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18
julho

Costurar volta a estar na moda

Escrito por  Susana Garcia
Publicado em Reportagem
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 Até há bem pouco tempo fazer costura era aborrecido. Subir bainhas, remendar camisas, ajeitar meias ou pregar botões soava a algo remoto, do tempo das avós. No entanto, hoje a arte de costurar é vista de outra forma e o interesse por aprender tem aumentado. 

Os retalhos loucos e o patchwork têm despertado o interesse por esta arte e cada vez mais mulheres se estão a tornar adeptas. Quem o diz é Maria Salomé Vieira, costureira desde os 11 anos. Tribuna das Ilhas foi falar com esta artesã para perceber se este interesse pela costura se prende também com a atual crise que o país e a Região enfrentam.

Salomé Vieira dá formação de costura e bordados há mais de 30 anos. Começou como instrutora de bordados, aos 19 anos, por conta de uma empresa do continente que representava as máquinas Oliva e, mais recentemente, tem dado formação a pedido das secretarias locais. 

A artesã confirma que nos últimos tempos, o Faial, tem visto aumentar o interesse por esta arte: “desde que começou a haver cursos através das secretarias e com o acesso à internet, as pessoas começaram a interessar-se e a dedicar-se mais à costura”, revela.

Salomé recorda que antes do tempo da imigração e do vulcão toda a gente aprendia a costurar e a bordar: “as pequenas novas, de 16, 17 anos, que não estudavam, iam aprender a costura. Depois parou um pouco, porque mais tarde os jovens continuavam os estudos e entravam no mercado de trabalho”.

Agora está a surgir outra vez uma maior procura, considera a costureira. “As pessoas estão muito interessadas nos cursos. Estes cursos têm ainda a vantagem de não serem pagos, são oferecidos pelas entidades locais”, conta. No entanto, há também quem vá ao atelier da costureira para aulas privadas: “essas alunas vêm à procura de aprender uma coisa específica e depois tomam o gosto e querem aprender mais. Nunca tive nenhuma que desistisse. A verdade é que eu também já tenho alguma prática para ensinar e isso ajuda a tomar o gosto por esta arte”.

A este respeito a formadora considera que a crise não vai aumentar o número de costureiras no Faial, uma vez que esta é uma ilha pequena: “penso que a crise aqui no Faial não vai aumentar o número de costureiras existentes porque este é um meio muito pequeno e, se formos muitas, também não há trabalho para todas”.

Neste contexto a modista referiu que a costura, ao contrário do que as pessoas possam pensar, não é uma arte muito bem paga.

O aumento da procura pela arte de costurar vai mais no sentido das pessoas aprenderem a fazer pequenos arranjos em casa, e dessa forma pouparem algum dinheiro.

Recentemente, Salomé esteve no Pico a dar formações. Numa dessas formações as alunas eram todas professoras reformadas, e na outra as idades variaram entre os 20 e os 60 anos. A procura é, portanto, transversal a todas as idades. 

Maria Salomé sempre viveu da costura e do artesanato, tem o seu próprio atelier e garante que nunca teve falta de trabalho. “Noto que houve uma quebra na procura dos trabalhos por medida, mas ainda há pessoas que procuram. Pela minha experiência eu nunca senti crise, tenho é trabalho a mais, ando sempre cheia de serviço. Mas a verdade é que a crise existe e mexe com tudo”, refere, acrescentando que “a necessidade também faz com que as pessoas procurem aprender estas artes, mas é preciso gostar”, até porque é uma arte que requer muito trabalho e paciência.

Segundo a costureira, esta arte no Faial está para durar e a prova disso é que já existem algumas jovens a costurar para fora.

 

Décadas dedicadas  à costura

Salomé era miúda quando começou a familiarizar-se com a agulha. Tinha apenas 11 anos e já vestia as suas bonecas com roupinhas feitas por si.  

Natural da freguesia da Feteira, veio viver para cidade onde foi aprender costura, até porque o pai não a autorizava a continuar os estudos. “Depois tirei curso de bordados e fui fazendo a minha carreira”, revela, recordando o tempo onde passou a ensinar outras jovens: “ensinei muitas pequenas; dei muitos cursos. Esta foi sempre a minha vida até hoje”.

 “Faço roupa por medida, em tempos fazia vestidos de noiva e de comunhões, para ballet e diversas roupas, arranjos… Tudo o que se pode fazer na costura, eu faço. Cheguei até a fazer fardas”, confessa com orgulho.

 

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