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22
junho

Conhecer o Faial de forma diferente

Escrito por  Maria José Silva/Susana Garcia
Publicado em Reportagem
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As empresas locais de animação turística Hortacetáceos e Casas d’Ávilas, com diversas actividades ligadas à natureza, resolveram formar uma parceria que permite oferecer aos “seus visitantes”, como assim gostam de os designar, uma forma diferente de dar a conhecer o Faial, através da realização de diversos tipos de actividades que vão desde a observação de cetáceos, passeios de jeep ou bicicleta, golfe rústico, passeios  pedestres, entre outras. Pedro Filipe, proprietário da Hortacetáceos, dedica-se à observação de cetáceos, que afirma ser o “melhor trabalho do mundo”.

Filipe Ávila cresceu numa família tipicamente açoriana. Desde cedo criou raízes com a vida de campo e a criação de animais. 

A natureza, o mar, a história, a cultura, a gastronomia e o convívio com as pessoas são a sua paixão. Por sua vontade, fazia passeios todos os dias.

Foi com esta paixão e entusiasmo que nos receberam num projecto por eles criado, designado “Fun Trip”, destinado aos jornalistas locais, com o intuito de apresentar as várias valências das suas empresas.

OBSERVAÇÃO DE BALEIAS

Cerca de duas dezenas de espécies de cetáceos fazem dos Açores um local de eleição para a observação de baleias.

Abandonada a tradição baleeira secular, fruto das crescentes preocupações ecológicas e ambientais, para preservação dos ecossistemas, emergem agora as actividades de whale-watching, com fins recreativos. 

Com estritas regras de preservação ambiental, as experiências de whale watching representam um importante chamariz turístico para os Açores, que, assim, se afirmam como um santuário para quem quer estar mais perto das baleias, sem as perturbar.

No Faial são quatro as empresas marítimo-turísticas que apostam na observação de cetáceos como  cartão de visita, sendo a Hortace-táceos uma delas. Muito recentemente, teve a ideia de promover o projecto “Fun Trip” para dar a conhecer aos jornalistas a sua actividade.

Assim, numa manhã de sábado pouco solarenga, fomos brindados com uma viagem a bordo do semi-rígido Risso, que nos permitiu ver tartarugas, baleias piloto, cachalotes, golfinhos comuns e golfinhos de rissos, para além de cagarros, garajaus e gaivotas. 

Apesar do cachalote ser a espécie de baleia que se avista com maior facilidade e frequência, nos Açores também recebemos a visita de outras espécies tais como a Baleia Azul, Baleia Comum, Sardinheira,  Baleia-Piloto, Falsas Orcas e outras.

Por aquilo que nos foi transmitido por Pedro Filipe, sócio-gerente da Hortacetáceos e o nosso skipper nesta viagem, “as águas dos Açores são indubitavelmente muito ricas. Constituem uma espécie de snack-bar aproveitado por inúmeras espécies de mamíferos marinhos para alimentação.”

Em 2008, Pedro realizou o seu sonho: fazer das baleias o seu dia-a-dia. Nasceu na Parede, mas tem alma alentejana e um pé no Atlântico. Das histórias de infância, contadas pelo pai, ficaram a de Moby Dick e já aí, na luta travada entre o homem e o monstro nadador, era do lado deste que estava. Entre as suas escolhas na vida, estudou psicologia e mais tarde tentou as leis, mas o seu espírito é livre e é ao leme do Risso, que experimenta todos os dias essa liberdade. Apaixonou-se por uma açoriana e em 2003, mudou-se para o Faial. 

Não é “homem cá da terra”, como se diz nas ilhas de Bruma, mas as ilhas já são também dele, pois veio pelo coração e é ao lado da sua mulher, Carla Gomes, bióloga marinha, que vive o seu sonho.

Nas suas viagens, cada dia é uma aventura e é assim que gosta de viver todos os momentos, em especial com aquele que, para ele, é o rei dos mares, o cachalote. 

Quem parte com o Pedro em viagem vem sempre com uma história para contar e, à tardinha, quando vira as costas ao Pico, os seus olhos dizem tudo, depois de um dia feito no mar, e nós não somos excepção… 

A viagem foi aberta aos mais pequenos, pelo que foi interessantíssimo ver os seus olhos a brilhar quando, armados de colete salva-vidas e seguindo escrupulosamente todas as indicações da bióloga que acompanhou a viagem, Ana Sofia Mendonça, viram a primeira espécie da viagem: uma tartaruga que apelidaram de “Bate nos olhos”. 

Uma surpresa interessante, tendo em conta que, e de acordo com o briefing de boas vindas a que tivemos direito ainda em terra, sabíamos que nos esperava uma viagem longa até à costa norte onde, de acordo com os vigias, estavam as baleias. 

Na base foram-nos explicadas as regras de avistamento dos animais; são dadas informações relacionadas com a segurança a bordo, bem como, aspectos curiosos do comportamento das Baleias e dos Golfinhos. 

Com muito humor, estabeleceu-se uma conversa animada que antevia já o clima da viagem. 

“Blóóós!” foi o grito que ouvimos da terra para o mar, quando se começaram a avistar os primeiros animais. 

De terra, os vigias, com potentes binóculos e uma experiência transmitida através dos tempos, comunicavam pelo rádio e pelo telemóvel, dando as indicações da posição e do rumo dos animais. Um trabalho imprescindível para o sucesso de cada viagem e que começa todos os dias com o nascer da primeira luz.

Mar fora fomos sendo brindados  primeiro com golfinhos comuns, depois com cachalotes, baleias piloto, golfinhos de rissos… Enfim, uma diversidade cativante quer para os adultos, portugueses e estrangeiros que iam a bordo, quer para os mais pequenos. 

A educação ambiental é outra das vertentes que este operador tem em mente a cada vez que sai para o mar. De acordo com Ana Sofia, é frequente ver-se lixo a flutuar, pelo que é prática recorrente dos OMT recolherem cabos, garrafas, troncos ou quaisquer outros resíduos que encontrem pelo caminho.

Infelizmente, desta vez, não foi excepção, e presenciamos a recolha de um emaranhado de cabos que já estava a servir de claustro a uns quantos espécimes de peixe porco. 

No regresso a terra a satisfação do dever cumprido e, de volta à base, fomos brindados com um verdelho do Pico e uns biscoitos de côco para retemperar forças. 

Sem dúvida uma manhã bem passada que recomendamos vivamente aos nossos leitores, em especial aos faialenses. 

Esta actividade é aberta a todos sendo que o passageiro mais novo que a Hortacetáceos já transportou foi uma menina de 14 meses. 

É seguro, é bonito, é nosso! 

O preço para locais, em qualquer um dos operadores é mais reduzido do que para turistas. 

Tribuna das Ilhas aconselha.   

PASSEIO DE JEEP

Para conhecer o Faial mais de perto, nada melhor que fazer um passeio de jeep a percorrer as magníficas paisagens da ilha e conhecer as suas tradições, através de caminhos secundários, alguns de terra batida, num contacto directo com a natureza. 

Foi com Filipe Ávila no volante que fomos conhecer a ilha, dessa forma diferente. O ponto de encontro foi a Base da Hortacetáceos. O tempo encontrava-se muito nublado, o que nos deixou algumas dúvidas em relação à realização ou não da visita.

Mas, para Pedro e Filipe, o tempo não pode condicionar as férias dos seus “visitantes”. O objectivo é tirá-los do hotel, por isso há sempre actividades para fazer, faça chuva ou faça sol: “se não conseguimos sair para ver baleias, fazemos um passeio de jeep. Se o tempo não permite, passamos para outro plano, como um city tour”, explicam, frisando que a sua grande preocupação em relação aos turistas é “ocupá-los, fazê-los sentir que valeu a pena vir ao Faial”. Foi nesta lógica – de que há sempre algo que se pode fazer independentemente do tempo - que o nosso passeio aconteceu.

É certo que o nevoeiro, que tem marcado presença constante nestes últimos dias, não permitiu que se apreciasse devidamente a paisagem nem fazer as paragens habituais para a fotografia, mas, quanto a nós, essa foi a parte com menos importância.

Entrámos no jeep e rumámos à primeira paragem: o Jardim Botâ-nico do Faial. O percurso escolhido pelo nosso guia fez-nos passar pela Cônsul Dabney, onde Filipe começou por explicar um pouco da história do Faial, a importância que teve em tempos, nomeadamente através dos cabos telegráficos submarinos, em que a cidade se tornou um im-portante centro de comunicações intercontinental, ligando a Europa à América. Só por aí percebemos que iria ser um passeio muito interessante, diferente de qualquer um que alguma vez tenhamos feito.

O nosso guia tem o trabalho de casa feito. Fala-nos com entusiasmo da história local, segredando que o seu trabalho de Inverno “é ler sobre a história do Faial, cruzar informações, aumentar os conhecimentos”.

Filipe confessa-nos que o contacto com as pessoas é a sua paixão. “Falar sobre a história e a cultura locais” fazem da sua actividade de guia de turismo a profissão perfeita. Houve já quem o acusasse de “dar demasiada informação num dos seus passeios”, revela com uma certa satisfação. “Críticas dessas venham mais!”, diz.

Boa disposição e simpatia são características fundamentais para este profissional, que pode “passar o dia acompanhando por um grupo ou apenas por uma pessoa”, como nos diz, acrescentado que, nos últimos tempos, “têm aparecido muitas pessoas a viajar sozinhas”. “Não é por estarem sozinhas que vão deixar de conhecer a ilha”, refere. 

Esta é, aliás, uma das apostas des-ta parceria: que todos os visitantes saiam do Faial satisfeitos, mesmo que, por vezes, a empresa não retire lucro da actividade: “desde que o cliente saia contente já nos sentimos realizados”, confessa. 

Filipe conta que, por vezes, esses visitantes solitários aproveitam estes passeios para contar a sua vida. “Eles entram no jeep, começam a falar da sua vida pessoal e não me dão oportunidade de fazer o meu trabalho, mas não me preocupo. O importante é que se sintam bem, porque neste trabalho eu lido é com pessoas e se elas precisam de falar eu ouço”, conta.

Esta parceria entre a Hortacetáceos e as Casas d’Ávilas surgiu em 2010 mas só este ano se concretizou efectivamente. No entender dos empresários, a troca de experiência e conhecimentos e até mesmo algumas “discórdias e discussões” permitiram alargar horizontes e melhorar o serviço das suas empresas. 

Os jovens empresários são unânimes em afirmar que o turismo na Região não está a rumar para porto seguro e na direcção mais acertada. Na sua opinião, há demasiadas entidades a tratar da mesma área, que por vezes se sobrepõem, como é o caso da Associação Regional de Turismo e da Associação Turismo dos Açores. 

É neste contexto que os empresários têm na manga um projecto para promoção do Faial, sobre o qual preferiram não levantar o véu, mas que pensam concretizar ainda este ano.

Estes passeios que quer Filipe quer Pedro organizam com grupos à volta da ilha dão aos visitantes uma grande introspecção na beleza natural e riqueza cultural do Faial. Os clientes têm a oportunidade de descobrir as coisas fora dos trilhos turísticos tradicionais, as paisagens pitorescas do interior da ilha, no contacto constante com a natureza. Um passeio feito nas “calmas”, com uma pausa para almoço, num restaurante familiar, onde podem degustar a gastronomia local. Como entrada oferecem o tradicional queijo fresco com malagueta, acompanhado pelo pão de milho, acabado de sair do forno. Como refeição apresentam uma mista de carnes, com linguiça, morcela, febras e batata doce. Como diz Filipe, é “a comida que os nossos antepassados tinham sempre na banha pronta a sair quando aparecia alguém”. 

Pedro veio juntar-se a nós neste almoço, em que o tema da conversa nos fez esquecer do tempo. O entusiamo com que falam dos seus projectos, o gosto que têm pela sua profissão, a sua boa disposição e a forma com que nos prendem à conversa dão-nos outra visão dos guias turísticos.

Neste passeio tivemos a oportunidade de conhecer coisas que, apesar de vivermos no Faial, nunca tínhamos tido a ocasião de conhecer, como foi o caso da casa típica do parque do Capelo, a Escola de Artesanato daquela freguesia e o Bar Fim do Mundo, uma “taberna” à moda antiga, propriedade de um faialense que emigrou para terras da diáspora, por ocasião da Erupção dos Capelinhos e que, ao fim de algum tempo, regressou à sua terra natal para gozar a reforma.

Conversa puxa conversa e nem demos pelo tempo passar. No final da nossa viagem tínhamos feito cerca de 70 km, quando a volta à ilha do Faial pela estrada regional são cerca de 50 km. No final do dia, fica sem dúvida a vontade de repetir a actividade.

A próxima actividade desta Fun Trip está marcada para o dia 24 de Junho, onde os jornalistas serão convidados a ter um primeiro contacto com o Golfe Rústico dos Açores, uma aposta de Filipe Ávila, que tem sofrido vários entraves por parte das entidades governamentais, mas que empresário acredita ter pernas para andar e pela qual pretende continuar a lutar.                      

 
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