Tribuna das Ilhas

Infinity 8
  • Início
  • Local
  • Triângulo
  • Regional
  • Desporto
  • Cultura
  • Política
  • Opinião
  • Cartoons
  • Início
  • notícias
  • Entrevistas
  • Luís Garcia: “O PSD não me deve nada. Eu é que devo muito ao PSD”
14
dezembro

Luís Garcia: “O PSD não me deve nada. Eu é que devo muito ao PSD”

Escrito por  Marla Pinheiro
Publicado em Entrevistas
  • Imprimir
  • E-mail

Na próxima terça-feira, dia 18 de Dezembro, o PSD/Açores vai a votos para escolher um novo líder regional. No mesmo dia, os mais de 600 militantes do partido no Faial escolhem uma nova Comissão Política de Ilha (CPI), chegando ao fim o terceiro mandato consecutivo de Luís Garcia como presidente daquele órgão.

À beira de um cenário de mudança interna no PSD/Faial, Tribuna das Ilhas esteve à conversa com Luís Garcia que fez um balanço destes últimos seis anos à frente do partido na ilha. Garcia recorda também os primeiros mandatos naquele órgão, que chegou com 28 anos e no seio de uma disputa eleitoral interna.

Das dificuldades dos primeiros tempos às últimas disputas eleitorais, o social-democrata reflecte sobre o percurso até aqui percorrido. Disponível para continuar a apoiar o partido, reconhece que as autárquicas de 2013 serão uma prova de fogo para a nova CPI. Sobre as eleições regionais do partido, apoia Duarte Freitas no combate ao centralismo e na reinvenção de um PSD adaptado à sociedade dos nossos dias.

No final desta etapa da sua vida, Garcia sai orgulhoso do trabalho desenvolvido no PSD/Faial, garantindo “ainda mais empenho” nas funções de deputado regional, antevendo um futuro de dificuldades para a Região. Sobre a governação social-democrata na República, confessa-se desiludido.


Chegam agora ao fim seis anos de liderança da CPI do PSD/Faial. Que balanço faz deste período?

É evidente que os partidos políticos fazem um balanço positivo ou negativo de determinado período consoante os resultados eleitorais. Houve resultados positivos e outros negativos, alguns deles grandes objectivos nossos que não conseguimos alcançar. Mas analisando o trabalho político do dia-a-dia nestes últimos anos, considero-o positivo. O PSD é um partido que está na oposição e, num período como o que atravessamos, ser da oposição não é um trabalho fácil. Se juntar a estes últimos seis anos os três mandatos que fiz anteriormente, são 12 anos no período mais difícil da história do PSD. O PSD é oposição há 16 anos na Região e desses eu estive 12 à frente do partido na ilha, com altos e baixos. Em termos de resultados eleitorais, francamente, podiam ter sido bastante melhores.


Fazendo uma análise, precisamente, dos resultados eleitorais, nos últimos seis anos o PSD/Faial conseguiu duas vitórias em legislativas nacionais, a segunda bastante expressiva. Em 2009 perde as autárquicas, mas com uma grande subida em relação a 2005. Também em termos de legislativas regionais, o PSD/Faial saiu derrotado em 2012 mas sofreu um ligeiro aumento da votação em relação a 2008. Neste cenário, considera que o PSD/Faial está a operar uma escalada lenta e difícil nas intenções e voto dos faialenses?

Essas subidas são importantes mas, a cada eleição, o PSD tem sempre por objectivo ganhar. Em relação às autárquicas de 2009 e às legislativas deste ano, tínhamos grandes expectativas em relação aos resultados.

Em 2009, em termos de Câmara Municipal, tivemos uma solução muito boa, arrojada, abrangente, em que o partido se abriu à sociedade civil, percebendo que era isso que a sociedade queria e precisava. Não conseguimos, no entanto, obter a presidência da CMH, que era o objectivo do PSD e, mais do que isso, uma necessidade para o Faial, pois representaria a alternância democrática. Estes ciclos políticos tão longos, como o do PS na Câmara Municipal, não são bons para a democracia.

Relativamente às regionais, também tínhamos elevadas expectativas. Vínhamos de um ciclo político de 16 anos de poder socialista, havia uma mudança de candidato do PS e nós tínhamos uma excelente candidata a presidente do Governo. Apesar disso tivemos um resultado francamente mau e contra as expectativas. Houve factores externos muito fortes que tiveram influência. Mas a verdade é que perdemos as eleições e isso foi negativo para o PSD, um partido que ambiciona sempre ganhar. Foi difícil.

 

Nas regionais de Outubro, o factor externo, como referiu, terá pesado na decisão das pessoas, que terão penalizado o PSD/Açores pelas duras medidas de austeridade que o PSD tem infligido na República. Mas em relação às autárquicas de 2009, olhando para trás, o que acha que correu mal?

Hoje olho para trás e, mesmo a esta distância, não consigo perceber o resultado dessas eleições. No mandato anterior tínhamos uma Câmara de maioria coligada, com a união entre PS e CDU. Apresentámos uma boa solução, tanto é que o PSD cresceu em termos eleitorais. Por isso nunca me passou pela cabeça que a perda de vereadores da CDU significasse um reforço do PS, que era, em conjunto com a CDU, responsável pelos maus resultados desse mandato autárquico. Muitos dos eleitores desiludidos com a prestação da CDU aderiram ao projecto do PSD mas a verdade é que muitos, provavelmente um eleitorado mais de esquerda, preferiram apostar no PS, que saiu das eleições com uma maioria absoluta, o que era, para mim, impensável naquela altura.

 

Se não houvesse a limitação de mandatos, voltaria a candidatar-se à CPI do PSD/Faial?

Penso que não. Fui candidato pela primeira vez à CPI quando era muito jovem. Na altura estava insatisfeito com a situação do PSD a nível local e decidi que podia dar o meu contributo. Fui ficando esse tempo todo algumas vezes voluntariando-me para ser candidato e outras vezes por não aparecerem alternativas, havendo por vezes alguém que, a nível local ou regional, me motivava para um novo mandato. Chegou agora a altura de fazer outras coisas. Doze anos à frente de um partido na oposição, tendo pela frente três autárquicas e quatro regionais, é uma tarefa difícil e saturante para quem tem a responsabilidade de estar à frente e organizar as listas e as campanhas. Estou disponível para ajudar, mas sinto-me aliviado por, nesta fase, existirem alternativas e gente disponível para assumir esse trabalho.

 

A única lista à CPI do PSD/Faial conhecida no momento em que falamos, liderada por Andy Rodrigues, conta com várias pessoas que trabalharam consigo ao longo destes anos. Apoia esta lista?

Tenho procurado ter uma posição neutra neste processo. Não sei se existirão outras listas candidatas. Sei que existe esta, cujo candidato teve a gentileza de me telefonar a informar da sua decisão. O que me apraz destacar desta candidatura é o facto dela nascer de uma vontade própria. Isto é muito importante pois, como lhe disse, algumas das anteriores CPI surgiram devido à ausência de alternativas. Pelo que vejo, esta lista concilia novidade e renovação com gente experiente. Acho que a renovação não é um processo em que se arruma tudo o que vem detrás. Renovar é acrescentar e não subtrair. É contar com mais gente; trazer sangue novo. Esta lista faz isso sem perder o equilíbrio geracional e a experiência e isso é importante para o partido e, sobretudo, para a tarefa importante que se avizinha: a preparação das autárquicas do próximo ano.

 

Como disse, 2013 será um ano difícil para o PSD, devido às autárquicas. Há quatro anos, tendo em conta o aumento de votos que Paulo Oliveira trouxe ao PSD, houve quem achasse que, se o candidato tivesse sido dado a conhecer mais cedo, o resultado final poderia ter sido outro. Partilha dessa opinião?

 Sim. A candidatura surgiu tarde. Foi um parto muito difícil. Estive a trabalhar sozinho nessa solução, com a CPI a acompanhar. Houve momentos complicados, esforcei-me para a solução sair mais cedo, mas não foi possível. Paulo Oliveira revelou-se um excelente candidato, com ideias fantásticas, com coisas simples, que poderiam engrandecer as nossas freguesias e gerar desenvolvimento. Tinha, no entanto, um handicap: era pouco conhecido, sobretudo no campo. Portanto, teria sido preciso mais tempo para dar-se a conhecer a apresentar as suas ideias.

 

Falando ao Tribuna sobre a sua candidatura, Andy Rodrigues referiu a necessidade de trazer um novo fôlego à juventude social-democrata. Partilha dessa opinião?

A JSD/Açores precisa de uma grande reestruturação interna. O grande handicap do PSD em termos eleitorais está na juventude. Não temos tido capacidade de nos aproximar dos jovens, muitos deles quadros qualificados que estão desempregados e desmotivados com os políticos. Precisamos cada vez mais de uma JSD que possa ir ao encontro desta sociedade. Não tem sido esse o papel da JSD/Açores nem da JSD/Faial, infelizmente. Reconheço que não é uma tarefa fácil.

Voltando um pouco atrás na conversa, até quando falávamos do timing de apresentação dos candidatos, pergunto-lhe se acha que o PSD deve apresentar o seu candidato à CMH o quanto antes.

Da mesma maneira que procuro manter isenção em relação a esta fase de mudança interna do PSD/Faial, também não me quero pronunciar em relação às autárquicas. No final das regionais houve várias pessoas no partido que quiseram logo virar a página e começar a falar nas autárquicas. Quis colocar um travão a isso porque não quero condicionar o trabalho da CPI que vem a seguir. Eles vão iniciar o seu trabalho, precisarão de tempo para amadurecer ideias e apresentar o seu candidato.


Diz que está disponível para continuar a colaborar com o partido de outras formas. Ser candidato do PSD à CMH é uma dessas formas?

Já fui candidato à CMH em vários lugares da lista. Já fui número dois, fui por duas vezes número quarto…

 

Mas nunca liderou a candidatura…

Estarei disponível para colaborar com o PSD sempre que sejam reunidas duas condições: desde que eu entenda que o meu contributo é válido e útil ao PSD e ao Faial e desde que os responsáveis políticos do PSD achem que esse contributo é útil para o partido e para o Faial. Se essas condições estiverem reunidas, cá estaremos para conversar. Sou militante do PSD, gosto muito deste partido e nunca deixo de dar o meu contributo.

 

Qual considera ter sido o pior momento que viveu à frente do PSD/Faial?

As eleições regionais de 2000, quando perdemos um deputado, e a preparação das autárquicas de 2001. Colocou-se um rótulo no PSD que dizia que, se o presidente da CPI é candidato à Câmara, é porque não conseguiu arranjar ninguém. Por outro lado, era obrigatório que o presidente da CPI fosse cabeça-de-lista às regionais. Isto é um erro e é contraditório. Em 2001 tive muitas dificuldades em arranjar um candidato à Câmara, que acabou por ser o Dr. Costa Pereira, que era precisamente o único deputado que tínhamos na altura. Foi um processo muito difícil.

Não nos podemos também esquecer que entrei no partido num contexto de disputa eleitoral interna, com a minha lista a concorrer contra outra, liderada pelo Dr. Alberto Pereira. As pessoas que estavam noutra lista eram companheiros nossos, que também eram precisos para a vida do partido. E fui dando passos para unir essas pessoas. Inclusive o Dr. Alberto Pereira chegou a ser candidato em listas propostas por mim e eu próprio fui o número dois da lista dele à CMH.


Assume com orgulho a sua condição de político. Hoje, no entanto, as pessoas estão desiludidas com a política e com os políticos. Por que razão pensa que isto acontece?

Outro mito que quebrei no PSD foi o de que só se podia ser presidente da CPI estando na política a tempo inteiro. Isso não é verdade e eu provei isso. Dos 12 anos em que fui presidente, apenas em quatro exerci actividade política a tempo inteiro. É efectivamente mais fácil ser presidente da CPI nestas condições, mas da outra forma não é impossível. É preciso as pessoas saberem distinguir o plano político e o profissional, serem organizadas e disciplinadas.

Sinto cada vez mais que as pessoas têm aversão aos políticos e à política. A situação actual do país muito contribui para isso, porque, quer queiramos quer não, foram os políticos com determinadas políticas que nos trouxeram aqui. No entanto, tenho encontrado na actividade política gente como em todas as áreas: há os que trabalham e os que não trabalham, há os que se esforçam e os que não se esforçam…

O último período da governação de José Sócrates e o actual momento governativo fizeram com que as pessoas ficassem muito desencantadas com a política, e vejo isso com preocupação. Se os partidos não forem capazes de se adaptar a esta realidade, a própria sociedade se vai encarregar disso. As exigências que hoje se colocam aos partidos nada têm a ver com as de há 10 anos. As pessoas estão cada vez mais informadas e menos tolerantes a determinadas práticas. Os partidos têm de actualizar-se e alterar a sua forma de funcionar. A moção do Dr. Duarte Freitas, candidato à presidência do partido, vai precisamente nesse sentido, procurando a modernização e a muito necessária reestruturação interna do PSD.

 

Duarte Freitas é o candidato que apoia?

Apoio-o com convicção. Conheço-o há muito tempo e, sobretudo, conheço o seu pensamento político. Sei que pensa os Açores com nove ilhas e isso é cada vez mais raro na política açoriana. Duarte Freitas vê os Açores como uma região que tem de desenvolver-se de forma harmónica e equilibrada. Há centralismo no governo socialista, mas também existem muitos centralistas no PSD. É preciso combater esse centralismo.

 

Está satisfeito com a actuação do Governo do seu partido na República?

Estou profundamente insatisfeito. Sei que o período é difícil e é preciso tomar medidas. Mas a forma como as coisas são feitas, sem serem devidamente explicadas às pessoas, deixa-me triste e desiludido. Acho que é possível recuperar o país explicando mais, dando melhores exemplos em algumas áreas… Mas o que não perdoo a este Governo foi ter permitido que o PS, principal responsável pelo estado a que chegámos, saltasse fora da carroça.

Este Governo, com a forma atabalhoada de fazer as coisas, esqueceu-se de procurar consensos. Não se fazem reformas contra as pessoas. Refiro-me, por exemplo, à reforma do mapa autárquico, que é uma profunda asneira.

Ou começam a aparecer resultados em 2013 ou este Governo não tem salvação. O país não vai aguentar isto muito mais tempo.

 

Leia a entrevista completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 14.12.2012, ou subscreva a assinatura digital do seu semanário


Lido 884 vezes
Classifique este item
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
(0 votos)
Tweet
Login para post comentários
voltar ao topo
  • Perdeu a senha?
  • Esqueceu-se do nome de utilizador?
  • Registe-se!
  • Contatos
  • Pesquisa
  • Assinatura
Copyright © Tribuna das Ilhas 2026 All rights reserved. Custom Design by Youjoomla.com
notícias