No passado dia 29, um morador das Angústias encontrou um peixe-lua praticamente arrojado na praia de Porto Pim.
Segundo Rui Guedes, biólogo da empresa Flying Sharks, o animal com aproximadamente 100 Kg foi mantido dentro da água tendo sempre a tendência a voltar a encalhar. “O senhor tentou por cinco vezes empurrar o animal para levá-lo para águas um pouco mais profundas mas o animal voltava sempre para terra”, disse o biólogo.
“O contato connosco foi feito por volta das 23h00, e quando chegamos ao local este animal estava ligeiramente desorientado, pudemos apurar que ele tinha um parasita na cavidade opercular e de certa forma, achamos que isso era o que estava a afetar as trocas gasosas, ou seja a respiração do animal. Tomámos a decisão de transferi-lo para o aquário através de uma maca, com a ajuda da Polícia Marítima e da Polícia de Segurança Pública, onde passou bem a noite. Pela manhã alimentamo-lo com pota, camarão e 2.5 kg de águas vivas, o seu alimento preferido, para hidratá-lo, o animal reagiu muito bem e por isso achamos que está preparado para ser transferido para alto mar, pois tememos que embata no tanque e fique com lesões.” afirmou Rui Guedes.
“Fizemos uma análise básica aos sinais vitais do animal para confirmarmos que o animal estava bem, fizemos o controlo de qualidade da água do tanque para o bem estar no animal, e hoje demos uma vista de olhos à procura de parasitas com maiores dimensões, pois o Peixe lua é uma espécie muito estática o que o torna propenso a parasitas, e então procuramos por parasitas maiores que pudessem pôr em causa a vida do animal. Por fim recolhemos amostras de tecido para análises genéticas posteriores. Este resgate está a ser feito em parceria com o Parque Natural do Faial, a Universidade dos Açores, Direção Regional dos Assuntos do Mar e nossa empresa Flying Sharks, a devolução ao mar será feita pela embarcação “àguas-vivas” da universidade, na zona Sul do Canal” disse o colaborador da empresa Flying Sharks.
João Melo, Diretor do Parque Natural do Faial, relembrou que um dos principais objetivos do Aquário de Porto Pim é mostrar à população a biodiversidade marinha dos Açores, lembrando também a função de educação ambiental, de valência turística e de resgate e conservação de algumas espécies marinhas.
O Diretor do Parque Natural frisou o fato de já terem sido resgatadas 3 tartarugas, relembrando que os habitantes têm um papel fundamental nestes resgates e que “é comum os residentes procurarem o Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) e o Parque Natural para fazerem o apelo ao resgate destes animais que vão aparecendo”.