A 24 de Agosto de 2011, cerca de dez meses após a implantação da República em Portugal, a Assembleia Nacional Constituinte elegia o primeiro Chefe de Estado do novo regime. Com 121 votos (contra 86 de Bernardino Machado, seu adversário mais directo), o faialense Manuel de Arriaga tornava-se o primeiro presidente eleito da República portuguesa, sucedendo na chefia do Estado ao Governo Provisório do micaelense Teófilo Braga.
Na passada quarta-feira assinalou-se o centenário deste momento da história de Portugal. A efeméride foi celebrada com uma Sessão Comemorativa organizada pela Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta (AAALH), na Biblioteca Pública, que contou com o alto patrocínio da Presidência da República, e foi presidida pelo representante da República na Região, o Embaixador Pedro Catarino.
.jpg)
De acordo com Henrique Barreiros, da AAALH, esta sessão comemorativa foi mais um esforço dos Antigos Alunos para preservar a memória de Manuel de Arriaga. De facto, aquela associação tem sido a defensora mais acérrima da lembrança do primeiro presidente eleito da República Portuguesa, através de várias iniciativas ao longo dos últimos anos, com destaque para o esforço encetado na publicação de vários livros sobre Arriaga e na reedição de algumas obras do autor, como é o caso de Harmonias Sociais. Nesse sentido, Henrique Barreiros anunciou para breve a reedição anotada do relatório de Arriaga sobre o seu mandato na presidência, com notas de Joana Gaspar de Freitas e Luís Bigotte Chorão.
Barreiros recordou também o esforço desenvolvido pelos Antigos Alunos para que Manuel de Arriaga fosse agraciado com honras de Panteão, esforço esse que culminou com a sua transladação para o Panteão Nacional em 2004.
Destaque ainda para a luta da AAALH a favor da recuperação da casa onde nasceu Manuel de Arriaga, na Matriz, para aí ser criada a Casa Memória, cuja construção se encontra em fase de conclusão.
Na ocasião, Henrique Barreiros garantiu que o esforço dos Antigos Alunos na preservação da memória de Arriaga não cessará após as comemorações do centenário da República, até porque há várias facetas da vida do ilustra faialense que carecem de estudo e divulgação. Um exemplo é o seu desempenho enquanto primeiro Reitor da República na Universidade de Coimbra.
Os oradores da noite foram a faialense Magda Costa Carvalho, da Universidade dos Açores, que abordou as convicções e o pensamento do primeiro Presidente eleito da República, e Luís Bigotte Chorão, da Universidade de Coimbra, que dissertou acerca das movimentações políticas aquando da eleição de Arriaga.
Arriaga merece “o nosso carinho e respeito”
As palavras são do Representante da República nos Açores, o Embaixador Pedro Catarino, que teve nesta ocasião a sua primeira visita oficial à ilha do Faial.
Pedro Catarino felicitou a AAALH “por tão louvável iniciativa”, e destacou a importância da análise do contributo de Arriaga para a história do país, assim como de outros tantos notáveis açorianos que se destacaram foram do arquipélago.
Sobre o primeiro presidente eleito da República portuguesa, Pedro Catarino destacou-lhe o papel de “lutador tenaz e irreversível” dos ideais republicanos, a “integridade das suas posições” e o “alto nível intelectual e moral”, factores que levaram a que o seu nome tivesse sido proposto para a presidência da República.
Para o representante da República nos Açores, é preciso não esquecer o período conturbado em que Arriaga exerceu o seu mandato, graças à instabilidade social e política que assolava o país, e à fragmentação do próprio partido republicano, o que se traduzia na sucessão de governos efémeros, incapazes de conferir a Portugal a estabilidade necessária ao progresso.
Referindo-se a Arriaga como um “democrata defensor do povo e amante da pátria”, Catarino recordou-lhe o espírito abnegado, numa altura em que o salário do presidente da República era modesto e o staff reduzido, e não existiam viaturas oficiais.