Os antigos presidente do Governo Regional dos Açores Alberto Romão Madruga da Costa e líder do Partido Socialista nos Açores José António Martins Goulart sentaram-se à mesma mesa para se pronunciarem sobre o futuro da autonomia, numa iniciativa que decorreu sob a égide do PSD-Açores, no passado sábado, no Teatro Faialense, na cidade da Horta.
Trata-se de um ciclo de workshops subordinados ao tema geral "Autonomia Futuro" que o PSD está a organizar e que já se realizam em São Miguel e na Terceira e que discutiram ainda temas como a Autonomia e Unidade Regional e a Coesão Territorial – Desafios do Presente.
Durante o workshop os dois antigos dirigentes do PSD e do PS nos Açores, Madruga da Costa e Martins Goulart, que já estão afastados da vida política ativa, defenderam a necessidade de uma revisão da lei eleitoral no arquipélago.
Os dois dirigentes entendem que é necessário reduzir o número de deputados eleitos ao parlamento açoriano e acabar com o círculo regional de compensação, recentemente criado.
Madruga da Costa considera mesmo "um absurdo" o atual número de deputados eleitos à Assembleia Regional. "O que existe agora é um absurdo", insistiu o antigo dirigente social-democrata, que critica também a introdução recente de um círculo regional de compensação que entende ser “uma forma habilidosa para a atual maioria socialista perpetuar-se no poder.”
Duarte Freitas, líder do PSD/Açores, defendeu igualmente uma "redução substancial" do número de deputados na Assembleia Legislativa dos Açores.
"Defendemos uma redução substancial do número de deputados, sem colocar em causa a representatividade de cada ilha", insistiu o dirigente social-democrata, que propõe ainda uma "redução do número de cargos dirigentes" do Governo Regional em cada ilha.
Martins Goulart, um dos fundadores e primeiro presidente do PS/Açores, que abandonou a vida política há quase 20 anos, partido defende "uma nova lei eleitoral, assente num círculo regional e em 9 círculos de ilha, que permita garantir uma redução do número de deputados, sem recorrer a engenharias contabilísticas".
De acordo com este antigo dirigente era ainda positiva uma revisão do Estatuto Político-Administrativo e da Constituição, no sentido de permitir uma refundação da Autonomia Regional.