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27
junho

Atum açoriano em mercados internacionais

Escrito por  Nuno Avelar
Publicado em Reportagem
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Já são quatro os navios que estão fundeados ao largo da ilha do Faial para proceder à recolha, transformação e congelamento de atum.

As embarcações já receberam cerca de 2500 toneladas de duas espécies de atum patudo e voador.

De acordo com Carlos Ávila, presidente da APASA – Associação de Produtores de Atum e Similares, “ultimamente as conserveiras não estavam interessadas em atum mas sim em gaiado, vulgo bonito, e estes barcos estão a comprar o patudo e o voador, que são as espécies que os nossos atuneiros têm apanhado”.

O negócio satisfaz os armadores da Região uma vez que os preços são superiores aos habitualmente praticados, “pelo que é uma mais-valia para os atuneiros dos Açores” - refere Carlos Ávila da Associação de Produtores de Atum e Similares. 

De acordo com aquele responsável, “as conserveiras estavam a comprar o atum a uma média de 1,25€/kg, independentemente do seu tamanho. O peixe que vai para os navios está a ser vendido numa média de 2,80 euros, sendo que o atum graúdo tem, em alguns casos, chegado aos 3 euros, o que representa um aumento em cerca de 80% do anteriormente praticado”.

O peixe que está a ser vendido com destino ao estrangeiro tem sido capturado, na sua maioria, por atuneiros registados nos Açores e equipados com companhas madeirenses porque, de acordo com Carlos Ávila, os atuneiros locais têm sentido uma enorme dificuldade em arranjar tripulação.

Esta dificuldade está relacionada, conforme explicou, com o facto da má safra de 2000 ter afastado do mar algumas dezenas de profissionais de pesca que, “atendendo aos fracos dividendos desse ano se terem reformado ou refeito a sua vida em terra”.

Sobre a pescaria este ano, Carlos Ávila diz que “está a correr de forma razoável, ainda não pescamos 50% da quota a que temos direito mas isso deve-se não com o facto de haver menos peixe, mas com o facto de haver falta de isca, mormente o chicharro”.

Carlos Ávila andou ao atum durante 38 anos e tem dois atuneiros. Encara esta procura do nosso pescado por parte do exterior como um indício positivo, “vejo futuro na pesca do atum, aliás, é uma pescaria que tenho defendido desde a década de 60. O facto de o nosso peixe já ser procurado em fresco é sinónimo de um futuro risonho para a safra”.

Questionado sobre a necessidade de aumentar a quota, que, no que diz respeito ao atum patudo, Portugal manteve em 2012 em 5.050 toneladas enquanto que o atum voador ficou as suas capturas nas 2.530 toneladas, Carlos Ávila diz que “tudo depende da captura porque a verdade é que se aumentar temos mais margem de manobra e evitamos que se corram riscos como os do ano passado”.

Refira-se que no ano passado a pescaria do atum atingiu as quotas limites e a meio da época houve atuneiros que tiveram mesmo que parar porque não tinham quota.

O representante dos pescadores diz que “o governo sabe dos nossos anseios e tem feito pressão para que a quota aumente, todavia, isso são decisões da Comunidade Europeia…”

Os quatro navios estão nos Açores a pedido de três empresas regionais que pretendem lucrar com a ausência de atum noutros pontos do globo, explicou o Subsecretário Regional das Pescas, Marcelo Pamplona que adiantou ainda que “existiu uma apetência pelos atum dos Açores que permitiu o investimento para que viessem até cá estes navios”.

Esta operação é, conforme explicou o governante, acompanhada e registada em lota e pelas autoridades regionais, “o pescado é desembarcado com um funcionário da Lotaçor a bordo para verificar as quantidades. A operação de transbordo é acompanhada pela Inspecção Regional das Pescas”.

A pesca do atum que se realiza no Arquipélago dos Açores é designada por pesca de salto e vara, devido às características das artes utilizadas, ou por pesca com isco vivo, porque utiliza pequenos pelágicos vivos como isco.

É uma pesca activa e dinâmica que passa pela procura dos cardumes de atum na superfície e pela sua atracção para junto da embarcação com isco vivo.

Depois de capturado, o peixe é cuidadosamente manuseado para que possa resistir o máximo de tempo possível.

No final da década de 90 tornou-se claro que a indústria atuneira dos Açores seria penalizada se não conseguisse garantir o estatuto “Dolphin safe” para os seus produtos e derivados. Tornou-se por isso urgente encontrar uma solução. O Programa de Observação para as Pescas dos Açores (POPA) surgiu como resposta a essa necessidade em 1998, assegurando que as capturas de atum nos Açores não provocavam mortalidade ou molestação intencional de cetáceos. Este estatuto, atribuído a nível internacional pela ONG EII, é desde então concedido à frota e produtos da pesca do atum Açorianos com base nos resultados do Programa.

Importa ainda referir que em Novembro de 2011 a Comissão Internacional para a Conservação dos Atuns do Atlântico (ICCAT), reunida na Turquia definiu que a captura de atum bonito, a espécie com maior rendimento na região e que abastece a indústria conserveira do arquipélago não teria limites. 

Aprovou também um plano plurianual de gestão que poderá traduzir-se numa melhoria das reservas de atum patudo, com benefícios a prazo para as pescarias açorianas.

A ICCAT, enquanto entidade internacional gestora das capturas de atum no Atlântico, fixa as possibilidades de pesca para os vários operadores (países ou associações de países), cabendo à Comissão Europeia a redistribuição de quotas pelos estados-membros com base no historial de pesca das frotas comunitárias face aos limites autorizados.

A título de curiosidade registe-se que a primeira venda de todo o pescado fresco, constitui um serviço público, cuja gestão compete em exclusivo à LOTAÇOR - Serviço de Lotas dos Açores, S.A..

Nas operações de segunda venda, na comercialização de pescado fresco, só é permitida a intervenção de um intermediário. Toda a venda de pescado deve ser efectuada na base de preço/quilograma e pesado em balanças devidamente aferidas.

 

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