A revista científica Marine Biology Research publicou online, no passado dia 30 de setembro, um estudo sobre a distribuição espacial e temporal dos cetáceos que ocorrem nos Açores, da autoria de sete investigadores do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores.
Este trabalho, que será publicado na edição impressa da revista durante o ano de 2014, teve em conta milhares de dados, recolhidos ao longo de mais de uma década, e resulta de muitas horas de dedicação dos investigadores Mónica Silva, Rui Prieto, Irma Cascão, Maria Inês Seabra, Miguel Machete, Mark Baumgartner e Ricardo Serrão Santos.
Trata-se do primeiro trabalho deste tipo alguma vez feito nas águas centrais do Atlântico Norte e, de acordo com Rui Prieto, biólogo que falou ao Tribuna das Ilhas sobre este projeto, será uma “ferramenta essencial para a gestão de espécies e habitats marinhos nos Açores”.
Para levar a cabo este estudo, os investigadores viram-se a braços com muitos milhares de dados, recolhidos ao longo de mais de dez anos. Quanto às fontes destes dados, como explica Rui Prieto, podemos dividi-las em três grupos principais: os dados recolhidos pelos próprios investigadores, em cruzeiros científicos onde a informação é recolhida “de forma muito sistemática”; os dados recolhidos por um vigia da baleia em terra, que reuniu informação ao longo de 5 anos; e os dados recolhidos por observadores do Programa de Observação para as Pescas dos Açores (POPA) ao longo de 11 anos. Em relação aos dados do POPA, Rui Prieto explica que “não são recolhidos de forma sistemática”, por um lado porque essa não é a principal tarefa dos observadores a bordo das embarcações de pesca e por outro porque o trajeto destas está sujeito às decisões do comandante, que procura as zonas onde pensa conseguir capturar mais peixe. Além disso, lembra, os dados recolhidos pelo POPA concentram-se sobretudo no verão.
No entanto, a reunião de todos estes dados permitiu aos investigadores traçar um quadro rigoroso da distribuição das espécies de cetáceos que aparecem nos Açores, conhecendo as zonas espaciais e as alturas do ano onde cada espécie ocorre com mais frequência. Analisar os dados foi uma tarefa exaustiva e morosa, onde, entre outras coisas, foi necessário corrigir problemas, como o facto do mesmo animal poder ter sido observado em simultâneo por mais do que uma embarcação de pescas. “É uma grande base de dados e é muito moroso tratá-la mas a grande vantagem disso é que só com esta grande base de dados conseguimos começar a perceber os padrões das várias espécies”, explica o biólogo.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 11.10.2013 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário