A Câmara do Comércio e Indústria da Horta (CCIH) nasceu no Faial a 9 de novembro de 1893, então sob a designação de Grémio do Comércio da Horta, respondendo a uma necessidade que se fazia sentir entre os empresários locais. A atual designação surgiu em 1980, altura em que a instituição se assume verdadeiramente como associação dos Comerciantes, Industriais, Importadores e Exportadores das ilhas do Faial, Pico, Flores e Corvo.
Em dia de aniversário, no passado sábado, a CCIH juntou responsáveis e sócios num jantar comemorativo. Na ocasião, o presidente da instituição lembrou que os tempos são difíceis e prometeu trabalhar para ajudar os empresários das ilhas de abrangência da CCIH a ultrapassar as dificuldades. No entanto, alerta Humberto Goulart, é preciso mais do que o trabalho da CCIH: “é necessário mais empenho” das entidades com responsabilidade nesta área, de forma a que o investimento privado não seja desencorajado. Salientando a importância do SIDER (Sistema de Incentivos para o Desenvolvimento Regional), o patrão dos empresários pediu, no entanto, mais rapidez no desenvolvimento dos processos.
A formação de ativos, a organização de seminários e sessões de esclarecimento e a divulgação de informações sobre os apoios disponíveis aos empresários são algumas das funções da CCIH, assim como o apoio jurídico, área onde Humberto Goulart reconhece haver uma lacuna, já que este é atualmente assegurado apenas por um protocolo com um escritório de advogados, sendo que a instituição espera, a partir de 2014, contar com um jurista, no âmbito do programa Estagiar L.
A preparação do próximo quadro comunitário, que arrancará em 2014, é outra preocupação da atual Direção da CCIH, que espera “ver salvaguardadas as especificidades das nossas ilhas”.
Finalmente, a questão da sede também mereceu a atenção de Humberto Goulart, que lembrou a urgência da sua reparação, não apenas para dotar a instituição de mais dignidade no desempenho das suas funções mas até pelo facto da deterioração do atual edifício estar já a causar estragos em casas vizinhas.
Novos sistemas de incentivos para o novo quadro comunitário
O presidente da Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores (SDEA) destacou a importância do trabalho dos empresários para a Região, garantindo que, “apesar deste cenário mais turbulento, o Governo Regional não tem baixado os braços” na busca de uma nova estratégia de desenvolvimento para a Região. Arnaldo Machado defendeu uma “especialização inteligente” na atividade empresarial açoriana, que passe, por exemplo, pelo fortalecimento do setor primário, pela promoção dos bens transacionáveis, pela diminuição das importações e aumento das exportações e pela qualificação dos recursos humanos. A aposta nas economias verde, azul e da criatividade é, para o presidente da SDEA, um exemplo do caminho do futuro.
Tendo tudo isto em conta, Arnaldo Machado adiantou que estão a ser preparados novos sistemas de incentivos para o próximo quadro comunitário de apoio, adequados às novas necessidades da Região.
CMH e CCIH juntas na criação do Gabinete de Apoio ao Investidor
Para o presidente da Câmara Municipal da Horta (CMH), a CCIH é uma parceira valiosa na dinamização da economia faialense, pilar do mandato municipal que agora arrancou. José Leonardo Silva lembrou que a redução de verbas vindas do Orçamento do Estado para as autarquias é uma dificuldade, no entanto entende que o apoio ao investimento privado não pode ser descartado. Nesse sentido, destaca o Parque Empresarial “livre de taxas” e também a criação de um Gabinete de Apoio ao Investidor Municipal, a funcionar em coordenação entre a CCIH e a CMH, que, segundo José Leonardo, deve arrancar em 2014.
O edil pediu também a colaboração dos empresários na elaboração do Plano e do Orçamento do município para o próximo ano, e anunciou também para 2014 a organização de um fórum com o objetivo de analisar o clima económico da ilha.
“Os tempos difíceis não podem servir de trincheiras para nos barricarmos”
Quem o diz é a presidente da Assembleia Regional, para quem este aniversário da CCIH teve sabor especial, uma vez que Ana Luís já passou pela Direção daquela instituição.
Felicitando a CCIH por ter sabido “adaptar-se às exigências do mercado”, Ana Luís frisou que o crescimento económico exige “muita entrega e sacrifício”, principalmente na atual conjuntura de crise. A mensagem da presidente da Assembleia Regional foi, no entanto, de força, lembrando que “não há nada que detenha um ser humano determinado”.
Neste jantar comemorativo foram também prestadas homenagens aos antigos presidentes da CCIH.