No passado dia 20, segunda-feira do Espírito Santo, assinalou-se mais um Dia da Região. Desta feita, as comemorações decorreram na Horta, na Assembleia Legislativa Regional (ALRAA), seguindo-se um almoço com as típicas sopas do Espírito Santo, na freguesia dos Flamengos.
Na Sessão Solene, tanto o presidente do Governo como a presidente da ALRAA centraram as suas intervenções nas conquistas e nos desafios da Autonomia, com Vasco Cordeiro a frisar que esta deve ser usada como uma ferramenta qualificadora dos açorianos, reconhecendo que a Região precisa de responder ao desafio da Educação.
Na cerimónia foram distinguidas 37 personalidades e instituições com as insígnias autonómicas.

O discurso do presidente do Governo Regional dirigiu-se não apenas aos açorianos do Corvo a Santa Maria mas também aos da Diáspora. Vasco Cordeiro destacou o simbolismo de celebrar o Dia da Região na segunda-feira do Espírito Santo, referindo-se ao culto do Divino como “uma das âncoras da nossa açorianidade”.
Na sua intervenção, Cordeiro centrou-se nas questões da Autonomia. Para o presidente do Governo, o Dia da Região deve ser a celebração da “Autonomia real”, “que nasce do compromisso entre os ideais e a realidade que os mesmos ambicionam moldar”. Mais centrado no futuro do que no passado, Cordeiro lembrou que a realidade açoriana se contextualiza no país e no mundo e, nesse sentido, deixou críticas à Europa, que acusou de “ter perdido o rumo” e de brincar “leviana e inconsciente, com fogos que já a queimaram no passado”. “Cada vez mais, assiste-se a um retrocesso que se manifesta no alimentar de divisões entre os países do Norte e do Sul, do Centro e da periferia”, disse, entendendo que o Estado Social é o grande prejudicado na Europa atual.
Enfrentar estes “tempos desafiantes” não passa, no entanto, por entender a Autonomia como “uma muralha que nos isola do mundo”: “a nossa Autonomia deve, isso sim, constituir o instrumento para que sejamos nós a definir o tempo, o modo e os objetivos do que, a este propósito, tiver de ser feito”, disse. Nesse sentido, a Autonomia deve ser colocada ao serviço do “combate ao desemprego”, do “reforço da competitividade das nossas empresas” e do Serviço Regional de Saúde.
Ora, se a Autonomia tem sabido dar respostas aos desafios que se colocam à Região nas áreas atrás referidas, existe um setor da sociedade açoriana a que ela “ainda não respondeu cabalmente”. Trata-se, segundo o governante, da Educação, onde o insucesso escolar e o abandono escolar precoce continuam a ser um flagelo. Por isso, Vasco Cordeiro entende que, agora que a infraestruturação física da Região está concluída, há que apostar numa “Autonomia qualificadora da nossa sociedade”, na qual todos os açorianos devem ter um papel ativo.
Sem grandes recados para Lisboa, Cordeiro salientou, no entanto, que os Açores “levam a este país resgatado” valores como os da liberdade, da responsabilidade e da solidariedade intergeracional, e deixou um aviso: “não queremos que outros decidam por nós, seja me Lisboa, em Bruxelas ou em Washington”.
Autonomia é “instrumento fundamental para combater a crise financeira”

Também a presidente da ALRAA começou o seu discurso lembrando os açorianos que vivem um pouco por todo o mundo, bem como os “açorianos de coração”, que escolheram as ilhas para viver. Ana Luís referiu-se à presença do culto do Espírito Santo na identidade açoriana e abordou a sua génese histórica, considerando-o “a matriz identitária mais relevante de todos os açorianos”.
Do elogio ao Espírito Santo Ana Luís passou à exaltação da Autonomia, considerando que esta “desobstruiu as represas do ser individual e coletivo, que unificou nove ilhas numa Região, enriqueceu o nosso imaginário, proporcionou-nos uma renovada visão de nós próprios, uma redescoberta da nossa identidade, um caminho diferente de afirmação social, uma nova esperança de futuro”. “É esta Autonomia que nos permitirá percorrer o nosso futuro, desenvolvendo as nossas capacidades produtivas e reconvertendo os nossos postos de trabalho, que nos impele a revalorizar os nossos recursos e a adequar a nossa legislação às necessidades do povo que, humilde mas também orgulhosamente, servimos”, disse.
À semelhança de Vasco Cordeiro, também Ana Luís entende que a Autonomia deve ser um “instrumento fundamental para combater a crise financeira e mitigar a austeridade a ela associada”.
Nestes tempos difíceis a figura máxima da Autonomia Regional pediu à classe política que seja capaz de “ultrapassar compreensíveis e enriquecedoras divergências ideológicas, estabelecer consensos e encontrar soluções que permitam desenvolver nos Açores a qualidade de vida de quem habita nestas ilhas no Atlântico plantadas, assente numa efetiva coesão territorial, económica e social”.
Tal como Cordeiro, Luís quis chamar a atenção para as fragilidades da Europa, entendendo que a Região deve estar atenta “ às clivagens que se ampliam entre governantes e governados, entre sul e norte, entre Estados ricos e Estados pobres”.
Homenageados deve ser exemplo a seguir

Nesta cerimónia foram agraciadas com as insígnias autonómicas 37 personalidades e instituições, às quais os presidentes do Governo Regional e da ALRAA agradeceram pelo contributo prestado ao desenvolvimento da Região, considerando que são exemplos a seguir pelas gerações mais jovens.
Este ano foi atribuída apenas uma insígnia autonómica de Valor, mais alta distinção na Região, a Carlos César, antigo presidente do Governo Regional.
Destaque para a insígnia de Mérito Cívico, atribuída à Fundação Faialense, instituição que surgiu em 1969, em New Bedford, e que se destina a atribuir bolsas a estudantes do Faial, tendo até hoje atribuído cerca de 325 bolsas.
Com a mesma insígnia foi agraciado o Monsenhor Júlio da Rosa, pela sua atividade paroquial mas também pelo seu contributo para o ensino, para a comunicação social e, principalmente, para a cultura.
No que diz respeito à insígnia de Dedicação o destaque vai para Maria Simas, pelo contributo trazido à Educação na ilha do Faial.
Entre os distinguidos estão nomes como a fadista Arminda Alvernaz, a atlética Maria João Silva, o professor Mário Ruivo, o guitarrista Nuno Bettencourt, o Seminário de Angra ou a Ordem Social Madre Maria Clara.