Amanhã, dia 2 de novembro, a Escola Profissional da Horta (EPH) assinala 15 anos de existência. Numa altura em que o desemprego é uma realidade cada vez mais presente na sociedade faialense, a formação profissional reveste-se de uma importância crescente. Por esta escola, já passaram mais de mil formandos e o objetivo é manter portas abertas para que muitos mais possam ali formar-se. Para tal, tem havido uma preocupação em ajustar a oferta formativa às necessidades da ilha e da Região, como explicaram ao Tribuna das Ilhas Maria José Gonçalves, diretora pedagógica da EPH, e Célia Pereira, diretora de serviços administrativos e financeiros.
A EPH nasceu em 1998, pela mão da Santa Casa da Misericórdia da Horta, com o objetivo de colmatar a lacuna que existia no Faial no que ao ensino profissional dizia respeito. Célia Pereira recorda que, nessa altura, o país e a região assistiam à proliferação de instituições vocacionadas para esse tipo de ensino, que se apresentava como uma alternativa ao ensino secundário regular. “Na altura foi muito difícil arranjar formandos, porque era novidade”, recorda.
O sucesso dos dois primeiros cursos a serem lecionados (Técnico de Construção Civil/Medições e Orçamentos e Técnico de Gestão Agrícola) levou a que mais jovens procurassem a EPH para uma aprendizagem mais voltada para a componente prática e a instituição foi criando solidez. Em 2006, são inauguradas novas instalações para a EPH, no recém remodelado Palacete de Santana, ficando a escola dotada de melhores condições.
Ao longo dos anos, como explica Célia, o desafio foi actualizar a estrutura da instituição para que esta fosse ao encontro das necessidades da comunidade onde se insere: “quando a EPH surgiu, estávamos vocacionados apenas para os cursos técnico-profissionais de nível III, que hoje já são de nível IV. Depois apostámos também na formação de ativos e, ultimamente, estamos a lecionar cada vez mais cursos Reativar, para os desempregados que nos chegam da Agência de Qualificação e Emprego e da Rede Valorizar. Temos de nos ir adaptando às necessidades que vão surgindo”, explica.
A escalada do desemprego faz com que os decisores políticos se preocupem com a formação profissional dos desempregados e a EPH tem procurado responder às solicitações da tutela nessa área. A escola já formou 56 pessoas ao abrigo dos quatro cursos Reativar que por ali já passaram e neste momento leciona outros quatro que permitirão engrossar em breve este número.
Das estatísticas da EPH consta ainda um curso de nível II, que formou seis pessoas; e 34 cursos de qualificação de ativos, por onde passaram 559 formandos, na sua maioria frequentando cursos de formação pedagógica de formadores.
Os cursos de nível IV ainda são, no entanto, o ex-libris da escola. A EPH já lecionou 31 destes cursos, diplomando 432 alunos. No atual ano letivo, estão a ser lecionados seis cursos técnicos (Mecânica Naval, Apoio Psicossocial, Gestão, Apoio à Infância, Desenho Digital 3D e Sistema de Informação Geográfica).
Também na escolha dos cursos a necessidade da ilha e da região é tida em conta. Até ao ano passado, a EPH recebia do Governo Regional uma lista dos cursos considerados prioritários para a região, de entre os quais, depois de auscultar entidades e empresas locais, a instituição escolhia os que considerava mais pertinentes para o Faial. Mais recentemente, no entanto, já foi a EPH a sugerir os cursos que considerava prioritários, como é o caso do curso de mecânica naval, importante para dotar a Horta de recursos humanos capazes de capitalizar o potencial económico que o apoio à náutica de recreio internacional pode trazer para a ilha. Já antes a EPH tinha sentido essa necessidade, e por isso propôs à tutela leccionar um curso de construção naval, apesar dele não estar incluído nas listas apresentadas, proposta essa que foi aceite.
Leia a reportagem completa na edição impressa do tribunadasilhas de 1 de novembro de 2013, ou subscreva a assinatura digital do seu semanário