A freguesia da Matriz assinala amanhã 500 anos de existência. As comemorações arrancaram ontem e prolongam-se hoje, com uma noite sócio-cultural e recreativa no Teatro Faialense a partir das 21h00, seguida de uma tertúlia e noite de juventude no Bar do Teatro. Amanhã, ponto alto das comemorações, haverá, entre outras coisas, um Urban Trail Run durante a tarde nas ruas da freguesia e missa na Igreja Matriz. A Sessão Solene evocativa do Dia da Freguesia acontece às 21h00, na Sociedade Amor da Pátria.
Para assinalar a efeméride, Tribuna das Ilhas esteve à conversa com a presidente da recentemente eleita Junta de Freguesia. Alice Rosa destacou a importância que dá à criação de parcerias com instituições da freguesia e do concelho para a celebração desta importante efeméride e falou também das preocupações que norteiam o elenco autárquico a que preside, que tem a particularidade de ser compostos por elementos de três orientações políticas diferentes. De acordo com a autarca, a receita para fazer resultar uma junta tripartida passa por encontrar os pontos de vista convergentes. Neste caso, a preocupação social é o eixo comum aos três projetos que foi escolhido como prioridade na ação da Junta, tendo em conta o aumento dos casos de carência, face à crise. Alice Rosa espera pôr a política de proximidade ao serviço da resolução destes problemas.
Que preocupações nortearam a Junta de Freguesia na elaboração do programa para uma efeméride desta dimensão?
500 anos é uma data marcante e este elenco da Junta de Freguesia da Matriz abraçou o projeto tentando dar-lhe a devida relevância. Temos pouco tempo de mandato mas fomos reunindo ideias e construindo um programa à luz da importância da freguesia de centro urbano do concelho.
É possível saber que eventos estão a ser preparados para este ano, para além do ponto alto das comemorações, neste fim-de-semana?
Estamos a preparar um roteiro histórico da freguesia dedicado a crianças, para que estas possam construir algo sobre os monumentos históricos da freguesia. Temos uma riqueza arquitetónica fabulosa, queremos também lembrar alguns conventos que já não existem mas que marcaram a nossa história e ninguém melhor do que as crianças para aprender sobre esta área.
Queremos criar parcerias para celebrar estes 500 anos, porque é aí que podemos ganhar e dar também maior visibilidade a quem intervir connosco. Já temos parcerias com a Câmara Municipal da Horta (CMH), com a Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça e pretendemos criar outras, nomeadamente com a Câmara do Comércio e Indústria da Horta na dinamização do tecido empresarial e da restauração. Queremos também aliar-nos às coletividades da freguesia: por exemplo, no Espírito Santo queremos fazer, em parceria com o Império da rua Advogado Graça, outro tipo de abordagem às festividades. Temos a Semana da Saúde em março, com a APADIF e a Delegação do Faial da Cruz Vermelha Portuguesa e temos ainda, o que já é uma marca na freguesia, a parceria com a Comissão de Festas do Bairro da Boa Vista por altura do São Pedro. Esta união de sinergias parece-nos positiva no momento que atravessamos.
Estas comemorações terão o seu encerramento em dezembro, com um evento que já está a ser preparado.
Esta freguesia tem muitas especificidades. É de centro urbano, concentra a maior parte do comércio tradicional da ilha, está recheada de património edificado muito característico… Como é que este elenco autárquico, tão jovem, olha para esta realidade da Matriz?
Realmente somos jovens e temos a particularidade de estar numa Junta tripartida. Começámos por procurar o olhar comum nas nossas intenções para a freguesia e vimos que existiam mais pontos convergentes do que divergentes- Foi por aí que começámos a trabalhar. Para os três elementos do Executivo, a grande prioridade é a área social. Outra questão comum prende-se com as infraestruturas e o tecido empresarial. O edificado urbano, dado o seu estrado de degradação, é uma preocupação e queremos, junto de outros organismos competentes, como a CMH, criar alguma dinâmica.
Na área social, temos verificado um aumento de casos difíceis, dado este momento de crise. Existem casos de carência económica e o que a Junta tem procurado fazer, dada a sua grande intervenção na política de proximidade aos cidadãos mas parca em ferramentas, é a deteção dos casos mais notórios e o devido encaminhamento para organismos competentes.
Leia a entrevista completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 07.03.2014 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário