Conservatório, desconhece os moldes em que se dará a integração, e considera que esta será uma machadada no ensino artístico especializado. Também Victor Rui Dores, representante dos pais, entende que a instituição funciona bem como está.
A “sombra” da integração paira sobre o Conservatório Regional da Horta há bastante tempo, apesar de só agora ter sido formalmente anunciada pelo Executivo Regional.
Yuri Pavtchinski torce o nariz a esta decisão, até porque entende que há muita coisa por esclarecer, e receia que a alteração no funcionamento do Conservatório prejudique o ensino artístico.
O director lembra que que o ensino de artes performativas como a Música e a Dança requer “condições específicas”, principalmente em relação aos espaços físicos. Yuri não conhece o projecto de remodelação da Escola António Ávila, apesar de já ter tentado fazê-lo, e receia que o espaço reservado ao Conservatório não tenha em conta as suas necessidades.
Além disso, dos 209 alunos que o Conservatório acolheu no presente ano lectivo, só 23 (14 da Básica Integrada e nove da Escola Secundária) estão no ensino articulado, ou seja, as disciplinas que frequentam na instituição dispensam-nos de algumas disciplinas, como a Música, no percurso escolar regular. A maior parte dos alunos frequenta o Conservatório de uma forma totalmente independente do seu percurso escolar.
A integração na Escola Básica coloca também outro problema, uma vez que esta apenas contempla os alunos até ao 6.º ano de escolaridade, e cerca de 50% dos estudantes do Conservatório frequentam a Escola Secundária. Para os professores, será extremamente difícil organizar horários, criar turmas e construir planos curriculares desta forma.
Victor Rui Dores é actualmente o representante dos pais dos alunos do Conservatório, no entanto já foi director da instituição e conhece bem os cantos à casa, razão pela qual se mostra tão apreensivo como os professores em relação a esta decisão. Rui Dores apela ao bom senso da tutela, para que esta não avance com a integração pelo menos enquanto a Escola Básica não ficar dotada das novas instalações. De resto, é precisamente isso que se fará em São Miguel, já que, de acordo com o último comunicado do Conselho do Governo, o Conservatório Regional de Ponta Delgada só sofrerá o processo de integração quando for construída a nova Escola Básica Integrada Natália Correia, o que não acontecerá na presente legislatura.
Para Rui Dores, uma das causas deste tipo de situações é o facto da Secretaria Regional da Educação não possuir um departamento dedicado ao ensino artístico. Também Yuri Pavtchinski entende que os decisores políticos não compreendem as especificidades do ensino artístico, e Ludmila Chovkova frisa que é essencial que, em caso de integração, exista um representante do ensino artístico no Conselho Executivo.
Para pais e professores, é preferível que o Conservatório Regional da Horta se mantenha como está, nas actuais instalações, que já integram o mesmo espaço que a Escola Básica Integrada. Não são as melhores, reconhecem, principalmente pela falta de um auditório, mas essa carência é suplantada pelo facto de poderem exercer ensino especializado de Música e Dança, funcionando como uma instituição independente das escolas.
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Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 22.07.2011, ou subscreva a assinatura digital do seu semanário