Maria do Céu Brito é a candidata da CDU à Câmara Municipal da Horta. Vereadora do município entre 2005 e 2009, a professora garante que ainda tem um contributo a dar, com destaque para a cultura e as políticas sociais. Criticando os “interessezinhos particulares” que considera existirem na gestão autárquica local, Maria do Céu Brito concentra atenções na revitalização da cidade da Horta, não apenas em termos infra-estruturais mas também da sua vida cultural e social. Para a candidata, a anunciada intervenção na frente mar é a oportunidade para repensar a cidade de uma forma abrangente e estruturada.
O que a motivou a aceitar este desafio?
A consciência de que posso, com a minha energia, experiência da vida coletiva do Faial e conhecimento objetivo de áreas como a cultura e as novas conceções de desenvolvimento humano, contribuir não só para melhorar a discussão mas também para trazer conhecimento.
Tenho a convicção de que a minha experiência nos campos pedagógico e cultural constitui valor e é meu dever de cidadã partilhá-la; pôr-me ao serviço de uma comunidade. Estou nesta ilha há 27 anos, vivo uma realidade comum a todos os faialenses e como cidadã posso partilhar experiência, conhecimento e o “saber fazer” na área da cultura, o que constitui valor.
As realidades políticas contemporâneas ainda se orientam por velhos modelos que excluem o potencial humano que têm no seu seio, em nome dos “interessezinhos particulares”. Isto leva a que se excluam pessoas. Nestes últimos anos vi partir da ilha pessoas muito jovens e criativas, o que me entristece, pois eram um potencial de conhecimento e experiência técnica e humana e no entanto não foram integrados nas dinâmicas da ilha porque não estavam filiados no partido A ou B, ou porque eram demasiado críticos. O seu potencial foi excluído e por isso partiram. Isso empobrece a ilha.
Já foi vereadora da CMH, entre 2005 e 2009, no entanto nas autárquicas de 2009 os faialenses, de algum modo, penalizaram a presença d CDU na vereação e a coligação teve um resultado eleitoral mais baixo. Para si, que fatores terão estado na origem desse resultado?
O resultado das autárquicas 2009 justifica-se através de múltiplos fatores. Um deles, e não de somenos importância, foi o grande peso político do segundo e terceiro candidatos da lista do PS, nesse ano. Houve quem tivesse intuído que esses candidatos não assumiriam a gestão autárquica, o que veio a confirmar-se. Eram pessoas experientes, em quem os faialenses depositaram elevadas expetativas. Ao não assumirem ou desistirem dos cargos para que foram eleitos, não só defraudaram os compromissos que tinham assumido perante os eleitores, como também deixaram um vazio enorme, desde a cultura à economia.
Houve outros fatores, como as representações de desgaste da coligação. Os eleitores da CDU estavam à espera de uma ação crítica e interventiva. Uma coligação, todavia, exige compromissos, diálogo e entendimentos.
No que me diz respeito, em concreto, criticavam-me pelo despesismo, o que é falso, e qualquer pessoa bem intencionada que analise o que se fez na altura, com o orçamento disponível, poderá demonstrá-lo. Acusavam-me de desorganização, o que é verdade, do ponto de vista da arrumação. Tenho um pensamento divergente, um pensamento que apreende o todo antes das partes, e é assim que funciono. Mas é o tipo de pensamento imagético que está presente nas pessoas criativas, daí a importância das equipas multidisciplinares. Complementam-se pensamentos e formas de ação.
Leia a entrevista completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 20.09.2013 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário