Na altura em que se inicia um novo ciclo na Câmara Municipal da Horta (CMH), Tribuna das Ilhas esteve à conversa com o homem que deixa agora os comandos da autarquia, depois de nove anos na sua liderança. Chegado à vereação com 27 anos, João Castro tem consciência de que deu à CMH os melhores anos da sua vida, o que considera uma honra e um privilégio. Falou do passado, das suas realizações e dificuldades ao longo destes anos ligado ao Poder Local, mas também do futuro. Professor de formação e grande entusiasta da ideia de que é no Mar que está o futuro do Faial, não esconde que uma ligação à Escola de Marítimos prometida para o Faial será uma forte possibilidade.

O que o levou a ingressar na vida autárquica tão jovem?
Como professor jovem que era tentava ter, nas aulas, discursos de participação social e cívica. Nesse contexto houve alunos que me propuseram a ingressar a JS para poder pôr em prática aquilo de que falava, e aceitei o desafio. Depois fui convidado para integrar a lista de Renato Leal à CMH, em 1996, mandato que acabei em vice-presidente, depois de várias saídas e alterações no figurino da vereação. Quando o mandato terminou eu era então vice-presidente do presidente Rui de Jesus e concorri com ele em 2001. A meio do mandato ele teve um problema de saúde. Numa fase inicial eu exercia a presidência quando ele não estava mas no final os médicos aconselharam-no mesmo a abandonar o cargo e eu assumi a presidência em substituição.
Foram pessoas com quem aprendi muito, Renato Leal principalmente pela sua capacidade oratória e Rui de Jesus pelo seu sentido estratégico.
Chega à presidência da autarquia ainda muito jovem, com 33 anos, e de forma inesperada. Sentiu receio face ao desafio que o esperava?
Encarei o desafio com alegria, evidentemente, mas com preocupação. Estávamos no meio do processo de reconstrução do sismo e penso que a minha juventude foi um trunfo. Achei que estavam a depositar em mim uma responsabilidade e um compromisso que era preciso honrar e havia muita gente à minha volta que me ajudou e incentivou. O Rui de Jesus era muito envolvido nas questões municipais e também por ele; para dar continuidade ao seu projeto, que eu tinha ajudado a montar, assumi o desafio.
Claro que foi um período de grande preocupação. Assumi a presidência a três semanas de uma Assembleia Municipal de apresentação de contas… Foi difícil.
O sismo de 1998 foi o acontecimento mais marcante no Faial durante o tempo em que esteve na CMH. Como foi acordar naquela madrugada, ver a ilha como estava e tomar consciência de que tinha responsabilidades na sua recuperação?
Quando houve o sismo eu era vereador há uma semana. Ainda não tinha ido a nenhuma reunião. A minha primeira intervenção enquanto autarca em funções foi no Centro de Emergência Municipal, na altura montado no Quartel dos Bombeiros.
O sentimento na altura era o de que todos eram necessários para a reconstrução e a minha reflexão foi no sentido de perceber em que é que podia contribuir. Lembro-me de ir com o meu carro distribuir mantimentos, de ir aos acampamentos, de receber telefonemas de pessoas a perguntar se havia tendas, a pedir orientações…
O processo da reconstrução está praticamente no final e o Faial já está melhor do que estava quando ocorreu o sismo mas durante muitos anos esteve pior. Diria que esse é o processo que marca a minha passagem por esta autarquia e enfrentar esse período foi um dos maiores desafios da minha vida.
Leia a entrevista completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 18.10.2013 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário