Hoje, dia 29 de outubro a Cooperativa Agrícola de Laticínios do Faial (CALF) celebra 70 anos. Com provas dadas na qualidade da manteiga e do queijo produzidos na sua fábrica, a CALF é uma das principais empregadoras da ilha do Faial. Em tempo de crise, o desafio da cooperativa passa por estimular os agricultores faialenses para uma maior produção de leite, de modo a rentabilizar a fábrica, que atualmente labora a pouco mais de metade da sua capacidade. Nesse sentido, no próximo mês, a CALF vai aumentar o preço do pagamento do litro do leite aos produtores. Além disso, espera-se para breve a possibilidade de começar a vender queijo fatiado. Tribuna das Ilhas esteve à conversa com o presidente da CALF, José Agostinho e foi visitar a fábrica e conhecer alguns dos seus funcionários mais antigos.
Antes da existência da CALF passaram pela freguesia dos Cedros várias fábricas de laticínios. A cooperativa nasceu em 1943, por iniciativa de um grupo de pessoas liderado por José da Rosa Aica. Com a inauguração de uma nova fábrica, em 1960, a CALF ficou dotada de condições únicas na região e começou a afirmar-se pela qualidade da manteiga que produzia. Só mais tarde, na década de 70, se iniciou na produção de queijo.
No final dos anos 80, foi criada uma secção comercial para apoiar as explorações dos associados, procurando oferecer-lhes factores de produção a preços mais competitivos. Em 2004 a CALF inaugurou uma nova unidade fabril, com maior capacidade. Mais recentemente, no ano passado, mudou a imagem dos seus produtos, com alterações nos rótulos e embalagens.
Ao longo da sua história, a CALF enfrentou diferentes tipos de dificuldades, como recorda o atual presidente, José Agostinho: “as dificuldades foram tantas que chegámos a estar seis meses sem pagar aos funcionários, sem pagar o leite…”, lembra.
Hoje, apesar da crise, a CALF está “num bom patamar”. Para tal, entende o responsável, contribuiu a criação da Lactaçores, em 2004, que uniu três cooperativas açorianas (CALF, Unileite e Uniqueijo), num encontro de forças essencial para abordar um mercado competitivo.
À beira de completar 70 anos, a principal dificuldade da CALF não é segredo para ninguém e já se manifesta há muito tempo, sem que tenha no entanto sido possível resolver o problema: “a capacidade instalada é elevada mas não temos matéria prima para viabilizar o investimento”, lembra José Agostinho. Com uma fábrica que pode laborar 18 milhões de litros de leite por ano, em 2012 a CALF não atingiu sequer 13 milhões, ficando-se pelos 12.814.945 litros. Ainda assim, este valor representa um ligeiro aumento em relação a 2011. No entanto, frisa Agostinho, é preciso crescer mais, até porque a indústria de lacticínios é uma economia de escala: “os custos de laborar a quantidade de leite que laboramos são os mesmos que teríamos se laborássemos mais. Portanto, precisamos de mais leite para baixar os custos de produção”, diz, lembrando que só dessa forma a CALF poderá pagar mais pelo leite recebido.
A este respeito, José Agostinho lembra que, a partir de novembro, a cooperativa vai aumentar em dois cêntimos o preço pago por litro de leite ao produtor.
Leia mais na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 25.10.2013 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário