Os visitantes da Casa Manuel de Arriaga, inaugurada na Horta há menos de um ano, ficam por norma, impressionados com aquele espaço, criado a partir das ruínas da casa onde nasceu o primeiro presidente da República Portuguesa, com o intuito de preservar não apenas a sua memória e os seus ideais mais também a história da Primeira República. Bem diferente do tradicional conceito de museu, a Casa Manuel de Arriaga é um espaço onde o visitante não é passivo nem se limita a observar. É um espaço interactivo, com variados recursos, onde o visitante é convidado a uma visitação activa. Hoje, manhã de quinta-feira, dia 24 de Maio, uma visitante especial percorre o espaço. Mais do que impressionada, está comovida. Deveras emocionada até. Mulher bonita e elegante, notamos-lhe o sotaque brasileiro nas observações ocasionais que faz ao marido que a acompanha. Ao peito, um medalhão de ouro, com a figura da razão que a fez atravessar o Atlântico para esta visita: o faialense Manuel de Arriaga. Esta visitante especial é Ana de Arriaga, bisneta do primeiro presidente da República Portuguesa.
O avô de Ana foi Manuel, um dos seis filhos do primeiro presidente da República Portuguesa. Na árvore genealógica do seu ilustre bisavô, Ana aponta-nos sem hesitações a fotografia do avô Manuel. Este foi cônsul de Portugal no Brasil, onde, no Rio Grande do Sul, conheceu uma uruguaia com a qual acabou por casar. O casal regressou a Portugal, tendo depois partido para a África do Sul. Lá, Manuel faleceu num acidente de viação, o que motivou o regresso da sua mulher, Maria Valentina Riet de Arriaga, ao Brasil. Nessa viagem acompanhou-a o filho – pai de Ana – com apenas cinco anos de idade.
Esta passagem pelo Faial é, como explica ao Tribuna das Ilhas, uma “viagem sentimental”. Quando foi convidada para a inauguração da Casa Manuel de Arriaga, Ana conta que ficou desolada por não poder comparecer. Por isso, o marido resolveu preparar-lhe uma surpresa: organizou a viagem aos Açores para que o casal pudesse comemorar o seu 49.º aniversário de casamento a visitar a Casa Manuel de Arriaga.
Sobre esta visita, Ana não encontra palavras para descrever o quanto se emocionou: “foi maravilhoso, acima das minhas expectativas”, conta.
“Sempre aprendemos a amar este avô. A minha avó falou nele a vida inteira”, explica a bisneta de Arriaga. Referindo-se ao bisavô como “o avozinho”, Ana confessa que a seriedade e a rectidão de carácter de Manuel de Arriaga sempre foram as características de que mais se orgulhou.
O orgulho nesta ascendência é algo que Ana, os seus primos e os seus irmãos partilham. Prova disso é o esforço em perpetuar o nome “Arriaga” às gerações seguintes.
No final da visita, Ana confessa que fica com vontade de voltar e garante que a ela seguir-se-ão outros familiares brasileiros que partilham o orgulho neste antepassado que nasceu no Faial e ficou para a história de Portugal como o primeiro presidente da primeira República a surgir no país.