Acabar com as drogas é uma realidade ou uma utopia? Esta foi uma inquietação manifestada por alguns dos participantes no Parlamento dos Jovens, que decorreu segunda e terça-feira na Horta.
Numa iniciativa da Assembleia da República, em parceria com a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, com a Direção Regional da Educação e com a Direção Regional da Juventude, esta iniciativa, que junta 57 ‘deputados’ açorianos, alunos do ensino secundário em 27 escolas das ilhas de Santa Maria, São Miguel, Terceira, São Jorge, Pico, Faial e Flores, tem como um dos seus objetivos promover o debate democrático, o respeito pela diversidade de opiniões e pelas regras de formação das decisões.
Ana Luís, presidente do Parlamento açoriano e anfitriã de mais esta iniciativa, frisou na ocasião que “este não poderia ser um tema mais actual e hoje, nós os adultos, nós os pais, seremos os vossos melhores ouvintes, porque muitas vezes, esquecemo-nos de quão importante é o diálogo e de vos ouvir: as vossas alegrias, as vossas frustrações, as vossas ansiedades e quando damos por isso deixamos de vos conhecer. A droga pode bater à porta de qualquer família e hoje quando discutimos a forma de evitar as dependências a vossa participação é fundamental.”
O parlamento dos Jovens do Ensino Básico terminou dia 31 de março, com a votação das Escolas que representarão a Região Autónoma dos Açores na Sessão Nacional.
Crise demográfica (emigração, natalidade e envelhecimento) foi o tema central do Parlamento dos Jovens do ensino secundário.
A desertificação das ilhas menos populosas é um tema que preocupa os alunos do ensino secundário das escolas participantes no Parlamento dos Jovens. Não tendo emprego, a tendência é sair das ilhas e procurar outras oportunidades nas ilhas mais populosas ou mesmo noutros países – afirmaram os jovens.
Os deputados regionais presentes apelaram à criatividade dos jovens como um caminho possível para evitar a emigração, uma vez que as nossas ilhas correm mais riscos cada vez que a emigração é apontada como solução para os problemas do emprego.
Medidas incentivadoras para o aumento da natalidade também foram abordadas, diretamente relacionadas com o aumento do emprego.
Todos estes fatores estão correlacionados com a crise económica que atinge não apenas os Açores nem o país. No entanto, alguns alunos criticaram a classe política como não participando na mesma medida da restante população nos sacrifícios impostos, ao que o deputado à Assembleia da República respondeu que as generalizações eram sempre injustas e que em todas as áreas laborais existem diferenças de produtividade e do modo de estar no trabalho e na vida.