São cerca de uma centena os profissionais de saúde que estão a participar no 9.º Curso do Diabético que decorre na Biblioteca Pública e Arquivo João José da Graça desde o dia 27 de Junho e que termina sexta-feira.
Este curso, que se realiza de dois em dois anos na nossa cidade, por iniciativa da Consulta de Medicina e Diabetes e a Associação dos Amigos do Serviço de Medicina do Hospital da Horta, tem como principais objectivos a actualização de conceitos no que respeita ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento de doentes diabéticos.
O programa iniciou-se com um curso sobre “Alimentação – regras gerais e contagem de hidratos de carbono”.
O primeiro dia dos trabalhos, quinta-feira, foi preenchido com uma mesa redonda sobre internamento, que foi abordado nas suas vertentes críticas e programadas. Foi ainda discutida a alta para os cuidados primários e a diabetes em tempos de crise, bem como a diabetes e o risco cardiovascular e a prevenção a ter no tratamento.
Foram ainda apresentados temas como a diabetes no idoso e os objectivos do tratamento; a insulina na DM2 e os tratamentos para as feridas e pé diabético.
Hoje, sexta-feira, os trabalhos iniciaram-se pelas 09h30 com uma mesa redonda sobre esta doença a que se seguiu uma palestra sobre metformina. Houve ainda uma abordagem à diabetes prévia, gravidez e fármacos e algumas recomendações no tratamento da dislipidemia na IRC.
Os trabalhos de hoje abordam ainda a diabetes e a insuficiência renal bem como as novas guidelines da ADA/EASD.
À margem do curso Fátima Pinho, médica do Hospital da Horta, disse aos jornalistas que “com nove anos de existência a nossa maior preocupação quando promovemos um curso desta índole é tratar os diabéticos que são muitos na nossa ilha e quando a maior taxa de diabéticos em Portugal é registada nos Açores.”
De acordo com esta profissional de saúde, os dados recolhidos a nível nacional apontam para uma taxa de 14,3% de doentes de diabetes nos Açores.
Sobre o Faial em concreto Fátima Pinto diz que a situação é preocupante, sendo esta uma patologia que afecta, essencialmente, a população idosa, no entanto, “já temos alguns casos de gente jovem com diabetes tipo 1, se bem que esta é uma variante da diabetes que tem especial incidência nas crianças obesas, o que no Faial não acontece muito.”
Instada a pronunciar-se sobre os benefícios efectivos deste curso quer para os doente quer para os serviços de diabetologia, Fátima Pinto diz que “a actualização permanente é muito importante. Importa estarmos atentos ao que se vai fazendo e às alterações que as orientações internacionais vão estipulando.”
“Há falta de conhecimento e falta de aceitação em relação às nossas orientações”, diz Fátima Pinto que acrescenta que “diariamente me debato com um problema grave que se trata do excesso de peso que as pessoas não assumem ter e que contribui directamente para a diabetes. Poderá haver, em alguns casos, alguma base genética, mas penso que não há dúvida nenhuma de que a obesidade tem que ser combatida para assim se combater a diabetes.”
A profissional diz que, mais do que ser vista como uma doença menos, a “diabetes não dói e como não dói as pessoas não se preocupam como deviam, se bem que é uma doença que cada vez mais está muito associada às doenças cardiovasculares e como tal tem que ser encarada de frente”.
Assim sendo, a população tem que estar atenta, “não podemos estar à espera que os sintomas apareçam para que se faça o teste. É importante que a população faça testes regularmente para que possa detectar e tratar a doença numa fase o mais inicial possível.”
Casos de diabetes na família, obesidade, diabetes gestacional são aspectos que podem indiciar um caso de diabetes, pelo que há que fazer o teste com regularidade.