Pela quarta vez consecutiva, o PSD/Açores aposta em Jorge Costa Pereira para liderar a candidatura laranja pelo Faial às legislativas regionais. Vice-presidente da Assembleia Regional na legislatura que agora termina, Costa Pereira assume-se como escolha provável para a cadeira da presidência daquele órgão caso o PSD ganhe as eleições de Outubro. Em entrevista ao Tribuna das Ilhas, o candidato considera, no entanto, ser prematuro analisar essa questão antes do acto eleitoral. Costa Pereira explica que a proposta laranja para a ilha passa por conferir-lhe um lugar de destaque no desenvolvimento de uma economia do mar, por dinamizar o seu sector agro-pecuário e também por dotá-la de melhores acessibilidades. Neste sentido, assume a ampliação da pista do Aeroporto da Horta como uma bandeira, e defende uma solução que envolva o Governo da República mas também a comparticipação do investimento ao abrigo do futuro quadro comunitário de apoio. A emergência de um novo quadro comunitário é, de resto, um dos aspectos que norteia o PSD, que quer preparar investimento reprodutivos para a região que possam contar com verbas de Bruxelas.
Costa Pereira defende também que o Faial merece mais destaque no todo regional e acusa o Governo socialista de faltar à verdade aos açorianos num cenário de dificuldades económicas como o que se atravessa.
Está neste momento a candidatar-se a um quarto mandato na Assembleia Legislativa Regional. O que é que o leva a, mais uma vez, aceitar este desafio?
Aceitei o convite do PSD porque eu e toda a minha lista acreditamos que podemos ter um papel importante na defesa do lugar que o Faial deve ocupar no contexto regional, sobretudo se acontecer o que esperamos, que é uma vitória do PSD. Achamos que os faialenses estão cansados de terem representantes seus ao lado do Governo que estão sempre disponíveis para aceitar de forma silenciosa tudo o que este faz, mesmo que não seja positivo para os interesses da ilha. Temos uma lista que pode trazer, em caso de vitória do PSD, uma mais-valia na recolocação da importância do Faial no contexto regional, pois achamos que esse lugar não tem sido defendido. Queremos ter um papel importante nessa defesa, e dissemo-lo em público e olhos nos olhos à líder do PSD. Se for preciso escolher entre o Faial e o PSD não hesitaremos em escolher o Faial, porque é isso que os nossos eleitores nos solicitam, é isso que os faialenses esperam de nós e é disso que o Faial precisa.
O PS e o Governo têm acusado o PSD de incoerência, por, por um lado, denunciar o que considera ser a má situação financeira dos Açores e, por outro, prometer obras de milhões de euros e aumentos dos apoios sociais. Como é que o seu partido tenciona cumprir essas promessas no actual cenário?
Essa é uma situação que importa esclarecer. Temos assistido, nos últimos anos, a uma campanha de marketing bem estruturada por parte do Governo Regional para fazer de conta que nos Açores a situação está melhor que em todo o lado. Aqui está sempre melhor do que na Madeira e do que na República. O que importa é as pessoas pensarem pela sua cabeça e não se deixarem influenciar por esta capacidade imensa de marketing.
Se as finanças dos Açores estão tão bem como dizem que está, por que é que o Governo Regional vendeu a Autonomia a troca de 135 milhões de euros no memorando de entendimento que fez com a República? Por que é que, se estávamos tão bem, tivemos necessidade de pedir dinheiro para pagar dois empréstimos que venciam em Agosto e para os quais já não tínhamos meios? A situação dos Açores é grave e preocupante e exige medidas diferentes por parte de um futuro governo dos Açores.
É preciso entrar numa época de governação em que se fale verdade às pessoas. As pessoas têm o direito de saber a verdade e os governos têm o dever de esclarecer os cidadãos sobre a verdade das finanças públicas. Quando se diz que a situação das finanças públicas não é boa é quando a comparamos com o cenário que o PS traça. A situação económica dos Açores não é o mar de rosas que Governo e PS dizem que é.
Estamos no fim de um quadro comunitário de apoio; numa época de transição entre este e um novo quadro. Esta é uma altura de definição e o pior que podemos fazer é ficar parados à espera que as coisas aconteçam. O PSD está a trabalhar para propor aos açorianos uma alteração da forma de governar mas também um conjunto de investimentos com uma perspectiva diferente: investir não para satisfazer “cliques” aqui ou acolá mas para ter efeitos produtivos na economia, porque desenvolvendo a economia gera-se emprego, que é a nossa outra grande carência.
Queremos trabalhar falando verdade e preparando os investimentos com vista a que, quando surgir o novo quadro comunitário de apoio, aqueles que seja necessário candidatar estejam prontos. Queremos também que esses investimentos tenham por objectivo o sector produtivo e o emprego. É neste quadro que se devem avaliar as propostas que os partidos estão a fazer. E isso não é nenhuma incoerência com a constatação de que a situação económica da Região é preocupante.
Vamos a votos numa altura em que as medidas de austeridade tomadas pelo Governo PSD/CDS-PP na República prejudicam os açorianos. Teme que esta situação possa jogar contra o PSD neste acto eleitoral?
É um risco, mas acho que Berta Cabral e o PSD/Açores têm dado bastas provas de que a nossa Autonomia não é uma palavra vã, é para valer. O primeiro-ministro governa Portugal. Nos Açores governam o Governo Regional e a Assembleia Regional. Sempre que o Governo da República implemente medidas a nível nacional que não tenham de ser implementadas nos Açores, o Governo Regional é que vai decidir se essas medidas devem ou não ser aqui implementadas.
Além disso, e independentemente das medidas da República, temos de ter consciência de que nestas eleições não estamos a avaliar Passos Coelho nem o seu Governo. Estamos a avaliar o Governo Regional dos Açores e vamos escolher o presidente do Governo Regional dos Açores e a próxima Assembleia Regional. Portanto, temos de escolher quem achamos que tem mais experiência e capacidade de resolver os problemas que os Açores enfrentam. Os açorianos têm dois caminhos: ou acham que está tudo bem e continuam como estão, e continuamos com os que nos levaram ao maior número de desempregados da história, à situação económica em que a Região teve de ir pedir dinheiro a Lisboa e hipotecou com isso a sua Autonomia, ou damos ao PSD e a Berta Cabral a oportunidade de mostrar que é capaz de fazer pelos Açores o que fez por Ponta Delgada.
Que medidas e investimentos defende o PSD para o Faial?
A situação actual do Faial preocupa-nos. Olhamos para o conjunto dos investimentos feitos na ilha e não encontramos nenhum objectivo claro, porque tem faltado no Faial uma estratégia de desenvolvimento. Temos de pensar no que queremos atingir enquanto comunidade dentro de alguns anos.
Achamos fundamental criar oportunidades para todas as ilhas. E para que cada ilha consiga ter a oportunidade que a faça desenvolver-se no todo regional, importa definir e conhecer a sua vocação específica, saber qual é a sua mais-valia no conjunto dos Açores e transformar essa mais-valia na forma de potenciar o seu desenvolvimento.
Neste quadro, há três objectivos fundamentais para o desenvolvimento do Faial. O primeiro, e prioritário, é a aposta naquela que é a especificidade maior da ilha, que é o seu lugar na nova economia do mar. A grande aposta de futuro no Faial como centro dessa economia do mar passa por um conjunto de investimentos que já estão a ser equacionados mas que queremos que se tornem prioridade. Falo do reordenamento do sector das pescas do nosso porto, da instalação das empresas marítimo-turísticas, da ampliação da marina, da frente de mar… Há, neste domínio, um conjunto importante e prioritário de investimentos a fazer. E para reforçar este lugar central do Faial necessitamos de acessibilidades, daí a prioridade que damos à ampliação da pista do Aeroporto da Horta. Este é um objectivo importante cuja calendarização e execução têm de ser adaptadas aos tempos que vivemos e às disponibilidades financeiras que conseguirem mobilizar.
Quem é que, na sua opinião, deve garantir a ampliação da pista, num cenário de privatização da ANA?
Temos já um compromisso público assumido pela líder do partido de que a solução para a pista do Aeroporto não pode continuar a ser a que até aqui se dizia. A promessa inicial de Carlos César, em 2000 nos Flamengos, foi de que se a ANA ou o Governo da República não ampliassem a pista, o Governo Regional o faria.
E este é o registo correto. Ora, é já claro há muitos anos que nem a ANA nem o Governo da República querem assumir esse investimento. Por isso, impõe-se que ele seja assumido como um objectivo político regional claro, e é assim que o PSD o encara. Assumido assim, importa garantir a seguir, para a sua concretização, o envolvimento do Governo da República e o enquadramento do investimento no novo quadro comunitário de apoio. Enquanto Vasco Cordeiro diz que esse deve ser um investimento da República, nós achamos que se continuarmos com esse discurso nunca teremos a ampliação da pista. E daí a importância do compromisso político assumido pela líder do PSD.
A ampliação garantirá um aumento das margens de segurança da operação aérea, a nossa acessibilidade a outros mercados, em termos de voos directos, e que a operação deixe de estar penalizada nas cargas. Este é um conjunto de mais-valias importantes que faz deste um investimento prioritário.
Em relação às acessibilidades, consideramos também a conclusão da Variante como uma prioridade. A Variante vem libertar a cidade para um conjunto de investimentos que nunca foram feitos mas que são necessários. A nossa cidade não é capaz de respirar, em termos de trânsito. Com a Variante ganha-se uma libertação do centro da cidade que permitirá outros investimentos e a devolução de algumas ruas aos peões com o seu possível encerramento ao trânsito…
Para além do desenvolvimento da economia do mar e das acessibilidades, há um terceiro pilar fundamental na ideia do PSD para o Faial, que é o sector agro-pecuário. É ele que garante a nossa paisagem, e portanto a imagem que os Açores têm. Além disso, é um sector produtivo essencial. Aqui temos duas preocupações fundamentais: apostar na diversificação agrícola e enfrentar os problemas das fileiras do leite e da carne.
Trabalhando estes três pilares como alicerces do nosso desenvolvimento pretendemos levar a um crescimento da nossa economia que resulte numa activação do mercado e na criação de novas oportunidades de emprego. Esse é o nosso drama: o Faial está limitado a uma economia de 15 mil pessoas, que não é capaz de gerar novos empregos e isso penaliza-nos de tal forma que a maior parte dos nossos filhos não consegue regressar mesmo que queira, porque aqui não há oportunidades de emprego.
Leia a entrevista completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 14.09.2012 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário