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09
novembro

Câmara do Comércio da Horta quer regularizar situação com fornecedores até meados de 2013

Escrito por  Marla Pinheiro
Publicado em Reportagem
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Hoje, 9 de Novembro, a Câmara do Comércio e Indústria da Horta (CCIH) assinala 119 anos. Tribuna das Ilhas aproveitou a ocasião para falar com Humberto Goulart, que assumiu a presidência da instituição em Maio passado, altura em que esta se via a braços com uma situação financeira desastrosa, com mais de meio milhão de euros de dívidas a fornecedores e vários meses de ordenados em atraso. À nossa reportagem, o presidente disse estar a seguir uma receita assente na proximidade aos cerca de 380 associados, para conquistar e manter a sua confiança, ao mesmo tempo em que apostou na definição de prioridades. A primeira, regularizar salários, já foi alcançada. Agora, pôr as contas em dia com os fornecedores é o objectivo que Humberto espera alcançar até meados de 2013. A reabilitação da sede é também uma ambição para o presente mandato.


Fundada em 1893, então com a designação de Grémio do Comércio da Horta, a CCIH foi uma resposta à necessidade de associativismo que os empresários sentiam. A defesa dos interesses do empresariado das ilhas Faial, Pico, Flores e Corvo tornou-se o principal desígnio da instituição.

Ao longo de mais de um século de história, a CCIH passou por períodos de dificuldade. Os últimos anos são, sem dúvida, um desses períodos. Há cerca de cinco meses, a anterior Direcção da CCIH, liderada por Ângelo Duarte, deu lugar a uma nova, chefiada por Humberto Goulart, que tinha ocupado o cargo de vice-presidente na direcção anterior. O principal desafio da nova direcção era superar a situação financeira desastrosa, com mais de 800 mil euros de dívidas à banca e a fornecedores, tendo já hipotecado o bem-estar dos funcionários da casa, com vários meses de ordenados em atraso.

Cinco meses depois, muitas coisas mudaram, mas a situação continua longe de ser um mar de rosas, como reconhece ao Tribuna das Ilhas Humberto Goulart, sentado à mesa de reuniões nas instalações da CCIH. Esse tem sido, aliás, um local onde tem passado muito tempo. O novo presidente fez da passagem diária pela sede uma rotina, e é lá que passa as manhãs, recebendo os associados. A ideia é mostrar a todos o principal objectivo da Direcção que lidera, em funções até 2015: “o nosso objectivo é muito simples: estar junto dos empresários. Queremos estar muito presentes. É uma altura difícil, para as famílias e para as empresas, por isso apostamos na proximidade”, explica.

Os primeiros meses do mandato foram dedicados à “arrumação da casa”. Humberto explica que tem havido uma preocupação em dinamizar o Gabinete de Incentivos da CCIH, responsável por ajudar os empresários com os projectos que depois são submetidos à Secretaria Regional da Economia em busca de financiamento. A par da importância desta valência, o presidente destaca os gabinetes da Formação e da Higiene e Segurança no Trabalho. Em tempo de crise, Humberto destaca o papel destas valências na formação do tecido empresarial faialense, procurando-o fortalecê-lo face às adversidades. Nesse sentido, explica que a CCIH pretende desenvolver novas formações, adequadas à situação actual. Outro objectivo por cumprir é a dotação da instituição de um jurista, que auxilie os associados nas questões legais. A altura é de contenção, por isso o presidente procura alguém recém-formado, com disponibilidade para ingressar no programa de estágios do Governo Regional.

No desenvolvimento de um mandato de proximidade, a CCIH está a promover um sistema de reuniões periódicas: “juntamos todos os empresários, sempre num restaurante nosso associado, onde fazemos mesas redondas e todos falam dos seus problemas. No final, juntamos alguns temas para, até à próxima reunião, resolvermos. Marcar reuniões, fazer contactos, desbloquear situações… é esse o trabalho da CCIH. Cada empresário paga o seu prato, e isso contribui também para dinamizar os restaurantes”, explica Humberto. A receita, garante, está a resultar, e a prova é que, desde que a nova Direcção entrou em funções, a CCIH contou com a adesão de mais 15 sócios. “Para nós também é gratificante ver os associados à nossa volta porque sem eles não conseguimos fazer nada”, refere o presidente.

Este esforço de proximidade vai ao encontro do objectivo de credibilizar a CCIH. Nesse sentido, Humberto Goulart entende ser importante cultivar a transparência e garante que qualquer associado que pretenda inteirar-se das contas da instituição pode fazê-lo a qualquer altura.


Saneamento financeiro


Quando esta Direcção tomou posse, a dívida a fornecedores era de cerca de 528 mil euros e a dívida à Banca rondava os 311 mil. Humberto Goulart explica que uma das primeiras medidas foi solicitar uma audiência com o então presidente do Governo Regional, que, de acordo com o patrão dos empresários, “percebeu a importância desta instituição centenária”. Foi então estabelecido um protocolo de apoio financeiro entre Governo e CCIH que permitiu fazer face a um dos principais problemas e pagar ordenados em atraso. Hoje, Humberto Goulart garante que os 12 funcionários da CCIH têm os ordenados em dia e que já foi possível pagar a alguns fornecedores.

Sem querer adiantar valores, o presidente da CCIH refere que a dívida a fornecedores ainda é avultada, frisando que a prioridade é sanar essa dívida até meados de 2013. Parte dos credores da CCIH são associados da instituição, situação que, reconhece, é bastante desconfortável: “não faz sentido, numa altura difícil, contribuirmos para mais um encargo dos nossos associados”, refere.

Com muitas dívidas ainda por pagar, a palavra de ordem é contenção. Humberto Goulart entende, no entanto, que as iniciativas de divulgação dos produtos e serviços dos associados da CCIH fora de portas também são importantes. O patrão dos empresários dá como exemplo a Feira Internacional de Cabo Verde, que decorre entre os dias 14 e 18 de Novembro, onde estará presente uma delegação de 10 empresários da CCIH. De acordo com o presidente da Direcção da CCIH, a participação nestas feiras não traz encargos à instituição, pois é feita à luz de uma candidatura da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores a fundos do Proconvergência, programa operacional financiado com dinheiros comunitários.

Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 09.11.2012 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário

 

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