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05
setembro

Do Atlântico ao Pacífico - Portugal País dos 3 F's (XXVI) Fado, Fátima e Futebol

Escrito por  Rufino Vargas
Publicado em Rufino Vargas

“Antes morrer livres do que em paz sujeitos”

FALTA DE SEGURANÇA - Nos princípios do corrente ano de 2014, o Presidente da Câmara Municipal da Horta declarou inter alia, que a pista do aeroporto da Horta” é a única do país onde a TAP opera e que não possui uma área de segurança de fim de pista”.  Também fonte oficial da secretaria regional do Turismo e Transporte, acabou por admitir que a pista da Horta não é uma pista segura.  Para algumas pessoas abordar assuntos relacionados com segurança, quer referentes a aeronaves ou estruturas aero - portuárias ainda é tabu, porque são de uma sensibilidade assaz debilitante ou têm outros preconceitos.  O aeroporto Internacio-nal de São Francisco na California, de quatro pistas com ± 100 aterragens e descolagens por hora, duas pistas já foram apetrechadas com o RSA (runway safety area), isto é o espaço localizado nos dois extremos da pista, com o objetivo de avagarar ou imobilizar os aviões, que por qualquer  motivo saiam da pista.  As restantes pistas ou estão concluídas ou em fase de conclusão.  Para aeroportos em que o prolongamento da pista seja problemático, o Governo Federal Americano ordenou a instalação do sistema EMAS (engineered materials arrestor system) em 40 aeroportos, com resultados satisfatórios.  O Governo Regional dos Açores então encabeçado pelo Pró-Consul Sr. Carlos César, não cumpriu a promessa do aumento da pista do Aeroporto da Horta, o que “a priori” já era prevísivel.  Perante esta realidade e para receber a certificação da I.C.A.O (international civil aviation organization), é absolutamente necessário e urgente construir-instalar RSA-EMAS no referido aeroporto. O esforço corajoso, autêntica cruzada desempenhada pelo deputado Costa Pereira, em prol desta causa é deveras louvável.  Em matéria de segurança não se deixa pr'a amanhã o que se pode e deve fazer hoje.  Antes prevenir do que remediar.

FALTA DE SAÚDE - Segundo a Agência Lusa de 23 de junho de 2014, um homem ferido numa tourada à corda na Ilha de São Jorge, não chegou a ser transferido para o hospital de Ponta Delgada e acabou por morrer.  Quanto a mim julgo que as entidades - autoridades competentes, em particular a Força aérea Portuguesa não cumpriram a sua missão primária, de numa situação de emergência como esta, de tentar salvar a todo o custo a vida de um cidadão Açoriano de São Jorge e repito que todos somos cidadãos com plenos direitos, independentemente da ilha de que somos naturais.  O ministro da defesa nacional Aguiar Branco, que faz parte de um elenco governamental encabeçado pelo Supremo magistrado da nação, Sua Excelência Sereníssima Cavaco Silva e o combalido Chefe do governo Passos Coelho, demonstraram mais uma vez que ainda somos considerados política e administrativamente como Ilhas Adjacentes vis-à-vi Metrópole.  O sr. ministro declarou cinicamente, que evacuações médicas não eram da responsabilidade da força aérea, mas sim do Governo Regional.  Atendendo ao facto que o helicóptero utilizado para estas situações, não estava disponível e a Força Aérea tenha afirmado que tinha tentado outra solução usando um avião C295, alegou que o aeroporto de S. Jorge não é certificado para vôos nocturnos.  O Presidente do Governo Açoriano ordenou a realização de um inquérito a este escândalo, sublinhando que o referido aeroporto opera vôos de emergência nocturnos.  Em tempo de guerra não se limpam armas, especialmente quando está em causa uma vida humana.  No caso particular de emergências tem que se ter um plano B como alternativa.

Tendo sido ferido durante a guerra do ultramar, fui evacuado por via aérea do aquartelamento do Chitolo para o hospital de Mueda, no planalto Maconde no distrito de Cabo Delgado na província-colónia de Moçambique.  Fui transportado numa avioneta DO-27 em que o segundo assento tinha sido removido, para acomodar carga material ou humana.  Viajei em cima de sacos de serapilheira, contendo géneros alimentícios e sacos de SPM (serviço postal militar).  Ocasionalmente quando a FAP não podia responder às nossas necessidades mais permentes, recorríamos aos táxi-aéreos tripulados por civis.  As razões apresentadas tanto pelo ministro da defesa como a FAP, são simplesmente inaceitáveis. Urge a criação de uma estrutura de assistência de saúde rápida pelo Governo Regional.  Em matérias desta relevância não podemos confiar cegamente na política perfídica dimanada do Terreiro do Paço.  O novo Centro de saúde da Madalena do Pico já está a funcionar e custou ± 10 milhões de euros, é 5 vezes superior em área comparativamente ao anterior.  A promessa inicialmente feita pelo Governo Regional, de que a nova estrutura iria tornar possível voltar a nascer no Pico, foi posteriormente quebrada como já era previsível.  Como nos tempos áureos do Império Português, o corpo é excessivamente grande e a cabeça é demasiado pequena.  A saúde nos Açores está doente.

FANTÁSTICO - No dia 6 de agosto do ano da graça de 2014, dia do Sr. Bom Jesus Milagroso de S. Mateus do Pico, aconteceu um milagre.  Ia eu na minha voltinha matinal, à pata claro, estando em sintonia com as ondas hertzianas da estação Antena 9 da vizinha ilha do Faial, ouvi a notícia da inauguração de uma nova fábrica de transformação de atum congelado, providenciando ± 50 postos de trabalho.  Como este arrojado empreendedor-inovador faialense, também se chama Rufino como eu, só desejo que hajam muitos mais Rufinos.

FALTA DE JUSTIÇA - A RTP Açores é conhecida na California como a RTP-São Miguel, porque  dedica mais tempo à ilha de São Miguel relativamente às outras no que concerne a notícias, eventos e celebrações religiosas.  Nas festas do Senhor Santo Cristo Milagroso e com o devido respeito, a cobertura efetuada pela RTP estende-se ad nauseum por vários dias.  A segunda maior festa em dimensão e fervor religioso a nível Regional, é em louvor do Senhor Bom Jesus Milagroso que se celebra em São Mateus na Ilha do Pico.  Embora as cerimónias religiosas se prolonguem mais que uma semana, e a procissão demore mais de duas horas e haja grande afluência de peregrinos tanto locais como forasteiros das Ilhas circum-vizinhas e outras paragens, a transmissão feita pela RTP é mínima, estamos a falar em segundos.  Somos 9 ilhas e o sol nasce para todos.  O Ecce Homo é só um e não é bairrista, seja Ele denominado Santo Cristo ou Bom Jesus.  A transmissão da RTP das festas maiores de cada ilha, deve ser equilibrada e equititivamente distribuída. 

A bem da Nação e Açores. 

Lido 1956 vezes Modificado em terça, 08 agosto 2017 09:30
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