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06
agosto

VII Encontro Internacional de Vela Ligeira - Access em destaque na Semana do Mar

Escrito por  Maria José Silva
Publicado em Local
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A vela nos Açores e mais concretamente na Ilha do Faial é mais do que pequenos barcos a navegar no horizonte, congrega em torno de uma prática recreativa, desportiva e terapêutica todos os elementos de uma comunidade. 

O Projeto Vela Para Todos – Faial Sem Limites, visa a inclusão de todos na prática da vela, destruindo barreiras e preconceitos que ainda possam existir, dando o seu contributo para a construção de uma Sociedade mais justa e aberta à diferença.

Na edição 37 da Semana do Mar vamos ter, pela primeira vez, um Encontro Internacional da classe Access.

A vela é no Faial quase como que um objecto de culto. 

Entrar na baía da Horta é sentir a história que os ventos vindos do Monte da Guia e da Ponta da Espalamaca trazem, pelo que não é nada estranho ou sequer “esquisito” que pessoas portadoras de deficiência tenham aprendido a velejar. 

A iniciativa foi da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial e do Clube Naval da Horta e surgiu em Janeiro deste ano num projecto intitulado de “Vela para todos, Faial sem limites”. 

No coração deste projecto está a quebra de barreiras que impedem pessoas com deficiência de praticarem vela.

De acordo com João Duarte, treinador e técnico da APADIF, “no fundo o desporto está a contribuir para eliminar as barreiras física e psicológicas que muitas pessoas têm em relação quer à deficiência, quer às necessidades das pessoas com deficiência”. 

A abrangência de públicos tão diferenciados que o projecto apresenta (crianças, jovens e adultos com ou sem deficiência, comunidade escolar e população idosa), só se torna possível com a aquisição de embarcações que permitam adaptar a actividades de vela às características dos praticantes.

As embarcações da classe Access, são uma referência mundial no âmbito da vela adaptada, enquadrando-se nos objectivos do projecto.

Esse barco acabou por surgir doado pela Companhia do Bacalhau. Desde então o barco, baptizado de “Bacalhau” vai para a água 16 horas por semana e tem cerca de quatro dezenas de praticantes assíduos. 

Importa referir que o “Bacalhau” é controlado através de um joystick, possível de ser controlado com a mão, com o pé, com o queixo, ou com qualquer outra parte móvel do corpo.  Tem um casco côncavo, pelo que é muito estável. Para além disso tem um   sistema enrolador da vela no mastro, que substitui os rizos, ajusta a vela a várias condições de vento, sem necessidade do velejador sair do lugar. O seu patilhão central lastrado, torna o Access quase impossível de virar e aposição do velejador sentado, virado para a proa e no fundo da embarcação, em vez da posição lateral, promove uma maior estabilidade.

“Quando apresentámos o projecto ao CNH pretendíamos promover a criação de uma escola de vela para todos, onde entre outras as pessoas com deficiência pudessem participar. Não queremos uma escola exclusiva para pessoas com deficiência, nem uma escola de vela só para pessoas ditas normais. Queremos construir algo de novo e inovador que permita o acesso a todas as pessoas, independentemente do tipo de deficiência, idade, sexo, raça ou religiões, na defesa do direito à diferença e igualdade de oportunidades” - referiu João Duarte ao Tribuna das Ilhas. 

De acordo com o técnico, “a vela como actividade física é um desporto com características muito próprias que desenvolve capacidades variadas, transmitindo ao praticante confiança e autonomia suficiente para ultrapassar situações difíceis que possam surgir no dia-a-dia, favorecendo a auto-estima e a valorização pessoal dos seus praticantes.

Ao criarmos uma escola de vela para todos, que promova o direito à diferença e a igualdade de oportunidades, damos o nosso contributo para a mudança de mentalidades, abrindo portas para uma sociedade mais justa e tolerante, onde todos podemos participar e interagir.

 

O Encontro

Integrado no Encontro Internacional de Vela Ligeira que à seis anos a esta parte enche a baía da Horta de velas ao vento, vai decorrer o I Encontro Internacional de Acess. 

O Clube Naval da Horta vai participar com 3 atletas: Lício Silva, Rui Dawling e Libério Santos. 

Participarão igualmente velejadores de Viana e da Escola Nacional. 

Ao todos 6 barcos estarão no mar na classe 203.

Os velejadores do Acess 303; Jorge Costa, Vitor Cardoso, Carlos Cardoso e Márcio Sousa também estarão em prova. 

João Duarte é o treinador destes velejadores que conta com o apoio do terapeuta ocupacional Nilzo Fialho. 

Enquanto treinador diz que “este tem sido um trabalho muito gratificante. As pessoas têm aderido e têm gostado. É uma actividade que exige muito trabalho e algum esforço, mas as coisas têm corrido bem.”

Satisfeito, João Duarte diz que “mesmo que só tenham passado seis meses os resultados obtidos têm sido muito positivos devido, sobretudo, ao número consistente de participantes que regista”. 

João Duarte pratica vela desde pequeno, pelo que podemos dizer que o mar lhe corre nas veias... trabalhar com pessoas com deficiência foi algo que sempre o fascinou e foi nesta direcção que orientou a sua formação profissional, “há muito tempo que tinha esta vontade de conciliar estas duas actividades, de trabalhar pela inclusão destas pessoas e de torná-las mais activas e envolvidas na sua comunidade. Depois de encontrarmos parceiros que suprimiram as questões logísticas e financeiras, pôr as coisas a andar não é complicado”. 

Quanto aos benefícios concretos que a prática da vela por pessoas com deficiência podem trazer a estas pessoas, João Duarte diz que “os benefícios são os mesmos quer para os portadores de deficiência quer para a população sem deficiência, todavia, se tivermos em linha de conta que há pessoas que só saem de casa quando vão aos treinos da vela. Isso obviamente tem um impacto muito grande para estas pessoas”. 

 
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