Arrancou esta manhã, no Teatro Faialense, a 21.ª edição das Jornadas Pedagógicas de Educação Ambiental, organizadas pela Associação Portuguesa de Educação Ambiental (Aspea) e pelo Observatório do Mar dos Açores (OMA).
Até ao próximo dia 17, estas jornadas, este ano sob o mote “Dos Rios aos Oceanos”, reúnem um grupo heterogéneo de participantes que irão refletir sobre vários temas, como os projetos de inovação e responsabilidade social e ambiental, o papel da educação na Estratégia Nacional do Mar, a literacia e investigação sobre charcos, rios e oceanos ou a participação e cooperação em áreas protegidas no âmbito das atividades socioeconómicas. Do programa constam ainda várias oficinas, mini-cursos, grupos de trabalho e saídas de campo.
De acordo com Eva Giacomello, do OMA, estas jornadas querem envolver pessoas ligadas à educação ambiental, mas não só; todos os interessados do tema são bem vindos: “queremos que saia daqui um testemunho para garantir que a educação ambiental seja transmitida a pessoas de formações diferentes, idades diferentes…”, explica, destacando este evento como “uma oportunidade única de partilha de conhecimentos e experiências”.
Lembrando que um dos objetivos do OMA é, precisamente, “a educação ambiental e contribuir para uma sociedade sustentável”, Eva frisa que é preciso reunir a contribuição de todos para a preservação dos recursos naturais, atividade que ganha especial relevância numa região como os Açores, tão dependente de atividades como a pesca ou o turismo de natureza.
“A gestão correta destes recursos começa com os hábitos de todos nós, por isso todos devíamos ter mais atenção ao nosso dia a dia e a como contribuir para preservar o meio ambiente”, frisa, destacando a preocupação do OMA em levar esta consciencialização não apenas às crianças mas a todos os públicos.
“O país tem os olhos postos no Mar”
Quem o diz é Hélder Silva, diretor do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores. O responsável falava na sessão de abertura destas jornadas, presidida por Joaquim Ramos Pinto, da Aspea. Hélder Silva lembrou que os desafios ambientais “são crescentes”, por entende ser essencial que as respostas continuem a surgir, sendo importante para que tal aconteça a realização de eventos como estas jornadas. Tendo em conta a crescente atenção do país ao mar enquanto recurso, o diretor do DOP entende que esta instituição, com responsabilidades na investigação e na educação, tem pela frente “enormes desafios”.
Hélder Silva destacou a exploração das potencialidades do novo quadro comunitário de apoio e o processo de extensão da plataforma continental como áreas importantes a que a Região deve estar atenta, chamando a atenção para o papel essencial que as instituições ligadas à investigação têm no apoio à tomada de decisões a nível político nestas matérias.
O director do DOP exemplificou com as Pescas, que rendem 40 milhões de euros anualmente nos Açores, se tivermos em conta apenas a primeira venda, e que necessitam do apoio da investigação para fundamentar as quotas de pesca da Região e o seu equilíbrio com a sustentabilidade do setor.
Hélder Silva lembrou também que o apregoado “crescimento azul” traz desafios na exploração dos recursos marinhos sob diferentes pontos de vista, como a biotecnologia e a mineração.
Quem também marcou presença nesta sessão foi a vereadora da Câmara Municipal da Horta (CMH) com o pelouro da Educação. Ester Pereira frisou a importância que o município dá à sensibilização ambiental, principalmente junto dos mais jovens, considerando que uma década de políticas direcionadas para esta área já dá frutos no que à recolha seletiva de resíduos diz respeito. A autarca considera que “os mais novos são os mais importantes mensageiros” da sensibilização ambiental, por isso a CMH prossegue esta política no presente ano, com o projeto “o Ambi vai à escola”.