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21
setembro

Mário Moniz, primeiro candidato do BE pelo círculo eleitoral do Faial às legislativas regionais - “É inconcebível falar do reordenamento da frente de mar da cidade sem ter em conta o saneamento básico”

Escrito por  Susana Garcia
Publicado em Entrevistas
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Mário Moniz, 57 anos, volta a ser a aposta do BE no Faial, depois de já ter liderado a candidatura bloquista na ilha em 2008. Na legislatura que agora terminou, ocupou o cargo de deputado em regime de rotatividade com o terceirense José Cascalho. Fazendo um balanço positivo do trabalho desempenhado nestes 4 anos, espera que em Outubro os faialenses lhe dêem votos suficientes para ser eleito pela ilha. 

Sobre os investimentos prioritários para o Faial, chama a atenção para a segunda fase da Variante à cidade, defendendo que só após essa obra será possível intervir na Avenida e realizar a obra do saneamento básico. Esta, entende, é imperativa e merece a intervenção do Governo Regional. Mário Moniz defende também um Plano Integrado de Transportes a nível regional e assume como bandeira propor em plenário uma alteração ao PROTA que elimine o artigo que deixa em aberto a possibilidade da implementação de plataformas logísticas. A ampliação da pista do Aeroporto, as Termas do Varadouro, o sector agrícola e a investigação científica foram outros dos temas em análise nesta entrevista.

 

O que o leva a, pela segunda vez, encabeçar a lista do BE pelo Faial?

Da primeira vez que me candidatei fiz apenas uma promessa, a de estar sempre atento a tudo e fazer o possível e o impossível para defender as pessoas e não permitir que se fizesse, de ânimo leve, legislação contrária ao interesse dos Açores e das pessoas que cá vivem. Estou convencido de ter correspondido à confiança dos votos que foram depositados no BE e que permitiram o meu exercício como deputado nesta legislatura que agora acaba.

Como foi ser um deputado faialense numa bancada com uma expressão reduzida, como é o caso da do BE?

Desempenhei o cargo de deputado através do círculo de compensação mas sempre tive o apoio do grupo parlamentar em todas as iniciativas de defesa do Faial, como por exemplo na luta pela ampliação da pista do Aeroporto, pelas Termas do Varadouro e pela Casa Manuel de Arriaga, onde considero ter tido um papel determinante para que a obra fosse acelerada, embora não tenha terminado no período desejado. Estive também na linha da frente na luta contra a deslocalização da nossa indústria de conservas, contra o esvaziamento da Radionaval e contra a criação de plataformas logísticas. Esta última foi uma luta dura que ainda não acabou. Tenho plena consciência da coerência das iniciativas que tive e da firmeza com que defendemos as nossas ideias. Estou convencido de que isso justifica a confiança e a simpatia que os açorianos têm depositado em nós.

Neste momento, que análise faz da ilha do Faial?

Costuma dizer-se que os sítios são aquilo que as pessoas querem que sejam. Mas têm havido forças exteriores ao Faial que não têm permitido um maior desenvolvimento da ilha. São opções de quem governa que normalmente partem de determinadas pressões de grupos económicos que fazem com que o Governo opte por uma iniciativa em detrimento de outras que não terão tanto interesse, até do ponto de vista do apoio em futuras eleições. Há forças vivas no Faial que, com o devido apoio, conseguiriam fazer com que a ilha tivesse uma pujança diferente no contexto regional e nacional. 

Não podemos é correr atrás do prejuízo. Por isso, temos de nos focar naquilo em que somos diferentes e estamos à frente. E temos, no caso do Faial, uma situação ímpar, que está relacionada com o Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores.  Há todo o interesse em apoiá-lo e criar melhores condições para o desenvolvimento da investigação científica. É necessário facilitar uma estreita colaboração entre cientistas e profissionais da pesca com vista à rentabilidade e sustentabilidade do sector. 

O BE tem-se batido para que o DOP se constitua como um ponto de partida para um pólo de investigação na área das ciências do mar de importância internacional. Quer a sua localização natural, quer toda a pujança que já criou, apontam para isso.

Se hoje a biologia marinha nos Açores é reconhecida mundialmente, isso deve-se aos cientistas que trabalham no DOP e apresentam as suas descobertas e trabalhos em revistas científicas conceituadas e em conferências por todo o mundo.

Num cenário de dificuldades financeiras como o que actualmente se vive, teme que a tripolaridade da Universidade dos Açores possa ser posta em causa, e com isso o trabalho do DOP fique em perigo?

Esta tripolaridade estaria em perigo se tivéssemos tudo igual em todo o lado. Felizmente isso não acontece. A Universidade é um exemplo para a Região, no sentido em que dá relevo ao património natural inato de cada pólo, para que não haja concorrência.

Penso que o DOP irá passar momentos complicados devido à situação financeira que se vive, mas julgo que a Universidade dos Açores já interiorizou que a tripolaridade é a melhor solução.

Nós sabemos, aliás, que já existem grandes dificuldades. Há mais de 10 anos que no DOP não existem vagas para trabalho permanente. Grande parte da ciência ali realizada é feita à custa de jovens bolseiros que têm uma situação instável. Nunca sabem o que lhes vai acontecer no ano a seguir e têm grande dificuldade em levar a cabo as investigações de longa duração, devido à falta de verbas da Universidade. O DOP tem instalações novas e laboratórios equipados com tecnologia de ponta que foi financiada pela Região, mas não existem poucos trabalhos realizados com estes equipamentos, por falta de pessoal qualificado para os operar. É preciso criar emprego qualificado e dar estabilidade à investigação científica. Uma das nossas grandes lutas tem sido a fixação de mão-de-obra especializada nos Açores. A vinda de pessoas qualificadas traz um maior dinamismo da economia porque provoca a criação de outros serviços e novos empregos.

Que investimentos pretende defender para o Faial caso seja eleito?

Seja ou não seja eleito, irei sempre lutar por eles da forma que for possível. 

Temos de ter a consciência de que não podemos replicar em todas as ilhas aquilo que se faz numa. O que queremos é lutar para que existam condições para o desenvolvimento de todas. Nesse sentido, temos de nos preocupar com a ordem com que as coisas têm que ser feitas. A segunda fase da Variante à cidade da Horta neste momento é uma prioridade. Esta obra não pode ficar na gaveta porque dela dependem outras coisas. É necessário criar condições logísticas que permitam o saneamento básico e o reordenamento da frente de mar. Se não houver condições para deslocar o trânsito da Avenida 25 de Abril e do centro da cidade é impossível avançar com essas obras. A segunda fase da Variante uma obra que não será cara mas que é primordial, e deve avançar rapidamente, para que se criem condições para fazer as outras obras.

O saneamento básico é uma obra que à partida seria feita pela autarquia, no entanto, no actual cenário, esta já deu mostras de não a poder concretizar. Acha que a Região deve ter um papel neste processo?

Tem de haver uma intervenção da Região. A obra do saneamento básico terá um papel importante na criação de emprego, que é a principal preocupação neste momento, para que se possa dinamizar a economia e tirar as pessoas do limiar da pobreza. Nesse sentido, entendemos que o Faial deve apostar numa rápida reabilitação urbana. Na nossa cidade existem muitos edifícios, públicos e privados, em avançado estado de degradação, que constituem até um perigo para a segurança e para a salubridade. A reabilitação desses edifícios permitirá a criação de postos de trabalho no sector da construção civil, que é precisamente o que atravessa um mais elevado índice de desemprego. Mas, para isso, seria importante fazer primeiro a obra do saneamento básico, daí que defendamos que a Região apoie a autarquia na sua concretização. Neste momento, com o aumento das restrições financeiras, será de todo impossível o município assumir sozinho este empreendimento, que tarda e coloca a nossa cidade em desvantagem. Achamos que é um investimento inadiável. É inconcebível falar do reordenamento da frente de mar sem ter em conta o saneamento básico da cidade. Por isso todas as promessas que temos ouvido neste tempo de eleições são enganadoras. É impossível fazer umas coisas à frente das outras. 

Uma má priorização destas obras pode impedir o desenvolvimento e a construção de outras. E temos exemplos dessas situações: o facto de ter havido uma redução na obra do novo porto vai inviabilizar que haja um maior desenvolvimento daquela estrutura. Temos um terminal muito bom mas não sabemos qual será a sua funcionalidade numa das suas componentes principais, que é a recepção aos navios de cruzeiro. 

E o que pensa em relação à ampliação da pista do Aeroporto?

É prioritária. Por um lado, por uma questão de segurança. Sabemos que a aeronáutica tem uma segurança muito especial, mas queremos que as pessoas se sintam seguras, que não tenham medo de viajar para o Faial. Por outro lado, temos de acabar rapidamente com tantos cancelamentos pelo facto do avião não poder viajar com determinado peso em condições meteorológicas menos boas devido a penalizações impostas pela dimensão da pista. Tudo isto traz prejuízo para a nossa economia. É necessário que, logo que possível, a pista seja ampliada para reunir as condições de operacionalidade ideais.

Mas não podemos deixar de confrontar esta obra com o cenário de privatização da ANA…

A posição do BE é de que a ANA não devia ser privatizada. Entrou-se numa fase de esbanjamento de tudo o que é do Estado. Se reparar, são os transportes, a saúde, a educação, a água… Tudo o que é básico, tudo o que são monopólios naturais, que deve estar na esfera do Estado e não servir para lucros fáceis de interesses privados.

 

Leia a entrevista completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 14.09.2012 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário

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