A ordem de alterar a localização das obras de Eduardo Carqueijeiro, oferecidas ao Monsenhor Júlio da Rosa e à paróquia das Angústias em 2007, tem provocado a revolta e consternação dos paroquianos da freguesia das Angústias que não concorda com a decisão tomada pelo Padre Paulo Silva.
O pintor também já teve conhecimento desta situação e, inclusivamente, após contacto com o Padre e com a Junta de Freguesia, via e-mail, já encetou diligências no sentido de comunicar o sucedido ao Bispo dos Açores, D. António de Sousa Braga.
De acordo com informações a que tivemos acesso, o pároco das Angústias convocou no sábado dia 23 de novembro os paroquianos para uma reunião, a decorrer na segunda-feira, dia 25, para discutir a permanência ou não dos referidos quadros na Igreja.
A essa reunião compareceram cerca de 20 pessoas e, dessas, apenas 3 manifestaram o facto de não gostarem dos quadro, mas não apoiaram a decisão de os retirar do lugar.
Os restantes defenderam a permanência das obras de arte nos respectivos lugares.
O padre, supostamente consultou o Conselho Consultivo e decidiu alterar a localização das peças, sendo que duas delas passariam a integrar o coreto e as outras duas passariam para o fundo da igreja.
Esta decisão, uma vez mais não foi apoiada, quer pelos paroquianos, quer pelo artista que já manifestou o seu desagrado.
No e-mail a que tivemos acesso, Eduardo Carqueijeiro refere o seu descontentamento perante “a intenção do sr. Padre Paulo Silva retirar dos locais onde estão actualmente os painéis de pintura, que eu graciosamente e em honra de Nossa Senhora das Angústias, ofereci a Monsenhor Júlio da Rosa e que Monsenhor, muito honradamente para mim, colocou na nave central junto do altar-mor e lateralmente na igreja que durante alguns anos têm figurado na igreja”.
Eduardo Carqueijeiro defende ainda que, a alterar a localização das peças, as mesmas deverão ser removidas do templo e entregues ao Monsenhor Júlio da Rosa, seu fiel depositário.
Sobre as peças o Monsenhor Júlio da Rosa escreveu “o pincel de Carqueijeiro quis sublimar um passado escondido coma Graça e com a Misericórdia de Deus sob o manto da Virgem: “Nossa Senhora com o seu manto, surge proeminente, velando para que todas as criações do Divino – Homens, Animais, Plantas, Insectos... – encontrem o seu lugar de paz e prosperidade neste canto do mundo. (...) Eduardo Carqueijeiro vislumbrou um passado de tragédia e luta da ilha com os elementos da natureza... vislumbrou toda uma epopeia da ilha, do porto...”
Em 2007 em entrevista a este semanário, o artista disse que a a ideia de pintar aqueles quadros surgiu em 2006 “do empenhamento do Padre Júlio da Rosa e da vontade que ele teve de ilustrar a já muito bonita igreja das Angustias, para a sua abertura, pós obras de reconstrução. Nessa altura vivia no Faial e foi com muito prazer que fiz os primeiros painéis para a igreja; Depois e entretanto no outono passado tive que voltar para o continente, mas logo ali ficou o compromisso de completar o conjunto com mais dois painéis que ficariam nas paredes laterais da igreja.”
Afirmou ainda que as peças em causa “revelam a ligação temporal entre o divino e o humano, e a relação entre o humano e as forças da natureza. Partem de recriações de quadros clássicos da pintura, adaptados e transferidos para o universo da Horta e do Faial.”
Tribuna das Ilhas tentou chegar á fala com o Padre Paulo Silva para procurar um depoimento seu sobre esta situação, sem que tal tenha sido possível.