
Depois da notícia avançada ontem sobre a declaração de insolvência da empresa Teófilo SA pelo Tribunal do Comércio de Lisboa o semanário Tribuna das Ilhas contactou o presidente do Conselho de Administração da empresa, Carlos Goulart, que nos disse que “o pedido de insolvência foi nosso. Perante o cenário actual e a situação económico-financeira que se vive na Europa também já chegou aqui e registámos uma redução muito grande nas vendas e isso levou-nos a pedir a insolvência ao Tribunal do Comércio de Lisboa, num clara tentativa de recuperação da empresa.”
“As pessoas não podem confundir insolvência com falência… o Teófilo SA não vai fechar. A insolvência faz parte de uma fase de recuperação da empresa. Tivemos que recorrer ao Tribunal do Comércio em Lisboa porque contratámos um gabinete especializado para tratar destes assuntos” – explica Carlos Goulart.
Carlos Goulart disse ainda à nossa reportagem que “na última reestruturação de fundo que a empresa fez, em 1995, vocacionámos a empresa para a construção civil, área que, nos dias que correm, está pelas ruas da amargura e isso afectou-nos bastante”.
A firma Teófilo SA tem neste momento 38 funcionários e está no mercado há 76 anos e os sócios já colocaram à disposição da empresa todos os seus meios.

“O Teófilo vai continuar de porta aberta, e com o mesmo nome. A empresa sofrerá uma reestruturação de fundo que neste momento está a ser estudada. Nós temos 30 dias para apresentar um plano de reestruturação e o que posso adiantar é que já estamos a trabalhar nisso” – explica o presidente do Conselho de Administração.
O advogado Luís Martins, especialista na área de direito da insolvência, reestruturação e recuperação de empresas e pessoas singulares, referiu num artigo publicado a 8 de Março de 2012, que “o pedido de insolvência não é o fim mas o princípio. O primeiro passo a evitar a fragilidade das penhoras e consequente paralisação da actividade. Uma solução quando se tem milhares de euros a receber de clientes que não pagam, acções judiciais onde se discutem causas que nunca mais se resolvem.”(http://www.luis
Registe-se que, neste momento em Portugal, 17 empresas pedem a insolvência por dia. Os principais motivos destes pedidos, que em muitos casos não se fazem acompanhar com planos de recuperação, acontecem porque, as empresas vêem-se impossibilitadas de pagar juros. Outro dos motivos é incumprimento e asfixia de tesouraria provocados pela diminuição da alavancagem da banca.
A equipa que está a tratar deste processo vai estar na Horta dentro de 15 dias para, em conjunto com o Conselho de Administração, orientem o futuro da firma Teófilo SA.
Certo é que, conforme disse Carlos Goulart, “não estamos preparados para fechar portas, estamos a investir dinheiro numa equipa que nos vai ajudar a salvar a empresa”.