O projeto Moviment’Arte nasceu no seio da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF) para ajudar cidadãos com deficiência a vencer as dificuldades e ganhar competências. Hoje, apoia 31 utentes, que todos os dias desenvolvem actividades que contribuem para a sua integração social. No entanto, um corte no financiamento da Direção Regional da Solidariedade Social coloca agora em causa o projeto. Tribuna das Ilhas conversou com a sua coordenadora, Marta Faria, que falou sobre a importância do Moviment’Arte e sobre o esforço para angariar fundos para a sua manutenção.
O apoio da APADIF aos cidadãos portadores de deficiência através do seu envolvimento em atividades ocupacionais existe há vários anos. No entanto, há 3 anos que o projeto Moviment’Arte conta com financiamento do Governo Regional.
De acordo com a psicóloga Marta Faria, coordenadora do projeto, este surgiu para fazer face à “necessidade de ocupar e promover competências nas pessoas com deficiência”, que, antes do Moviment’Arte existir, ficavam em casa sem qualquer estímulo.
Hoje o projeto apoia 31 pessoas, entre os 16 e os 78 anos “e com perturbações bastante diversificadas”: “temos deficiência visual, auditiva, motora, síndrome de Down, esquizofrenia, autismo…”, exemplifica a coordenadora, para quem gerir um grupo tão heterogéneo é “um desafio contante”.
Neste projeto a APADIF conta com três funcionários: a coordenadora, uma pessoa em regime de Estagiar L e uma auxiliar de serviços gerais. Em 2013 a verba disponibilizada para o Moviment’Arte foi cortada em 7500 euros. Como o dinheiro atribuído anteriormente chegava “à justa” para as atividades do projeto, este corte vai obrigar a alterações profundas e pode mesmo ditar o seu encerramento. Marta ficará sozinha a trabalhar com os 31 utentes, o que inclui o seu transporte de e para as atividades, e além disso é necessário acabar com uma série de ateliers, por falta de verba.
Até agora o Moviment’Arte funcionava diariamente e tinha várias atividades ao fim de semana, envolvendo fortemente a comunidade. O corte nas verbas implica reduzir as horas de funcionamento. Além disso, o número de ateliers disponíveis tem vindo também a ser reduzido, com a extinção dos ateliers de Psicologia, Autonomia Pessoal, Canto, Dança, Desporto, Informática e Horticultura. Neste momento funcionam os ateliers de Vela, Pintura, Trabalhos Manuais, Culinária e Equitação e alguns destes podem ter de ser reequacionados.
Marta confessa, no entanto, que isto não é suficiente para fazer face à redução de verbas. Só em combustível o projeto gasta cerca de 500 euros mensais, tendo em conta a quantidade de deslocações entre a casa dos utentes e os locais onde se desenvolvem as actividades.
O projeto terá também de sair do espaço que ocupa, na Conceição, pois não consegue pagar a renda.
Angariar Fundos
Para fazer face às despesas o Moviment’Arte tem organizado várias iniciativas para angariar fundos, com o apoio dos familiares dos utentes. Às segundas, quartas e sextas-feiras, entre as 09h00 e as 12h00 e entre as 13h00 e as 17h00, o projeto vende vários artigos, feitos por utentes e familiares, no quiosque da Praça da República. Na semana passada, fizeram amendoins com açúcar para vender e esta semana prepararam uma Feira Solidária, que terá lugar hoje, dia 26, no Bairro das Pedreiras, para venda de roupas usadas: “apelámos à sociedade faialense para nos dar roupas que já não usa e a adesão tem sido imensa”, conta Marta.
Direção Regional da Solidariedade Social entende que viabilidade do projeto não está em causa
Contactada pelo Tribuna das Ilhas, a diretora regional da Solidariedade Social mostrou-se surpreendida com a situação do projeto Moviment’Arte. Natércia Gaspar reconheceu um corte nas verbas de 7500 euros, que, explica, se deve às atuais “restrições orçamentais”. A diretora regional refere que a APADIF subscreveu o acordo de cooperação proposto, sendo que “a sua Direção não manifestou qualquer preocupação”. Para Natércia Gaspar, “não está em causa a viabilidade do projeto”, pois a Direção Regional aprova apenas “projetos positivos e numa perspetiva de assegurar postos de trabalho”.
Natércia Gaspar reiterou o facto da APADIF ser um exemplo de boas práticas, principalmente na criação de parcerias e garantiu esforços no sentido de encontrar uma solução.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 26.04.2013 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário