A sessão de abertura do XV Congresso do PS/Açores, que consagrou Vasco Cordeiro como o novo líder regional, ficou marcada pela eleição de Carlos César como primeiro presidente honorário dos socialistas açorianos. O antigo líder do PS/Açores Carlos César foi eleito a este cargo recém-criado por alteração estatutária do partido, com 97,2% votos, prometendo usar a magistratura moral exigida em defesa da coesão dos socialistas açorianos.
A reunião magna socialista arrancou na noite de ontem, no Teatro Faialense, na cidade da Horta, com o antecessor de Vasco Cordeiro, Carlos César, a discursar ainda em tom de líder do partido.
O ex-líder do PS/Açores centrou o seu discurso na defesa da Autonomia regional, na valorização do Poder Local e na crise económica que o país atravessa e que se reflete também na economia regional. Carlos César apelou mesmo à renegociação da dívida para que não sejam exigidos mais esforços às famílias portuguesas e açorianas.
Para César este congresso tem por finalidade “o revigoramento da democracia, a consolidação e melhor uso da autonomia”, acrescentando que os socialistas não reúnem para “discutir o umbigo partidário, nem formas desesperadas para recuperar votos e aparentar credibilidades”.
No seu entender, os Açores devem insistir na “apologia da governação de proximidade”, num país onde “o centralismo é a força do pensamento político e governativo”.
O presidente honorário não tem dúvidas quanto à importância da manutenção da autonomia referindo que, “quando a autonomia fraqueja, é a vida dos açorianos que se desguarnece”. “Uma boa autonomia depende de um bom Governo”, disse.
“A defesa da nossa autonomia não se confina, porém, a aspetos decisivos como são os do seu enquadramento constitucional, estatutário e legal”, disse, reforçando que “a autonomia tem de ser também um instrumento eficiente de concretização do potencial açoriano e uma via estruturada de obtenção de resultados concretos”.
Carlos César acredita no atual Governo socialista, liderado por Vasco Cordeiro, para recuperar o desempenho económico da Região.
O Presidente Honorário socialista dirigiu ainda algumas palavras ao orador convidado, António Costa, atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa, considerando-o um “grande amigo” dos Açores. Costa foi mesmo considerado pelos socialistas açorianos como o candidato ideal para a liderança do PS a nível nacional.
António Costa com os olhos nas autárquicas

A crise e a austeridade marcaram também presença no discurso do convidado de honra da sessão de abertura deste congresso. António Costa destacou o impacto da crise e da austeridade, defendendo que é preciso fazer ouvir a voz de Portugal na Europa e mostrar que estas medidas não estão a funcionar.
Costa começou o seu discurso fazendo uma alusão às eleições autárquicas deste ano, desafiando o PS e todos os autarcas socialistas para que se concentrem e se empenhem na vitória, “para renovar nos Açores a vitória nos 12 municípios que já têm, e para poder alargar essa vitória às restantes nove autarquias”, disse.
O socialista teceu rasgados elogios a Carlos César, considerando que, embora o antigo presidente do Governo Regional tenha terminado o seu ciclo político nos Açores, “novos ciclos” se podem abrir, não apenas na política regional mas até no contexto nacional. Costa deixou a César, inclusive, o desafio de voltarem a trabalhar juntos.
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa lamentou o atual momento de crise que Portugal vive, salientando que é preciso uma nova estratégia para tirar o país da situação em que se encontra. Costa acusou Paços de Coelho de gerar descredibilidade e desconfiança na sociedade, quando se refere à recuperação da economia do país e aos sacrifícios dos portugueses: "não podemos ter um primeiro-ministro que em agosto anuncia que em 2013 iríamos começar a crescer, que há três semanas diz que só vamos começar a crescer em 2014 e que hoje no jornal já diz que afinal já começámos a crescer", considera.
Entre outras medidas, o socialista defende o aumento do salário mínimo nacional e a reposição dos complementos aos idosos, reforçando a ideia de que só assim se consegue a solução para a crise. Para Costa, o aumento dos salários permite “estimular o consumo", aumentando assim o poder de compra daqueles que menos recebem.
O Congresso continua hoje, no Teatro Faialense, onde termina na manhã de domingo, com a presença do líder do PS/Nacional, António José Seguro.