Tribuna das Ilhas

Infinity 8
  • Início
  • Local
  • Triângulo
  • Regional
  • Desporto
  • Cultura
  • Política
  • Opinião
  • Cartoons
  • Início
  • notícias
  • Local
  • V Semana dos Direitos - Daniel Sampaio fala sobre como lidar com o bullying nas escolas
27
fevereiro

V Semana dos Direitos - Daniel Sampaio fala sobre como lidar com o bullying nas escolas

Escrito por  Susana Garcia/Foto: Maria José Silva
Publicado em Local
  • Imprimir
  • E-mail

No âmbito da V Semana dos Direitos, subordinada ao tema “Absentismo escolar”, esteve no Faial como convidado de honra Daniel Sampaio, que dirigiu duas palestras sobre o fenómeno da violência nas escolas, nomeadamente o bullying.

Como era de esperar, as expectativas foram superadas pela nobreza das palestras e pela acessibilidade do Professor Daniel Sampaio que respondeu às diversas questões colocadas pelos alunos, professores, pais, e cidadãos que marcaram presença nestes eventos.

Durante duas horas, o médico psiquiatra atraiu a atenção das audiências, quer na Escola Manuel de Arriaga, quando falou para professores e alunos, quer no Auditório da Biblioteca Pública da Horta, quando se dirigiu aos cidadãos sobre este tema tão actual.

“O bullying é uma acção consciente, premeditada, deliberada e persistente por parte de um estudante ou grupo de estudantes, designado agressor(es), para um aluno(vítima), causando medo, pressão e terror sobre o mesmo”. Foi desta forma que Daniel Sampaio designou o bullying para uma plateia cheia de professores e alunos, na palestra que proferiu na tarde da passada sexta-feira, na Escola Secundária Manuel de Arriaga (ESMA), no âmbito da V Semana dos Direitos, que decorreu na Horta, numa iniciativa da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ).

É incontestável que o termo bullying é hoje bastante conhecido. Quem já não ouviu falar na comunicação social do bullying que acontece nas escolas? No entanto, e de acordo com Daniel Sampaio, muito dele se fala mas muitas das vezes sem se saber ao certo do que efectivamente se trata.

Segundo o médico psiquiatra, o motivo que o levou a trazer este tema deve-se ao facto de ser um assunto que tem estudado nos últimos tempos e que considera importante. A este respeito, Sampaio julga importante abordar “a pressão que existe na escola para determinado tipo de comportamentos”, como disse à nossa reportagem, minutos antes do início da palestra para os alunos da Manuel de Arriaga.

Para o professor, “o bulliying é um tema que está na ordem do dia mas o que se verifica é que há muito bullying oculto”. “As pessoas pensam que só aquilo que é muito visível é que é importante”, acrescentou, destacando a importância de “uma série de comportamentos menos visíveis, como por exemplo a pressão psicológica, o insulto rápido e a humilhação em determinados contextos, que não é imediatamente visível mas que pode levar a grandes problemas”.

Com a abordagem desta questão, Sampaio pretendeu alertar os alunos para a problemática, e, principalmente, chamar a atenção daqueles a quem chama estudantes testemunhas, que são “os estudantes que assistem aos acontecimentos sem nada fazer”.

No entender do psiquiatra, “há muita tendência de pensar que o bullying é um problema de um agressor e de uma vítima ou de um grupo de agressores e um grupo de vítimas, mas o bullying é o problema de um conjunto muito grande de estudantes que não toma partido e assiste sem fazer nada”, disse.

Para Sampaio, este é um problema que se pode melhorar, mas nunca fazer “desaparecer completamente”. “Proteger as vítimas, sim, mas sobretudo mobilizar os estudantes para este problema. É essa a mensagem que venho trazer” disse, referindo ainda que “só se pode melhorar o bullying se a escola estiver muito atenta e detectar os casos no início”. “A primeira coisa a fazer é criar uma consciência na escola para esta problemática”, entende.

Para isso, na opinião de Sampaio, é necessários conhecer bem os sinais de bullying, e dá exemplos: “há sinais de alarme que são muito importantes, como é o caso de estudantes que aparecem em casa com a roupa rasgada, que estão tristes, que começam a faltar à escola, que vão a correr para a casa de banho quando chegam a casa, etc”. Depois surgem ainda outros problemas, como a insónia e alterações de comportamento por parte do aluno que é vítima da pressão que o colega ou colegas estão a exercer sobre ele.

O médico destaca ainda o facto de alguns agressores serem “heróis na escola”: “o comportamento do agressor é muito valorizado por outros colegas; dá-lhe um estatuto no grupo de jovens, sobretudo na adolescência”, diz, reforçando a ideia de que “este é um fenómeno muito complexo e não se pode reduzir, como às vezes acontece”.

Sampaio alerta para a importância de um trabalho que envolva os alunos, a escola, os professores e os pais “porque os pais podem ter um papel muito importante em casa, através daquilo a que eu chamo educação moral, uma coisa que se perde um pouco hoje em dia, que é a educação para o sentido do outro; para o respeito dos outros, e isso começa em casa”, disse.

Falando da realidade com que tem trabalhado no continente, Daniel Sampaio diz que “não existe muito trabalho entre pais e professores”. “Eu diria mesmo que não há uma realidade entre pais e professores. Muitas vezes há desejo, algum trabalho e boas intenções, mas não existe um trabalho continuado. É preciso fazer um trabalho continuado entre pais e professores, mas que tem de partir dos alunos. São os alunos que têm de trazer os pais à escola e todos têm de trabalhar em conjunto”, disse.

Sampaio refere que o bulllying é um tipo de violência que sempre existiu nas escolas, com os estudantes com mais poder a exercerem violência sobre os que têm menos poder. O médico refere mesmo que não existe nenhuma evidência de que o bullying seja um fenómeno mais frequente hoje que em outros tempos. O que acontece é que actualmente está a ser mais estudado e debatido. O psiquiatra refere, no entanto, que o bullying tem vindo a assumir novas formas, como o ciber-bullying, que se processa através da Internet e dos telemóveis.

De acordo com o psiquiatra, é “fundamental que os pais comecem muito cedo a ensinar as crianças a pensar no outro; naquilo que o outro estará a sentir em determinados momentos”. “Essa educação deve começar a fazer-se com um ano de idade, quando a criança começa a deslocar-se e a explorar o mundo e é ai que os pais devem dizer: ‘Atenção! Isto é da avó’ ou ‘Não empurres o teu irmão, toma atenção ao que estás a fazer!’. A educação permissiva não favorece o conhecimento do outro e isso é preciso alterar”, termina.

 

Leia a reportagem completa na Edição do Tribuna das Ilhas de 2 de Março de 2012 ou subscreva a nossa assinatura digital.

Lido 785 vezes
Classifique este item
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
(0 votos)
Tweet
Etiquetas
  • Local
Login para post comentários
voltar ao topo
  • Perdeu a senha?
  • Esqueceu-se do nome de utilizador?
  • Registe-se!
  • Contatos
  • Pesquisa
  • Assinatura
Copyright © Tribuna das Ilhas 2026 All rights reserved. Custom Design by Youjoomla.com
notícias