
“O Natal – para os cristãos, como para a maioria dos homens e das mulheres por este mundo fora – é um tempo simultaneamente de trégua e de acção.”
As palavras são de Carlos César, presidente do Executivo Regional, mas fizeram-se ouvir por diversas vezes, vindas de vários idosos, na tarde de terça-feira quando, cumprindo uma já tradição deste município, se juntaram num convívio de Natal.

Foram cerca de 350 os idosos que participaram na tarde de terça-feira no convívio de Natal do Idoso que, anualmente, a Câmara Municipal da Horta promove.
O convívio decorreu no salão de festas do Barão Palace e contou também com a presença de algumas crianças que, em tempo de férias escolares, enchem de alegria os seus avós.
Pai Natal e prendas à parte, para estes cidadãos mais velhos importa celebrar o Nascimento de Jesus o Salvador de uma forma menos materialistas. Assim sendo, ao som de cânticos de Natal e poemas, lá se passou mais uma tarde.
Durante a tarde houve ainda tempo para teatro, desta feita pela Escola Profissional e o seu Curso de Geratria onde, não querendo fugir ao espírito natalício, encenaram uma sátira à situação e conjuntura de crise que vivemos actualmente.
Como vem sendo hábito foram ainda sorteados cabazes de Natal.
Os idosos, uns mais “despachados” do que outros, mostraram-se deveras contentes.
Aos jornalistas foram unânimes em afirmar que Natal é “nascimento do Menino Jesus e da paz e alegria que gostávamos que fosse todos os dias e não só no Natal”.
Outros afirmam que o “o Natal é para os idosos e para as crianças, sobretudo para as crianças.
Sobre a confraternização dizem ser muito importante. Quanto a prendas no sapatinho, os maiores pedidos são “saúde, paz e amor”.
O presidente da autarquia João Castro também esteve presente neste convívio.
Ao Tribuna das Ilhas afirmou: “este é um encontro onde juntamos aqueles que nasceram primeiro. Aqui partilham-se experiências e mostramos a nossa gratidão por tudo o que deram à nossa sociedade, e ainda dão. Tentamos de alguma forma proporcionar um momento diferente a estes idosos que, acima de tudo, gostam de mostrar o que andam a fazer nos seus centros de convívio”.
João Castro diz que a crise não foi desculpa para não organizar este convívio e disse ainda sentir que também os mais velhos, na sua maioria pensionistas, também estão preocupados com a crise, todavia, conforme relata o autarca “os mais idosos lembram-se e têm na memória momentos de crise muitos mais gravosos e superiores ao que estamos a passar hoje.”
O presidente da CMH é de opinião ainda de que “as crises combatem-se, enfrentam-se e levam a que procuremos novas soluções e metodologias para tentar ajudar todos a ultrapassar a crise e, obviamente nesses todos estão incluídos os idosos”.
É nestes convívios que, muitas vezes, são transmitidas às entidades com pelouro algumas dificuldades que atormentam os mais velhos. A esse respeito Castro diz que “no Faial ainda não existem situações extremas, existem sim idosos a viverem momentos de solidão.”
“Um dos principais problemas nas populações mais idosas é fundamentalmente a solidão e a incapacidade de forma isolada de ultrapassar obstáculos com que se deparam no dia-a-dia e decorrentes com o avanço da idade. A CMH está atenta a isso e, em colaboração com outras organizações/entidades responsáveis, temos resolvido as situações com que nos deparamos – disse João Castro.
Instado a deixar uma mensagem através do Tribuna das Ilhas aos seus munícipes, João Castro, refere que “para além das Boas Festas e do desejo de um ano melhor, gostava que os munícipes pensassem que as dificuldades se ultrapassam com energia, com iniciativa e com medidas adequadas e objectivamente direccionadas para essas mesmas dificuldades.”
“Juntos somos mais fortes, juntos temos maior capacidade de ultrapassar as dificuldades e adversidades, portanto há que nos tentarmos encontrar e reencontrar para que juntos possamos ir em frente e procurar a felicidade” – remata.