É ponto assente que os carteiros, que diariamente levam as boas e as más novas a todos os cantinhos do país, são os portugueses que melhor conhecem Portugal. Por isso, a empresa CTT lançou um desafio a 6 mil dos seus profissionais: entregando-lhes máquinas fotográficas descartáveis, pediu-lhes que registassem alguns momentos do seu dia-a-dia no trabalho. Daqui saiu um retracto fiel de Portugal, registado num livro para o qual foram seleccionadas 207 fotografias. Dessas, algumas foram tiradas por carteiros do Faial e do Pico.
Portugal Connosco – O Olhar dos Carteiros, assim se chama o livro que reúne 207 fotografias tiradas pelos profissionais da CTT durante os seus percursos. Dos vários carteiros que colaboraram neste retracto colectivo do país real, Nélson Silva e Nélson Pereira foram os representantes faialenses enquanto Leonilda Vargas assinou a representação da vizinha ilha do Pico. Na tarde de ontem, os três deixaram a rotina da vida de carteiro para promover uma sessão de autógrafos, na apresentação do livro, na Estação dos Correios da Horta.
Nélson Pereira, de 30 anos, é carteiro há dois. Sobre este desafio que a empresa lhe lançou, considera-o “inovador”, e congratula-se por ter sido seleccionado para participar num “produto da empresa, feito pelos seus trabalhadores”. Para este jovem, a grande mais-valia da profissão de carteiro está bem patente neste livro: a relação que estabelecem com as pessoas. “O melhor da nossa vida é estar na rua e falar com as pessoas, principalmente com os idosos, que gostam muito de conversar. Numa altura em que se fala da solidão das pessoas mais velhas isto é muito importante”, explica.
Também Nélson Silva, de 34 anos, destaca o contacto com as pessoas como a parte mais importante do seu trabalho. Carteiro há 11 anos, este faialense confessa que lhe deu muito prazer procurar paisagens, receptáculos postais diferentes e, sobretudo, retractar as pessoas com quem se cruza diariamente.
Mais do que homens e mulheres conhecedores das suas localidades, esta experiência permitiu encontrar alguns artistas, com sensibilidade natural para a arte de fotografar. Nélson Silva confessa que a fotografia é “um hobbie” que tem há poucos anos, que sai fortalecido desta experiência.
Leonilda Vargas, por sua vez, tem 47 anos e é carteira há 12. Da sua profissão destaca o convívio que lhe proporciona diariamente com as pessoas com quem se cruza. Nesta experiência, confessa que procurou fotografar coisas “que achava que mais ninguém via”. Curiosamente, de entre as suas fotos foi escolhida aquela onde se personifica, apesar de de uma forma engraçada, o seu maior medo enquanto carteira: “tenho medo dos cães”, confessa”, e, sobre a sua fotografia de um miúdo que leva o cão às costas, diz, em tom de brincadeira: “mais vale um cão às costas do dono do que a correr atrás do carteiro”.
Fátima Albergaria, directora regional dos CTT nos Açores, entende que este foi “um projecto interessantíssimo” da empresa, que soube assim tirar proveito da experiência de vida dos seus profissionais. “Desta experiência nasceram inúmeras fotos, que foram aproveitadas, estão em exposição e foram agora publicadas neste livro” conta, destacando o facto do projecto ter sido “bem acolhido” na Região, de onde foram seleccionadas fotos dos centros de distribuição postal da Horta, da Madalena do Pico, de Ponta Delgada, da Povoação e de Santa Cruz das Flores.
NÉLSON PEREIRA, LEONILDE VARGAS E NÉLSON SILVA Foram seleccionadas fotos dos três carteiros do Faial e do Pico para integrar este livro