Foi inaugurado no passado domingo, pelo presidente do Governo dos Açores, o Centro de Aditologia da Horta, infra-estrutura, cuja concretização figurava no Plano e no Orçamento da Região desde 2010. Da responsabilidade da Direcção Regional de Prevenção e Combate às Dependências, esta valência vai funcionar integrada no Hospital da Horta, e prestar apoio a cerca de 60 pessoas.
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Na ocasião, Carlos César destacou a atenção dada pelo Executivo a que preside ao flagelo da toxicodependência, que cada vez mais exige respostas adequadas não apenas no campo da saúde mas também no campo social. Nesse sentido, o presidente do Governo lembrou que o trabalho a ser desenvolvido pelo Centro de Aditologia agora inaugurado “não é apenas o da minimização do problema do doente, mas sobretudo o da sua ressocialização e da sua reintegração.” Quanto à reintegração destes doentes, Carlos César destacou as dificuldades que estes encontram no mercado de trabalho, e que importa combater.
O líder do Executivo chamou a atenção para os vários equipamentos de que a Região dispõe no combate às dependências, como é o caso deste agora inaugurado mas também do Centro de Aditologia de Angra, dos meios móveis na Terceira e em São Miguel para tratamento da dependência de opiáceos, entre outros. Carlos César lembrou que está em curso a concretização da Unidade de Tratamento e Reabilitação Juvenil do Solar da Glória, em São Miguel, que terá capacidade para 120 pessoas por ano, em fase de desintoxicação, e 60 pessoas por ano, em fase de ressocialização.
Carlos César sublinhou ainda o esforço governamental no sentido da prevenção: “são milhares os jovens que, pelos Açores fora, são anualmente contactados em acções de natureza preventiva nas escolas e em programas que abrangem estabelecimentos de diversão nocturna”, referiu, destacando o trabalho das equipas multidisciplinares que desenvolvem uma “acção pedagógica e de fortalecimento da conduta dos jovens e da sua capacidade de resistência a pressões que se dirigem ao consumo de drogas”, essencial, na óptica do presidente do Governo, para que o fenómeno não ganhe maior expressão nos Açores.
De acordo com a presidente do Conselho de Administração do Hospital da Horta, a grande vantagem do Centro de Aditologia é o facto de congregar no mesmo espaço todos os serviços e apoios necessários à reabilitação dos doentes. Para além das consultas médicas, estes encontraram no Centro o apoio psicológico e social de que também necessitam o que, para Conceição Nascimento permite reunir esforços e gerir recursos de uma forma mais eficaz.
Carlos César destaca importância do Serviço Público de Saúde
Falando sobre a afectação de verbas aos vários sectores da Saúde, o presidente do Governo Regional reconheceu as dificuldades, próprias, segundo diz, de todos os serviços públicos de saúde: “nós dividimos as dificuldades pelas pessoas e pelo orçamento do Governo”, situação que permite que “as pessoas fiquem com menos dificuldades, mesmo que os governos tenham mais dificuldades”.
Neste cenário, o líder do Executivo açoriano lembrou que a evolução demográfica e os progressos no campo da Saúde provocaram um agravamento tendencial na despesa associada a esta área. No entanto, Carlos César entende que, apensar disso, “não é razoável que, por uma pessoa ter uma determinada idade, deixe de ser tratada”.
“Não espero estar sujeito a hemodiálise, mas espero que, mesmo que faça 70 anos, os serviços de saúde da minha terra continuem apoiar-me na medida das suas possibilidades”, disse o presidente do Governo Regional, mostrando desta forma estar atento ao debate político a nível nacional, numa clara alusão às declarações recentes da ex-líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, que, num debate transmitido pela SIC Notícias na passada semana, defendeu que a hemodiálise a doentes com mais de 70 anos deve ser paga por estes, na medida da sua capacidade financeira.