Ao ler a notícia publicada no Tribuna das Ilhas notei que há um erro de interpretação das minhas palavras e não se deve inferir que a mortalidade na UCI do Hospital da Horta seja a menor do país.
A correcção que deve ser feita é a seguinte: nesta UCI, em 2010, para uma mortalidade esperada de 53% a observada foi somente de 40%, ou seja 13% menos. Isso é diferente de ser a menor do país.
A explicação é a seguinte: os doentes quando são internados têm um índice de gravidade, calculado através de vários parâmetros, ao qual corresponde uma mortalidade estimada. A escala internacional que utilizamos para esse cálculo chama-se APACHE II é a mais difundida entre as várias UCIs, permitindo assim a comparação entre serviços.
De resto, a mortalidade observada tem sido sempre menor que a esperada ao longo de 8 anos de existência da Unidade, isto é, mesmo variando aquela pontuação ela tem sido sempre entre 10 e 15% menor que a esperada. Ora como a percentagem de complicações não mortais ocorridas durante os internamentos é extremamente baixa e os custos por doente tratado reduzidos, a única interpretação possível das minhas afirmações é que, comparativamente a outros hospitais o serviço prestado não tem uma qualidade inferior nem um custo mais elevado.
Rui Suzano
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