A bancada municipal da CDU não tem ainda uma posição definida quanto à forma como vai votar o Plano e o Orçamento do município para 2014. Contactado pelo Tribuna das Ilhas, o líder da bancada municipal comunista lembra que o presidente da Câmara Municipal da Horta (CMH) enviou um ofício a solicitar contributos da oposição, no entanto a CDU não apresentou ideias antes de reunir com o autarca, por não se achar na posse de informações suficientes sobre a situação financeira do município. De acordo com José Decq Mota, só após a reunião com o presidente da CMH a CDU pôde elaborar um documento com algumas preocupações que considera essenciais para os documentos orientadores da autarquia.
Nesse documento, a CDU revela-se preocupada com a forma como são apresentadas as receitas do município. José Decq Mota critica as manobras contabilísticas que servem para empolar receita de forma a permitir à CMH realizar mais despesa. Para o deputado municipal, esta prática acaba por prejudicar os fornecedores locais, principais vítimas da demora do município em efetuar pagamentos.
No que diz respeito às questões de ordem social, Decq Mota entende que os instrumentos disponíveis “têm de ser mais precisos” na forma como funcionam. Já no plano económico, a CDU quer que o município seja mais auspicioso nos incentivos às empresas.
Outra grande preocupação da CDU em relação ao Plano e ao Orçamento para 2014 passa pela qualidade da água: “será um disparate se este plano não for ao encontro de uma melhoria da qualidade da água no concelho”, entende José Decq Mota.
O futuro da empresa municipal resultante da fusão da Hortaludus na Urbhorta também preocupa a CDU, que defende a internalização de equipamentos como o Teatro Faialense ou a piscina municipal na CMH.
José Decq Mota alerta ainda para a importância de salvaguardar o futuro dos trabalhadores do município, condenando uma lógica de redução. O deputado municipal lembra que os meios operativos são o recurso mais valioso da autarquia, por isso quer garantir que todos os trabalhadores da CMH permanecem nos seus postos de trabalho.
O líder municipal da CDU entende ainda que os procedimentos até agora desenvolvidos pela CMH para elaborar os documentos orientadores do próximo ano não podem ser entendidos como um “processo negocial”. José Decq Mota entende que houve, sim, uma “audição” do presidente da CMH aos partidos representados na Assembleia Municipal. O sentido de voto da CDU fica, assim, em aberto até à Assembleia Municipal, agendada para 27 de dezembro.