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08
fevereiro

A que sabe o Carnaval?

Escrito por  Marla Pinheiro
Publicado em Reportagem
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Diz o adágio que a vida são dois dias e o Carnaval são três. Por isso, por esta altura as preocupações ficam adiadas; o aumento dos impostos e a descida dos salários ficam guardados numa gavetinha da memória e entramos em “modo de festa”. Queremos música animada para dançar e até os legítimos possuidores de dois pés esquerdos dão um ar da sua graça. Porque é Carnaval e, como se sabe, ninguém leva a mal. A roupa do dia-a-dia, aquela que nos ajuda a construir quem somos, dá lugar a outra, para nos transformarmos no que quisermos. Tudo é permitido. Afinal de contas, é Carnaval e ninguém leva a mal. E com tanto reboliço o estômago torna-se caprichoso e damos por nós a desejar os típicos doces de Carnaval, tão saborosos como calóricos. A dieta, essa, fica para depois. É que é Carnaval, portanto… Ninguém vai levar a mal.

Tribuna das Ilhas foi saber quais os doces carnavalescos tradicionais que se fazem no Faial. Isaura Rodrigues foi a nossa cúmplice nesta descoberta, e recordou também o Carnaval da sua juventude.

Isaura perdeu a conta aos ovos, aos quilos de manteiga e aos pacotes de açúcar que já transformou em doces de Carnaval este ano. A proprietária do restaurante A Árvore, que há quase 30 anos se destaca pelos seus pratos regionais, conta que sempre gostou de andar de volta dos tachos: “desde cedo que cozinhava em casa, gostava de fazer pratos diferentes, maluquices… Quando casei, o meu marido ainda estava na tropa e era uma altura de grandes dificuldades”, recorda. O gosto pela cozinha e, principalmente, por fazer coisas diferentes fez com que se habituasse a fazer muito com pouco: “comprava uma lata de atum, que na altura custava 4 escudos, e fazia um pudim e atum, que colocava numa forma de peixinho. Comíamos isto tantas vezes que o meu marido dizia que só mudava o lado para que estava voltado o rabo do peixinho”, lembra.

Desde que abriu o restaurante que Isaura tem procurado recriar pratos da gastronomia tradicional açoriana. No que diz respeito aos doces de Carnaval, explica que os sabores hoje apreciados são os mesmos do seu tempo de menina. As filhoses, os coscorões e as fofas são a “troika” gastronómica que marca presença nestes dias, como marcava no Carnaval de antigamente.

As “filhoses” que fazem as delícias dos faialenses são substituídas em São Miguel pelas “malassadas”. E engane-se quem possa pensar que estas delícias fritas apenas mudam na forma: “a massa das malassadas é diferente da das filhoses. Nas filhoses pomos limão, mais manteiga, mais ovos, noz-moscada… As malassadas não levam limão, por exemplo… Até a forma de fazer é diferente: as filhoses são amassadas, levedam no alguidar e voltam a levedar em cima de mesa, antes de nelas se fazer o buraco. Só depois vão a fritar. As malassadas saem directamente do alguidar, são esticadas e fritas”, explica.

As “filhoses” não são um exclusivo açoriano. No entanto, no continente, são um doce não de Carnaval mas de Natal. O mesmo acontece com os “coscorões”, que adoçam a Consoada no continente mas nas ilhas servem para dar sabor ao Entrudo. Quanto a estes, Isaura garante que há para todos os gostos: “os coscorões fazem-se de muitas maneiras: com creme de limão, com açúcar e canela…”, conta.

Outra iguaria muito solicitada nesta altura já ganhou inclusive o epíteto de doce típico do Faial. Falamos das fofas. Para Isaura, esse título é um tanto ou quanto exagerado. Fazendo um aparte ao tema da conversa, a doceira conta que, nas suas pesquisas, descobriu a receita do pudim de feijão dos frades do Convento da Horta, prato que, na sua opinião, devia ser assumido como doce característico da ilha. Essa história, no entanto, fica para “outros carnavais”. Porque, no Entrudo, as fofas são rainhas e também elas se fazem de várias maneiras: “são feitas no forno, mas podemos usar uma massa mais dura, e fazê-las em tabuleiros, ou então uma massa líquida, que é cozida em forminhas. Depois são recheadas, normalmente com um recheio de limão, que leva também funcho”, conta. Se há coisa que as fofas não são é amigas da dieta e os gulosos a braços com os níveis de colesterol têm de ter cuidado com esta tentação. “Conheço uma doceira que colocava um ovo por cada colher de farinha!”, conta Isaura.

Isaura garante que todos estes doces “são fáceis de fazer”. No entanto, reconhece que a sua confeção “é trabalhosa e demorada”. “Quando nos propomos a fazer temos de ter paciência e gosto”, garante. Ora, paciência e gosto para cozinhar é algo que, diz-se por aí, não abunda nas gerações mais jovens. Isaura conta que já passou estas receitas às filhas, reconhecendo, com uma risada, que a tarefa não foi fácil: “quando queremos ensinar elas não querem aprender, porque a mãe faz. Mais tarde, quando casam, querem sempre saber como se faz isto ou aquilo”, conta. A cozinheira revela também que, nas formações que tem ministrado ao longo dos anos, é fácil encontrar gente jovem com dedo para a cozinha. Por isso, entende, estas receitas típicas não se vão perder com o tempo, estando garantida a sua passagem de geração em geração.

 

Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 08.02.2013 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário


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